Champions League
Opinião
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Mais jogador que popstar, Neymar vira unanimidade para geração carente de um ídolo nacional

Instigado pela missão de conduzir PSG ao título da Champions League, craque brasileiro cai nas graças de torcedores ao fazer do futebol sua principal resposta às críticas

Pela Champions League, PSG, de Neymar, encara o RB Leipzig na semifinal.
Pela Champions League, PSG, de Neymar, encara o RB Leipzig na semifinal.
São Paulo -

Quando protagonizou a transferência mais cara do futebol mundial ao trocar o Barcelona pelo PSG há três anos, Neymar vislumbrou, além do retorno financeiro, um atalho para alcançar o objetivo de se tornar a liderança técnica de um grande clube europeu e, consequentemente, o melhor jogador do mundo. Mas vieram as lesões, os problemas de relacionamento com companheiros e o despontar meteórico de Mbappé, que, somados aos fracassos do time bilionário na Champions League, acabaram frustrando os planos do craque brasileiro, até então imune a regressões na carreira.

Pela primeira vez à disposição no mata-mata da Liga dos Campeões pela equipe parisiense e em sua melhor forma física, o atacante agora consegue enxergar como realidade o troféu que motivou sua contratação, depois de ser decisivo nos embates contra Borussia Dortmund e Atalanta. Voltou a jogar bem contra o RB Leipzig nesta terça-feira, levando o Paris Saint-Germain a uma final inédita, a uma vitória de conquistar o mais badalado torneio de clubes do planeta. Seria o desfecho triunfal de uma reviravolta que parecia improvável, sobretudo após forçar a volta ao Barcelona e a acusação de estupro —arquivada pelas autoridades por falta de provas— no ano passado.

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This handout photograph taken and released by the UEFA on March 11, 2020, shows  Paris Saint-Germain's Brazilian forward Neymar  reacting  during the UEFA Champions League round-of-16 second leg football match between Paris Saint-Germain (PSG) and Borussia Dortmund at the Parc des Princes stadium in Paris. - The match is held behind closed doors due to the spread of COVID-19, the new coronavirus. (Photo by - / GETTY/UEFA / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO / GETTY / UEFA" - NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS
Neymar, da chegada triunfal em Paris à permanência indesejada no PSG

Obstinado a cumprir a missão em Paris, Neymar deu um giro na condução de sua imagem pública nos últimos meses, fazendo com que a figura do jogador finalmente se sobreponha à de popstar. Mostras de companheirismo, esforço para interagir com colegas e torcedores do clube, discrição em festas e eventos sociais, bom humor e leveza nas entrevistas, “o pai tá online”… A versão adulta do “menino Ney”, embora em fase de amadurecimento, se materializou em campo. Na França, conquistou todos os títulos possíveis da temporada. Na Champions, chamou a responsabilidade e foi a estrela da companhia nos minutos em que Mbappé esteve fora de combate.

Apesar dos desgastes que se acumulam desde a eliminação com a seleção na Copa de 2018, a idolatria do maior jogador brasileiro em atividade não se abalou entre a geração que o viu surgir para o futebol. Pelas redes sociais, vários perfis mudaram a foto do avatar em homenagem a Neymar, que atendeu os apelos e resgatou o corte moicano para o duelo diante da Atalanta. Uma onda que remeteu aos tempos da Neymarmania, cerca de uma década atrás, época em que ele despontava como grande promessa do Santos. A mobilização que o abraça na reta final da Liga dos Campeões representa a geração de torcedores carente de um ídolo nacional.

Aos 28 anos, Neymar ainda não tem uma Copa, tampouco chegou perto de desbancar Messi e Cristiano Ronaldo do reinado de melhor jogador do mundo. Mas já construiu uma carreira respeitável na Europa, com títulos da Champions, Mundial de Clubes e campeonatos francês e espanhol. É o atleta brasileiro com o maior número de gols e assistências na competição europeia, a despeito de lendas como Rivaldo, Romário, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo. Se no tempo deles, a safra dourada entre os anos 90 e 2000, havia craques de sobra na seleção e ao menos uma dezena de brasileiros protagonistas em seus times europeus, o cenário atual é de dependência de Neymar, em quem a torcida que não acompanhou de perto a era dos “R’s” segue depositando todas as fichas para que o Brasil volte a levar uma Bola de Ouro depois de 13 anos de jejum.

Caso tivessem estourado no mesmo período de Neymar, alvo de escrutínio incessante e condenações sumárias dos justiceiros de internet, Ronaldo e Romário provavelmente seriam cancelados bem antes de ganhar uma Copa do Mundo. A velocidade de informação deixou as análises de futebol cada vez mais imediatistas. O craque de hoje se torna o vilão de amanhã. Os que tacharam Neymar de mimado na Copa passada são praticamente os mesmos que o idolatram e torcem por ele como se fosse um time à parte na Liga dos Campeões.

Nesse círculo revolto, os vereditos sobre o atacante do PSG tendem aos extremos. Há os que amam e os que odeiam. Os que passam pano para as atitudes reprováveis e os que criticam até mesmo os acertos. Os que são Neymar FC acima de tudo e os que se recusam a reconhecer seus méritos como atleta pela falta de posicionamentos fora do campo. A mudança de postura pode ser temporária, um sprint final para converter o tão esperado título da Champions em senha para uma saída honrosa do clube francês. Ainda assim, seus fãs continuarão levantando hashtags, enquanto os haters não perdoarão qualquer deslize.

Ninguém é obrigado a torcer por Neymar, mas é impossível ficar indiferente quando seu talento com a bola nos pés se impõe ao astro pop que, campeão ou não, jamais vai conseguir alcançar o pedestal da unanimidade com a qual somente o futebol será capaz de premiá-lo.

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