Norte-americanos ignoram recomendações e viajam em massa no feriado de Ação de Graças

Com um milhão de deslocamentos por dia, aeroportos registram a maior atividade desde o começo da crise sanitária, na celebração mais anômala da história recente

Cartaz recorda a obrigatoriedade do uso de máscara na área de desembarque do aeroporto LaGuardia (Nova York).
Cartaz recorda a obrigatoriedade do uso de máscara na área de desembarque do aeroporto LaGuardia (Nova York).John Minchillo (AP)

Os norte-americanos parecem ignorar os apelos das autoridades sanitárias e do próprio presidente-eleito, Joe Biden, para que fiquem em casa e evitem que o ritmo da pandemia se acelere. Milhões de pessoas se preparam para celebrar nesta quinta-feira a festividade mais familiar do ano nos Estados Unidos, o dia de Ação de Graças, por isso os aeroportos registraram, com um milhão de viajantes por dia, sua maior atividade desde o começo da crise sanitária, em março. Nem sequer a recomendação reiterada de não viajar lançada pelos Centros de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês, os comitês governamentais que prescrevem as normas sanitárias) foi capaz de frear o êxodo de milhões de pessoas a suas localidades de origem para o Dia de Ação de Graças mais anômalo que se tem notícia. Enquanto isso, nas principais cidades, dezenas de milhares de pessoas continuavam engrossando as filas diante de farmácias e laboratórios que fazem exames de covid-19.

Em seu discurso por ocasião da festividade, Biden recordou nesta quarta-feira que a doença já custou a vida de 260.000 norte-americanos e pediu a seus compatriotas que fiquem em casa. Citou sua própria família como exemplo do que manda o senso comum neste ano excepcional. “Vamos viver esta Ação de Graças separados. Jill [sua esposa] e eu passaremos em nossa casa em Delaware com nossa filha e genro. O resto da família fará o mesmo em pequenos grupos”, salientou.

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Com uma média de 160.000 novos casos por dia, “que poderiam em breve chegar a 200.000” se a segurança não for reforçada, alertou Biden, o sistema sanitário está quase saturado em algumas partes do país. As autoridades expressaram sua preocupação com um possível aumento dos contágios pelos deslocamentos nesta semana de férias, o período em que tradicionalmente ocorrem mais viagens no país e que culmina com a ceia de Ação de Graças nesta quinta-feira, uma espécie de prólogo para o Natal.

Apesar da recomendação do CDC, esta é a semana com mais afluência de viajantes desde a chegada da pandemia aos EUA, em março, com uma média de um milhão de deslocamentos diários desde o fim de semana passado, segundo a Administração de Segurança de Transporte (TSA, na sigla em inglês), encarregada dos controles aeroportuários. As autoridades sanitárias temem que a circulação de pessoas e os intercâmbios entre núcleos familiares, assim como as reuniões de não conviventes, façam o número de contágios no país disparar ainda mais, inclusive em áreas onde até agora era possível manter a transmissão relativamente sob controle, enquanto o Meio-Oeste e o norte apresentam as cifras mais preocupantes.

Só nas duas últimas semanas foram registrados dois milhões de casos novos da covid-19 no país e, a se confirmarem os temores dos epidemiologistas sobre o impacto deste feriado de Ação de Graças, o mês de dezembro e a temporada natalina podem se transformar em um período ainda mais negativo, com 311.000 mortos até o final do ano, segundo as projeções mais otimistas do Instituto de Métricas de Saúde e Avaliação (IHME, em inglês).

Os EUA são o país do mundo mais afetado pela pandemia, com mais de 12,6 milhões de casos de covid-19 registrados desde março, segundo a Universidade Johns Hopkins.

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