Copa América

“A vida do jogador não vale nada?”, questiona capitão da Bolívia em crítica à Copa América

O artilheiro Marcelo Moreno arremete contra a Conmebol depois da detecção de meia centena de contágios de covid-19. A organização abriu uma ação disciplinar para puni-lo

O jogador Marcelo Moreno, da Bolívia, depois de marcar um gol contra o Chile nas eliminatórias da Copa do Mundo.
O jogador Marcelo Moreno, da Bolívia, depois de marcar um gol contra o Chile nas eliminatórias da Copa do Mundo.Alberto Valdés POOL / EFE

Mais informações

A mensagem ficou por algumas horas no Instagram e depois desapareceu. “Obrigado a vocês da Conmebol por isso. A culpa é totalmente de vocês!!! Se morre uma pessoa, o que vocês vão fazer? O que importa é somente o DINHEIRO. A vida do jogador não vale nada? (sic)”, escreveu Marcelo Martins Moreno (Santa Cruz de la Sierra, 33 anos) contra a organização da Copa América.

Moreno, capitão da seleção boliviana, arremeteu contra a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) na terça-feira depois da detecção de 52 contágios de coronavírus entre as delegações de Bolívia, Colômbia, Peru e Venezuela. O maior artilheiro de todos os tempos de sua seleção, que deu positivo no fim de semana e não jogou na estreia da Verde na derrota por 1 x 3 para o Paraguai, acompanhou a mensagem com a fotografia de um companheiro de equipe sendo submetido a um teste de PCR. Depois de um segundo teste e outro resultado positivo, o maior jogador da seleção andina perderá o segundo jogo da fase de grupos, nesta sexta-feira, contra o Chile. Depois da mensagem de Moreno, a Comissão Disciplinar da Conmebol abriu uma ação contra o atacante por ter infringido o código de conduta e afetado a “lealdade, integridade e esportividade” da competição.

O Ministério da Saúde do Brasil informou na terça-feira que a detecção de alguns contágios isolados subiu para pelo menos 52 positivos entre jogadores, pessoal técnico e trabalhadores da organização do torneio. Dos casos, 33 correspondem a jogadores e membros das seleções e os outros 19 a funcionários do torneio. A mais afetada até o momento foi a delegação venezuelana, que teve 13 casos, enquanto a Bolívia confirmou o contágio de três jogadores e uma pessoa da comissão técnica. A Conmebol, até agora, não se manifestou a esse respeito.

A Federação Boliviana de Futebol não revelou os nomes dos jogadores infectados, mas o pai de Moreno, habitual na imprensa esportiva local, confirmou que o atacante boliviano-brasileiro era um deles. “Estava ansioso e feliz por jogar a Copa América e no final isto caiu como um balde de água fria, mas Deus sabe por que faz as coisas; talvez seja uma baixa agora, mas a Bolívia pode se classificar para a Copa do Mundo, que é o mais importante”, disse Mauro Martins ao diário El Deber.

Moreno é uma ave rara na seleção boliviana. Quarto dos sete filhos de um jogador de futebol brasileiro que desembarcou na Bolívia nos anos setenta, o atacante estreou aos 16 anos no futebol local e migrou para o país do pai antes de completar a maioridade. Com dupla nacionalidade, disputou 15 partidas e marcou 11 gols nas divisões inferiores da seleção brasileira. Foi o primeiro estrangeiro em mais de 63 anos a conquistar um lugar em uma seleção brasileira. Moreno foi bicampeão baiano com o Vitória, clube que então disputava a terceira divisão brasileira, e assinou como promessa com o Cruzeiro no final do verão de 2007. Um ano depois se tornou o boliviano “mais caro da história” ao ser contratado pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, por 14 milhões de dólares. Enquanto a seleção principal do Brasil brilhava com Ronaldinho e Adriano no comando, Moreno aceitou que não seria mais convocado para jogar com a camisa canarinho e optou pela oferta da seleção do país de sua mãe.

Em 17 de novembro de 2020, Moreno, que completa 34 anos nesta sexta-feira, tornou-se o maior artilheiro da seleção boliviana. Enquanto sua equipe acumula decepções e passou os últimos 30 anos sonhando em voltar a uma Copa do Mundo desde o fundo da tabela de classificação das eliminatórias, Moreno está no nível de Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar entre os artilheiros. O Flecheiro, como é chamado em seus dois países, já marcou seis gols nas eliminatórias para a Copa do Mundo do Qatar 2022 e é o artilheiro da competição.

Apoie a produção de notícias como esta. Assine o EL PAÍS por 30 dias por 1 US$

Clique aqui

Inscreva-se aqui para receber a newsletter diária do EL PAÍS Brasil: reportagens, análises, entrevistas exclusivas e as principais informações do dia no seu e-mail, de segunda a sexta. Inscreva-se também para receber nossa newsletter semanal aos sábados, com os destaques da cobertura na semana.

Arquivado Em:

Mais informações

Pode te interessar

O mais visto em ...

Top 50