Colômbia fecha fronteira com a Venezuela para conter o coronavírus

O presidente colombiano, Iván Duque, também restringirá o acesso de estrangeiros ao país

Grupo de pessoas na ponte Simón Bolívar em Cúcuta (Colômbia), que conecta o país com a Venezuela.
Grupo de pessoas na ponte Simón Bolívar em Cúcuta (Colômbia), que conecta o país com a Venezuela.SCHNEYDER MENDOZA (AFP)

A Colômbia fechou na madrugada deste sábado todas as passagens fronteiriças com a Venezuela, como parte das novas ações para conter a propagação do coronavírus em seu território. Isto é feito “como medida de precaução ante a situação que vem ocorrendo também no país vizinho”, anunciou na noite desta sexta-feira o presidente colombiano, Iván Duque, em declaração feita após manter reuniões com sua equipe de Governo.

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O mandatário também decidiu restringir, a partir de 16 de março, a entrada de cidadãos de outros países que não sejam residentes na Colômbia e tenham estado na Europa ou na Ásia durante as últimas duas semanas. Os passageiros colombianos e residentes deverão se submeter ao isolamento preventivo obrigatório por 14 dias, determinado na quarta-feira pelas autoridades sanitárias para todos os viajantes procedentes de Espanha, França, Itália e China.

A Colômbia, com 16 casos confirmados desde que o primeiro exame deu positivo, há uma semana, declarou emergência sanitária ante a crise do coronavírus, como parte da etapa de contenção da pandemia. O Executivo adotou medidas como cancelar eventos de mais de 500 pessoas, suspender o desembarque de cruzeiros e fomentar o teletrabalho. O Governo de Nicolás Maduro, por sua vez, confirmou até a sexta-feira seus dois primeiros contágios pelo Covid-19.

Há duas semanas, a Colômbia reforçou os controles migratórios como parte de seus preparativos para tentar frear a propagação do vírus. A porosa fronteira de mais de 2.200 quilômetros com a Venezuela, um país que sofreu um colapso de seu sistema de saúde, foi desde o início uma das maiores preocupações das autoridades da Colômbia, de longe o principal destino do êxodo maciço de venezuelanos, com mais de 1,7 milhão de migrantes em seu território.

A potencial propagação do Covid-19 através do fluxo migratório alarmou as autoridades, que já haviam anunciado novos controles no departamento fronteiriço de Norte de Santander, de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde. As medidas incluíam a instalação de pontos para higiene da mãos, uma Sala de Análise de Risco e o monitoramento aleatório de migrantes, assim como a mobilização de 10 epidemiologistas ao longo da fronteira.

Os sete pontos terrestres que servem formalmente como passagens migratórias são os que foram fechados a partir das 5h da manhã deste sábado. “Tomaremos todas as medidas, com apoio da Força Pública, das autoridades sanitárias e de transporte, para garantir que a decisão seja cumprida”, disse o gerente para a fronteira da Presidência, Felipe Muñoz.

Embora a Migração Colômbia (agência encarregada do controle migratório) também tenha anunciado atividades de verificação permanente, há uma infinidade de passagens ilegais, conhecidas como trochas, ao longo de uma extensa linha limítrofe por onde historicamente entram contrabandos de todo tipo. Diversos grupos armados, tanto guerrilheiros como paramilitares, operam em diferentes lugares da fronteira. De fato, Duque tem denunciado de forma insistente, nos fóruns internacionais, que Maduro transformou a Venezuela num santuário para os grupos terroristas, especialmente o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as dissidências das extintas FARC que se afastaram do acordo de paz.

Bogotá e Caracas não têm relações desde fevereiro de 2019. Duque promove o chamado “cerco diplomático” contra o regime chavista e não reconhece o Governo de Maduro, ao qual frequentemente se refere como “ditador”. O presidente colombiano é também um dos principais apoiadores do líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por 60 países. E esse apoio irrestrito elevou a tensão entre os dois vizinhos.

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