Eleições EUA 2020

Em clima de tensão, Trump e Biden multiplicam atos no último fim de semana da campanha

Candidato democrata chega à reta final com ampla vantagem nas pesquisas, quase oito pontos à frente do atual presidente

Trump realiza ato de campanha no aeroporto de Minnesota.
Trump realiza ato de campanha no aeroporto de Minnesota.CRAIG LASSIG / EFE

Os candidatos à presidência dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden, lançaram um sprint final com vários eventos de campanha para o fim de semana sob um clima de enorme tensão. Empresas em grandes cidades estão fechando as vitrines de suas lojas, enquanto prédios residenciais contratam serviços de segurança privada com medo dos tumultos de 3 de novembro. A rede de hipermercados Walmart chegou a retirar armas e munições de suas prateleiras. Além disso, os americanos estão sendo chamados às urnas, apesar da retomada da pandemia.

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Biden entra na reta final com uma confortável vantagem nas pesquisas de quase oito pontos sobre o presidente Donald Trump, segundo a média das pesquisas nacionais do Real Clear Politics. Mas a memória de 2016 está muito presente nas fileiras do Partido Democrata, e sua agenda, até então discreta por causa dos cuidados exigidos pelo coronavírus, vai dar um giro nos lugares onde caíram há quatro anos. Somente nesta sexta, o candidato visitou Wisconsin, Iowa e Minnesota, cruzando com seu rival em dois Estados, Wisconsin e Minnesota. Trump também esteve no Michigan, onde Biden estará neste sábado. É um sinal eloquente do que suas equipes de dados monitoram o jogo atualmente. Esses estados se inclinam, segundo pesquisas, para o candidato democrata, mas Biden decidiu não excluir nenhum deles para não desestimular seus eleitores. “Não tenho muita certeza de nada, só quero ter certeza de que terei todos os votos possíveis”, disse ele à imprensa.

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A enxurrada de votos antecipados pelo correio permite atrasar a contagem total dos votos e, também, que os primeiros resultados conhecidos no início da manhã possam ser corrigidos dias depois. Essa incerteza, em um país altamente polarizado e com um presidente agitando o espectro da fraude eleitoral, é dinamite. Depois de um verão marcado por uma onda de protestos raciais com graves episódios de vandalismo, as ruas de muitas cidades fecharam novamente as janelas. O Walmart tomou a decisão de retirar as armas de suas prateleiras, pela segunda vez nos últimos meses, depois que uma de suas lojas foi saqueada na Filadélfia (Pensilvânia) em plena mobilização pela morte de um afro-americano nas mãos da polícia. “Vimos distúrbios isolados e, como fizemos em várias ocasiões nos últimos anos, retiramos as armas e munições da loja como precaução para a segurança de nossos funcionários e clientes”, disse um porta-voz ao The Wall Street Journal.

Quase 86 milhões de americanos já deram seu voto, 62% de todos os votos apurados em 2016, mas os candidatos à Casa Branca vão lutar até o fim pelos que estão desaparecidos. Biden acompanha o ex-presidente Barack Obama a dois comícios em Detroit e Flint, em Michigan, neste fim de semana. Os democratas buscam reconquistar o Estado depois que Trump venceu lá por uma pequena margem em 2016 —pouco mais de 10.000 votos. A campanha de Biden descobriu que parte dessa derrota foi devido à candidata Hillary Clinton desistir de buscar o voto afro-americano. Agora, segundo as pesquisas, o democrata tem uma vantagem de quase seis pontos.

Obama se envolve

Este sábado será a primeira vez que Obama e Biden fazem campanha juntos. O ex-presidente tentou manter-se afastado do candidato democrata no início deste ano, mas desde o verão tem assumido um papel mais relevante na campanha. Primeiro, com discursos poderosos e, por duas semanas, já viajou pelos estados chave para pedir votos a Biden e atacar sem qualquer restrição o atual ocupante da Casa Branca. Os reforços também estão no sul do país, onde a candidata democrata à vice-presidência, Kamala Harris, percorrerá três cidades do Texas —Houston, Fort Worth e McAllen— um Estado tradicionalmente republicano mas que, em algumas pesquisas, mostrou sua preferência para o candidato democrata.

No sul, mais de nove milhões de pessoas votaram pelo correio ou pessoalmente, número já superior a todos os votos expressos nas eleições de 2016. No Michigan, Trump tenta preservar os votos em áreas residenciais e atrapalhar os lugares onde Biden tem se mostrado mais aceito. Sua equipe de campanha reconheceu nesta sexta-feira que o presidente não fará festa no dia da eleição no Hotel Trump, no centro de Washington, como havia anunciado inicialmente. “O dia 3 de novembro ficará para a história como a noite em que ganhamos QUATRO ANOS MAIS. Será absolutamente ÉPICO, e a única coisa que poderia torná-lo melhor é ter VOCÊ lá”, lia-se num e-mail com o pedido do presidente que incluía uma foto de Trump e da primeira-dama, Melania Trump, com a frase “Junte-se a nós na noite de eleições”.

Trump explicou à imprensa que cancelou a festa devido às restrições que a Câmara Municipal do Distrito de Colúmbia mantém devido ao avanço do coronavírus. “Washington DC está fechada, é uma loucura”, disse ele a repórteres. Na capital dos Estados Unidos, a lotação permitida em restaurantes é de 50% e o uso de máscara é obrigatório. Trump comentou que provavelmente aguardará os resultados da noite das eleições na Casa Branca, o que também é interpretado como um sinal de que, pelo menos naquela noite, ele pode não espera comemorar nada.

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