Fox News interrompe porta-voz da Casa Branca por difundir acusações infundadas de fraude

Canal conservador aplica a mesma medida adotada por outras três emissoras contra Trump na semana passada

Kayleigh McEnany, porta-voz da Casa Branca, na entrevista coletiva desta segunda-feira.

A Fox News interrompeu nesta segunda-feira a entrevista coletiva da porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, a primeira desde as eleições presidenciais, no momento em que ela fazia acusações de fraude eleitoral sem apresentar nenhuma prova. Já se passaram mais de 48 horas desde que Joe Biden se tornou o presidente-eleito dos Estados Unidos, mas o Governo de Donald Trump se nega a reconhecer a derrota. O mandatário republicano denunciou sem provas que os democratas “roubaram” as eleições. Há quatro dias, em um pronunciamento em que Trump defendeu a mesma ideia, os canais ABC, CBS e NBC também interromperam a transmissão da fala presidencial.

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McEnany começou a coletiva afirmando que as eleições não acabaram, apesar de Biden ter superado no sábado a marca de 270 votos do Colégio Eleitoral, que lhe permite ser eleito presidente, e de seu triunfo já ter sido reconhecido pela maioria dos líderes mundiais. O contagem de cédulas legitimamente enviadas pelo correio continua em alguns Estados-chaves. Enquanto a secretária de imprensa afirmava que a Administração quer a apuração de todos os “votos legais”, e não dos “votos ilegais”, o apresentador Neil Cavuto, da Fox News, interrompeu a transmissão. “Uau, uau, uau. Acho que temos que ser muito claros: [a porta-voz] está acusando a outra parte de permitir a fraude e o voto ilegal. A menos que ela tenha mais detalhes para respaldar isso, não posso continuar mostrando isso a vocês”, afirmou Cavuto.

A campanha de Trump trava uma batalha jurídica em uma série de Estados, como Geórgia e Michigan, que até agora não teve resultados favoráveis para eles nos tribunais por falta de sustento. Nesta segunda-feira o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, defendeu que o presidente norte-americano está “100% no seu direito” de impugnar o resultado que deu a vitória a Joe Biden.

Paralelamente, Biden anunciou nesta segunda-feira a criação de uma Junta Assessora de Transição para a Covid-19, composta por especialistas em saúde pública, cuja missão será elaborar um plano para lutar contra a pandemia. Os Estados Unidos superaram durante esse dia os 10 milhões de casos confirmados, e o número de mortos beira os 240.000, liderando o ranking mundial. Apesar da gravidade, Trump, que continua como se nada tivesse ocorrido, demitiu nesta segunda-feira pelo Twitter o seu secretário de Defesa, Mark Esper, e nomeou interinamente para o seu lugar Christopher C. Miller, atual diretor do Centro Nacional contra o Terrorismo.

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