Promotoria boliviana pede a prisão do ex-presidente Evo Morales por terrorismo

Líder esquerdista, hoje exilado na Argentina e sob ameaça de prisão em seu país, qualifica a denúncia judicial de "ilegal" e "inconstitucional"

O ex-presidente boliviano Evo Morales fala em uma conferência em Buenos Aires, em fevereiro.
O ex-presidente boliviano Evo Morales fala em uma conferência em Buenos Aires, em fevereiro.Anadolu Agency (Anadolu Agency via Getty Images)

O Ministério Público do departamento de La Paz imputou formalmente o ex-presidente Evo Morales por terrorismo e pediu sua prisão preventiva por suposto envolvimento nos protestos de movimentos leais a ele, ocorridos depois que a Polícia e o Exército retiraram seu apoio ao então presidente, forçando a sua renúncia.

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No Twitter, Morales reagiu à denúncia judicial dizendo que “de maneira ilegal e inconstitucional, a promotoria de La Paz pretende me imputar por terrorismo com um áudio adulterado e sem ser notificado, mais uma prova da sistemática perseguição política do Governo de fato”. Ele acrescentou que “em breve a democracia e o Estado de Direito voltarão à Bolívia”.

O procurador departamental de La Paz, Marco Antonio Cossío, informou à agência de notícias boliviana ABI que “foi emitida a resolução de imputação formal contra o senhor Juan Evo Morales Ayma pelos delitos de terrorismo e financiamento do terrorismo (...). Solicitamos a detenção preventiva desta pessoa no correspondente centro penitenciário”. O processo se baseia em um áudio, divulgado em novembro de 2019 pelo ministro do Governo (Interior), Arturo Murillo, em que se ouve o dirigente cocaleiro Faustino Yucra conversando com Morales, que nesse momento já havia deixado a presidência e fugido para o México.

Morales, que atualmente se encontra na Argentina como refugiado, disse a Yucra para “cercar as cidades” e deixá-las sem alimentos, como parte dos protestos de organizações afins a Morales após sua saída do poder, pressionado por suspeitas de fraude nas eleições de outubro de 2019.

“Irmão, que não entre comida nas cidades. Vamos bloquear, cerco de verdade (...). Agora me expulsam da Bolívia e tem bloqueio até vencer, irmão”, diz Morales na conversa, segundo a promotoria. A investigação do Ministério Público concluiu que Morales e Yucra mantiveram comunicação telefônica em 14 de novembro de 2019, quando Morales estava na Cidade do México, e Yucra em El Torno, no departamento de Santa Cruz (leste). A triangulação de chamadas revela que Morales e Yucra teriam se comunicado em pelo menos duas outras ocasiões, entre 12 e 17 de novembro de 2019.

Além disso, uma perícia informática permitiu localizar no celular de Alejandro Y.S., filho de Faustino Yucra, o vídeo que circulou nas redes sociais. “As amostras têm uma alta probabilidade de identificação da voz do senhor Evo Morales Ayma”, salienta o Ministério Público. Yucra, foi detido em 8 de abril, acusado de terrorismo, rebelião e financiamento do terrorismo. Está preso na penitenciária de Palmasola, em Santa Cruz.

Neste contexto, o Governo da Bolívia comemorou a imputação e pediu 30 anos de prisão para o ex-presidente. “Celebramos que o terrorista Evo Morales seja imputado por terrorismo, há esperança de que se fará justiça, tomara que ele tenha a valentia de voltar e purgar 30 anos de prisão, que é o mínimo que merece, terrorista confesso”, afirmou Murillo na sua conta do Twitter.

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