Argentina assume “default suave” e prorroga negociações com credores até 2 de junho

Governo deixará de pagar uma parcela de 503 milhões de dólares nesta sexta-feira

Federico Rivas Molina
Buenos Aires -
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, cumprimenta uma profissional da saúde nesta quinta-feira, 21 de maio, em Santiago del Estero.
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, cumprimenta uma profissional da saúde nesta quinta-feira, 21 de maio, em Santiago del Estero.ESTEBAN COLLAZO (AFP)
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A América Latina diante do Grande Apagão

O Governo da Argentina anunciou na noite desta quinta-feira que prorrogará até 2 de junho sua oferta de troca de bônus da dívida, o que na prática significa que deixará de pagar uma parcela de 503 milhões de dólares (2,79 bilhões de reais), colocando a dívida externa do país sul-americano em default ― em português, um calote técnico. Isso porque será um default suave. Os credores não parecem interessados em ir aos tribunais enquanto houver a possibilidade de um acordo.

Até o momento, a proposta do ministro da Economia, Martín Guzmán ― baseada em um prazo de três anos sem fazer pagamentos, numa redução de 3,6 bilhões de dólares do valor principal (sobre um total de 66,24 bilhões) e uma forte redução dos juros (de 7% para 2,3% em média) ― não convenceu os donos dos bônus argentinos. O primeiro prazo de adesão à proposta terminou em 8 de maio com um apoio estimado inferior a 20%. O presidente Alberto Fernández então prorrogou as negociações até 22 de maio, quando se completa o mês de tolerância de três bônus que a Argentina deixou de pagar em abril. Fontes do Ministério da Economia confirmaram que não haverá pagamento algum nesta sexta-feira, porque os títulos vencidos fazem parte da troca de papéis oferecida aos credores.

Não haverá pagamento, mas tampouco consequências imediatas, porque a negociação continua. Desde 8 de maio, Governo e credores aproximaram suas posições. Os portadores dos títulos da dívida apresentaram três propostas de troca que agora estão sendo analisadas pelo Governo. O ministro Guzmán já tinha antecipado que o 22 de maio seria uma data apenas simbólica, porque estavam “trabalhando duro” com os credores. As partes devem encontrar um ponto intermediário entre os 40 centavos de dólar que a Casa Rosada propõe e os 60 que os credores mais duros exigem.

Em um extenso comunicado, o Governo argentino afirmou que “continua recebendo opiniões e sugestões de investidores a respeito de diferentes caminhos para melhorar o valor de recuperação”. “A República [Argentina] se encontra analisando estas sugestões para maximizar o apoio dos investidores, preservando ao mesmo tempo seus objetivos de sustentabilidade da dívida (…). A Argentina e seus assessores pretendem aproveitar esta prorrogação para continuar com as discussões e permitir aos investidores que sigam contribuindo com uma reestruturação bem-sucedida da dívida”, afirma o texto divulgado pelo Ministério da Economia.

A negociação recebeu uma vez mais o respaldo do Fundo Monetário Internacional, o principal credor da Argentina. No fim de março, o FMI publicou um relatório técnico em que calculou um alívio de 55 a 85 bilhões de dólares para que a dívida argentina seja sustentável no longo prazo. Horas antes desta nova prorrogação, o porta-voz do organismo, Gerry Rice, reiterou que o Fundo apoia as negociações de Buenos Aires com os donos dos papéis. “Não queria especular aqui sobre o resultado dessas negociações, o que quero dizer é que estamos animados com a vontade de ambas as partes de continuar negociando”, disse. A Argentina tem agora 10 dias pela frente para alcançar um acordo.

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