Covid-19

Epicentro do coronavírus tem 242 mortes e 15.000 infectados em um dia após mudança no diagnóstico

Salto em números de Hubei, província chinesa foco da epidemia, ocorre depois que autoridades passaram a considerar exame clínico, e não só teste de laboratório, como forma de detectar doença

Agente desinfeta sala em centro médico em Qingshan, distrito de Wuhan (China), em 10 de fevereiro.
Agente desinfeta sala em centro médico em Qingshan, distrito de Wuhan (China), em 10 de fevereiro.CHINA DAILY / Reuters

Após uma mudança de critério no diagnóstico do coronavírus (Covid-19), a província de Hubei, foco da epidemia, registrou o maior salto no número de afetados e mortos em um só dia desde o começo da crise, há dois meses. Nesta quinta-feira, as autoridades provinciais notificaram 14.840 novos casos de infecção, quase 10 vezes mais do que na véspera, e 242 mortes, mais que o dobro da quarta-feira. A soma total de mortos no continente ao longo do dia chegou a 254, segundo a agência Reuters.

Até a mudança na metodologia, só eram contados como contagiados os indivíduos que dessem positivo em um exame de ácido nucleico. Mas esse teste é demorado e faltam equipamentos e laboratórios para realizá-lo em todos os casos suspeitos, por isso agora é permitido que os médicos incluam também pacientes que apresentarem sinais de pneumonia em exames por tomografia.

O número de infectados na China já supera os 60.000, dos quais 1.363 morreram e outros 8.204 se encontram em estado grave. Os casos suspeitos são 16.067, e 5.910 pacientes já se recuperaram após desenvolver doenças associadas ao coronavírus.

Hubei reúne a grande maioria dos casos, com 48.206 infectados e 1.310 mortos. Wuhan, sua capital e lugar onde a epidemia surgiu, registrou a maioria das novas infecções notificadas nesta quinta-feira, 13.436.

A crise com a epidemia desatou importantes intervenções de Pequim entre os dirigentes locais de Hubei. Em um texto breve, a agência estatal de notícias Xinhua noticiou a substituição do principal líder de Hubei, o secretário-geral do Partido Comunista na província, Jiang Chaoliang, pelo até agora prefeito de Xangai, Ying Yong.

Também foi substituído Ma Guoqiang, secretário-geral do Partido em Wuhan. No seu lugar assumirá Wang Zhonglin, que até agora dirigia o Partido na cidade de Jinan, na província costeira de Shandong.

Os dois novos dirigentes à frente do Hubei e Wuhan são homens da completa confiança do presidente Xi Jinping. Também compartilham um amplo currículo em cargos relacionados à segurança interna, num indício da preocupação de Pequim com o possível impacto da epidemia sobre a estabilidade social na província e na China como um todo. Wang Zhonglin integrou durante duas décadas o Ministério de Segurança Pública, a polícia chinesa; Ying Yong foi um colaborador muito próximo de Xi durante os tempos do presidente como governador da província de Zhejiang.

O afastamento desses altos funcionários de Hubei já era tido como certo, pois Pequim havia deixado claro por diferentes vias o seu descontentamento com a evolução da crise na província. Na segunda-feira, o próprio Xi pediu medidas mais firmes a Wuhan, durante uma visita a um hospital e um centro comunitário para atender os infectados em Pequim.

Xi comandou nesta quarta-feira uma reunião do Comitê Permanente do Politburo do PC chinês, o máximo órgão de direção no país, para discutir a crise, e foi lá que supostamente se selaram as substituições. Foi a terceira reunião do Comitê Permanente em três semanas, algo extraordinário, pois em circunstâncias normais esse órgão só se reúne uma vez por ano, aproximadamente.

No sábado já havia sido anunciada a nomeação de Chen Yixi, outro colaborador de Xi Jinping, como parte do comitê de coordenação da luta contra a epidemia em Hubei. Nesta semana também foram divulgados os afastamentos dos responsáveis pela área de Saúde em Wuhan e na província.

Os hospitais de Hubei estão superlotados e carecem de suficientes máscaras e demais materiais de proteção, tanques de oxigênio e máquinas de ventilação, entre outros suprimentos, e continuam pedindo doações.

O Covid-19, termo que abrange as doenças provocadas pelo coronavírus 2019-nCoV, apresenta sintomas como febre alta, tosse seca, dor de cabeça e dificuldade para respirar. Seu período de incubação médio é de três a sete dias, com um máximo de 14, embora alguns cientistas chineses relatem que esse prazo poderia chegar a 24 dias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência sanitária internacional devido à epidemia.

Estrangeiros em quarentena

As autoridades vietnamitas puseram de quarentena nesta quinta-feira uma localidade de 10.000 habitantes a 40 quilômetros de Hanói, onde se concentram 7 dos 16 casos do coronavírus detectados no país. O isolamento da comarca de Son Loi, uma zona com várias aldeias de camponeses na província de Vin Phuc, é o primeiro desse tipo fora da China e terá duração de 20 dias, segundo o site do Ministério da Saúde. Sete dos contagiados em todo o país já tiveram alta —o último deles é um cidadão chinês de 66 anos, diabético, com problemas cardiovasculares e operado há dois anos de câncer no pulmão.

Já os espanhóis repatriados da cidade chinesa de Wuhan receberam alta nesta quinta-feira, após passarem duas semanas de quarentena no Hospital Gómez Ulla, em Madri, onde o diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências, Fernando Simón, dará detalhes da situação na Espanha. São 21 pessoas, entre as quais está o enviado do EL PAÍS a Wuhan, Jaime Santirso, que relatou em reportagens o cotidiano no epicentro do surto.





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