OCDE melhora previsões do PIB do Brasil, México e Argentina para 2021

Dentre os três países, entretanto, apenas a economia brasileira deve voltar, em 2022, ao patamar anterior à crise do coronavírus. País deve crescer 2,7%, 0,5 ponto a mais do que o projetado atualmente

Entregador de comida no mês passado em uma avenida do centro de Buenos Aires.
Entregador de comida no mês passado em uma avenida do centro de Buenos Aires.Juan Ignacio RONCORONI (EFE)

As três maiores economias da América Latina não estão alheias à melhora generalizada das previsões econômicas projetada nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE, um clube de economias avançadas). Brasil, México e Argentina, que somam conjuntamente quase 70% do PIB regional e cerca de 60% da população, ricochetearão em 2021 mais do que se previa em dezembro passado: o primeiro crescerá 3,7% (1,1 ponto percentual a mais que a previsão anterior), o segundo, 4,5% (0,9 ponto a mais), e o terceiro, 4,6% (também 0,9 ponto acima da previsão anterior).

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Embora o organismo não ofereça dados relativos aos outros países da região, que não fazem parte do G20, é de se esperar que o ímpeto dos três gigantes regionais puxe o resto e leve a uma expansão maior do bloco como um todo. Mas as boas notícias param por aí: em 2022, as previsões só melhoram minimamente para o Brasil, que crescerá 2,7% (meio ponto percentual acima do que se projetava antes), enquanto que para o México e Argentina há uma piora de 0,4 ponto e 2,5 ponto, levando o crescimento neste ano para 3% e 2,1%, respectivamente.

Tanto o México como a Argentina estão, também, entre os seis países do G20 que mais sentirão o impacto do vírus sobre suas economias, medido como a diferença entre o PIB previsto hoje para o final de 2022 e o que se projetava para esse período em 2019, quando não a pandemia não existia. A Argentina será o quinto país mais impactado, atrás apenas da Índia, Indonésia, África do Sul e Espanha; o México vem logo atrás.

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“As economias emergentes da América Latina e África estão enfrentando um novo ressurgir do vírus, e o ritmo lento do processo de vacinação e a escassa margem para fazer política [fiscal e monetária] provavelmente moderará a recuperação”, prevê o organismo com sede em Paris. A economia em seu conjunto está hoje nas mãos da ciência, e aí os países com menos recursos para chegar a acordos de fornecimento com os laboratórios têm muito a perder. Segundo os últimos dados de inoculação incluídos no relatório, o Brasil está no grupo intermediário dos países do G20 quanto ao ritmo de vacinação. Argentina e México aparecem na parte mais baixa da tabela.

Governo Biden faz México andar de vento em popa

O novo Governo norte-americano, presidido pelo democrata Joe Biden, irrigará a economia dos EUA com 1,9 trilhão de dólares (11,16 trilhões de reais, valor equivalente ao PIB brasileiro) para tentar tirá-la da letargia induzida pelas medidas de contenção do vírus. É uma cifra tão elevada que acabará efeitos importantes para o resto do mundo. E o México, que é junto com o Canadá o país mais estreitamente atrelado aos Estados Unidos no plano econômico, receberá um potente vento de popa para tentar sair da crise também. Segundo os cálculos da OCDE, esses dois países vizinhos dos EUA obterão um impulso de 0,5 a 1 ponto percentual no seu crescimento entre meados deste ano e o começo do próximo. Os reflexos do plano de Biden serão muito mais modestos na zona do euro e na China, onde o crescimento do PIB se acelerará entre 0,25 e 0,5 ponto percentual, enquanto que os próprios os EUA verão sua economia ser acelerada entre três e quatro pontos pelo pacote de estímulo. Se na era Trump, um presidente que chegou à Casa Branca com um belicoso discurso antimexicano, o México se deu mal devido à sua enorme dependência em relação ao vizinho do norte, agora essa vinculação a uma das economias com a recuperação mais rápida resultará em um importante benefício colateral.


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