#VermelhoEmBelém: por que é viral pintar os lábios de vermelho contra o machismo ultradireitista

Milhares de pessoas aderem à hashtag que reivindica o uso do batom, após o candidato da ultradireita português criticar a oponente do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, por pintar os lábios “como boneca”

Irene Montero e sua selfie de apoio à hashtag #VermelhoEmBelém.
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“Você se maquia como uma boneca’, ‘Fala como uma menina’, ‘É uma histérica’, ‘Está aí [nesse cargo] porque foi para a cama com seu namorado.’ Vá em frente, Marisa Matias. Viva a luta das mulheres #VermelhoEmBelém.” Com esse texto, a ministra espanhola da Igualdade, Irene Montero, juntou-se nas redes sociais ao movimento viral que defende que homens e mulheres pintem os lábios de vermelho com a hashtag #VermelhoEmBelém (um jogo de palavras que faz referência à residência do presidente de Portugal, o Palácio de Belém) e mostrou seu apoio à candidata Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda.

Falta pouco mais de uma semana para as eleições presidenciais em Portugal, e o movimento antifascista se mobilizou para apoiar a candidata de esquerda depois que o candidato do partido de extrema direita Chega!, André Ventura, aliado de Matteo Salvini e Marie Le Pen, atacou, num ato de campanha, sua adversária Marisa Matias por pintar os lábios, comparando-a a uma boneca.

A hashtag #VermelhoEmBelém, que no Instagram já tem quase 15.000 publicações de apoio à candidata de esquerda, com selfies de homens e mulheres de lábios pintados, incentiva as pessoas a fazerem uma foto de batom vermelho, usando-o como símbolo contra as condutas machistas da ultradireita. A campanha viralizou quando personalidades da cultura de Portugal, como a atriz Inês Herédia, apoiaram a candidata de esquerda contra os ataques machistas de seu oponente político.

A jornalista espanhola Pilar del Río, radicada em Lisboa, estendeu a reivindicação portuguesa à Espanha, com um tuíte apoiando a iniciativa, pintando os lábios “em sinal de liberdade” e “contra a extrema direita”, o que provocou um efeito-dominó na Espanha com o apoio (e selfies) de políticas e feministas como Montero e a delegada do Governo contra a Violência de Gênero, Maria Victoria Rosell, além do deputado Gerardo Pisarello, integrante da coalizão En Comú Podem e membro da Mesa do Congresso.

Por sua vez, a vítima das desqualificações, Marisa Matias, declarou à TV portuguesa durante a jornada de sexta-feira que “o insulto que André Ventura fez às mulheres não diz nada sobre as mulheres, mas diz tudo sobre esse homem”, mostrando-se feliz com a onda de solidariedade.

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