COPA AMÉRICA

Brasil vira no último minuto sobre a Colômbia e garante liderança do grupo na Copa América

Com um gol de Casemiro nos acréscimos, a seleção chegou a três vitórias em três jogos pelo torneio sul-americano e só cumpre tabela na última rodada

Robert Firmino comemora gol de empate da seleção brasileira.
Robert Firmino comemora gol de empate da seleção brasileira.Andre Coelho / EFE

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No sufoco, o Brasil chegou à terceira vitória em três jogos na Copa América 2021. A seleção saiu perdendo para a Colômbia, com um golaço de Luis Díaz, mas empatou na etapa final com Roberto Firmino e alcançou a virada com um gol de Casemiro no último minuto do jogo ocorrido no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, pela quarta rodada do grupo B. O resultado garante a liderança do grupo para a equipe de Tite com um jogo de antecedência e faz o Brasil chegar à décima vitória seguida, uma sequência que já dura desde novembro de 2019. Agora, apenas para cumprir tabela, a seleção enfrenta o Equador, no próximo domingo, 26 de junho, em Goiânia, pela última rodada da primeira fase.

Tite mandou uma equipe titular sem novidades para o que era considerada a partida mais difícil para a seleção brasileira na primeira fase. O goleiro Weverton, do Palmeiras, foi a maior surpresa entre os 11 escalados. De resto, Marquinhos voltou à zaga titular ao lado de Danilo, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro formou a dupla de volantes com Fred; e Everton Ribeiro, Gabriel Jesus, Richarlison e Neymar formaram o quarteto ofensivo.

Logo aos nove minutos de jogo, a seleção colombiana acabou com a invencibilidade da defesa brasileira, que não tomava gol há mais de seis meses. Cuadrado levou vantagem sobre Alex Sandro pela direita e cruzou na segunda trave para Luis Díaz, de bicicleta, abrir o placar. Foi a única vez que os colombianos ameaçaram o gol de Weverton, que fez sua estreia na Copa, mas foi o suficiente até o intervalo. O quarteto de ataque do Brasil tentou trocar tabelas e se movimentou, mas não levou perigo às traves defendidas por Ospina e perdeu quase todos os duelos físicos com a forte defesa da Colômbia.

O resultado obrigou Tite a mexer logo no intervalo, colocando Roberto Firmino no lugar de Everton Ribeiro. O substituto teve impacto imediato ao criar as duas melhores chances brasileiras: um chute errado de Danilo da entrada da área e um gol perdido de Neymar, que driblou o goleiro e acertou a trave. Tite ainda colocou Renan Lodi, Lucas Paquetá, Gabigol e Everton nos lugares de Alex Sandro, Fred, Gabriel Jesus e Richarlison antes do empate, enfim, sair. Aos 32 minutos, Lodi cruzou da esquerda e Firmino desviou de cabeça, superando o goleiro Ospina e empatando a partida. Um resultado merecido para a seleção que passou a etapa final toda pressionando os colombianos, mas que saiu com reclamações do adversário já que, no início do lance do gol, a bola desviou no árbitro Nestor Pitana —o que, em tese, o obriga a paralisar a partida, algo que não foi feito. Com os ânimos exaltados e muita reclamação da Colômbia, Pitana decidiu dar 10 minutos de acréscimo. E foi no nono minuto extra, aos 54 do segundo tempo, que Neymar cobrou um escanteio para Casemiro, livre na pequena área, cabecear sem chances de defesa: 2 a 1. A suada vitória resultou em muita comemoração dos brasileiros que, com a liderança do grupo garantido, têm a vantagem de enfrentar o pior classificado da outra chave nas quartas de final.

Em sua entrevista coletiva, o treinador da seleção colombiana, Reinaldo Rueda, justificou o gol sofrido no fim com uma distração dos seus jogadores após a polêmica com Pitana. Tite, por outro lado, não comentou o assunto. O treinador brasileiro, em sua coletiva, voltou a criticar o gramado do Nilton Santos, dizendo que “é inadmissível atletas de duas equipes de alto nível, que jogam na Europa com tamanha qualidade de gramado e espetáculo melhor, maior, virem jogar num campo nessas condições”. Ele escondeu se irá colocar uma equipe alternativa na última rodada, com a vaga já garantida, e afirmou que um resultado como este ajuda o Brasil a criar uma “casca” em termos de mentalidade. “Corremos um sério risco de ficarmos nervosos”, pontuou.

Fora dos gramados, o assunto segue sendo a exposição dos envolvidos na competição à pandemia de covid-19. Nesta quarta, o 10º dia de competição, o Ministério da Saúde atualizou para 166 o número de positivos para o novo coronavírus relacionados a Copa América, sendo 48 deles jogadores ou membros de comissão técnica da seleções, 115 prestadores de serviços contratados para o evento e três funcionários da Conmebol. Não foram especificados os casos por nacionalidade, mas a Colômbia havia divulgado, na semana passada, que dois membros de sua comissão testaram positivo para o vírus no Brasil, quando o número total de casos no torneio era de 19. Também reportaram publicamente infectados nas delegações de Venezuela, Peru, Chile e Bolívia.

Apesar de mais uma vitória da seleção, a Copa América segue no clima anticlímax de uma competição planejada de última hora, em meio a uma crise sanitária e disputando holofotes com outros campeonatos de clubes. A única aglomeração vista antes da partida, no entorno do Nilton Santos, era de um grupo de pessoas que praticava exercícios funcionais em frente à entrada do estádio. “Até sabia que estava tendo a Copa América aí, mas não sabia que o Brasil jogava hoje. É contra quem?”, indagou Luciana dos Santos, moradora do bairro que passeava com seu filho. “Depois do 7 a 1, a seleção perdeu a graça. Prefiro ver o meu Vasco na série B”, afirmou Fábio José, motorista de aplicativo que descansava do exercício no local. Ao mesmo tempo em que o torneio de seleções era ignorado na zona norte do Rio de Janeiro, o principal estádio de futebol da cidade vivia uma realidade diferente a oito quilômetros de distância dali. Na sua entrada, o Maracanã, que também fica na zona norte da capital, recebeu ao menos uma centena de torcedores do Flamengo para ver a chegada o ônibus do time rubro-negro, que venceu o Fortaleza pela sexta rodada do Brasileirão.


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