Direita apartidária boliviana forma aliança eleitoral sob o lema “Deus, pátria, povo”

Dirigentes Luis Fernando Camacho e Marco Pumari se unem para tentar derrotar o MAS de Evo Morales no pleito de maio

Un grupo de personas favorables al nuevo Gobierno de Bolivia, este lunes en La Paz.
Un grupo de personas favorables al nuevo Gobierno de Bolivia, este lunes en La Paz. EFE

Sob o lema “Deus, pátria, povo”, Luis Fernando Camacho e Marco Pumari, os principais dirigentes do “movimento cívico” que se atribui a responsabilidade pela queda do presidente Evo Morales, decidiram apresentar uma candidatura conjunta para as eleições de maio na Bolívia. Camacho disputará a presidência, e Pumari será seu vice. Como não têm partido, deixaram aberta a possibilidade de se postularem “mediante qualquer tipo de aliança, movimento cidadão ou partido político, sob consenso mútuo”. Vários agrupamentos políticos menores já se ofereceram para dar forma legal à candidatura dos “vencedores de Evo”.

Camacho e Pumari propuseram uma frente única contra o que chamam de “narcogoverno” anterior e por um novo Estado “sem racismos, sem rancores, sem ódios históricos nem fantasmas inexistentes, criados no imaginário dos ideólogos do MAS [Movimento ao Socialismo]”, tais como “ a divisão entre leste e oeste, campo e cidade ou esquerda e direita”.

Ao mesmo tempo, vetaram a participação na sua frente de “políticos tradicionais que traíram a boa fé dos cidadãos, expressa no voto, ou que entraram em conluio com o narcogoverno”. Referiam-se a políticos que lideraram a oposição durante os 14 anos de Governo de Morales, como Carlos Mesa e Samuel Doria Medina, que preparam suas próprias candidaturas para as próximas eleições. Mesa e Doria Medina propõem superar a polarização social e reconciliar os distintos grupos com candidaturas de centro e mais moderadas em sua crítica ao passado imediato do país.

Camacho e Pumari pontuavam bem, separadamente, nas pesquisas de intenção de voto das últimas semanas, superando outros opositores de Morales, mas sem conseguirem se posicionar à frente do MAS, que definirá seus candidatos em 19 de janeiro. Nos cenários desses levantamentos, eles apareciam como candidaturas avulsas porque uma primeira aproximação política entre eles tinha terminado em um estrondoso fracasso. No começo de dezembro, Camacho afirmou que não montaria uma chapa com Pumari e depois divulgou o áudio de uma conversa com este em que o criticava por ter lhe pedido, em troca de seu apoio, 250.000 dólares (um milhão de reais) e o controle da Alfândega de Potosí, região de onde Pumari é oriundo. Este não negou ter mantido o diálogo, mas argumentou que pedia o dinheiro para financiar sua campanha eleitoral, e que a nomeação de um representante da oposição na direção da Alfândega regional era uma “reivindicação do povo de Potosí”. Acusou Camacho de ter feito a gravação de forma oculta, o que ele negou.

Essa fratura causou preocupação a certas elites econômicas e sociais, que acreditam que apenas Camacho e Pumari juntos podem impedir o MAS de voltar a pôr a cabeça para fora. No documento de lançamento de sua campanha, os dois políticos pediram desculpas “por todos os erros que cometemos e expressamos nosso empenho e compromisso para não repeti-los”.

Outros atores da mobilização contra Evo Morales, como Waldo Albarracín, reitor da universidade pública de La Paz, criticaram os líderes dos comitês cívicos por “tirar proveito desses cargos, que deveriam ser sagrados, para dar um salto para as candidaturas eleitorais” e por quererem “se apossar de uma vitória que pertence a todo o povo boliviano”.

Luis Fernando Camacho, 40 anos, chamado “Macho Camacho” por seus seguidores, vem da elite empresarial de Santa Cruz, a região mais próspera e com menos indígenas do país, que desafiou permanentemente o comando da capital política, La Paz. Ele é um católico fervoroso, oponente radical de Morales e, como muitos de Santa Cruz, um defensor da introdução do federalismo no país (tema que não tem mencionado nos últimos tempos). Ele colocou vários parentes e funcionários de suas empresas no Governo de Jeanine Añez.

Marco Pumari tem 38 anos e lidera a classe média da cidade de Potosí, que não se considera indígena; Potosí é muito mais pobre que Santa Cruz, mas também é propensa ao federalismo porque se sente historicamente abandonada pelos Governos de La Paz. Pumari e seus “cívicos potosinos” também têm representantes no Governo provisório

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