Santander registra prejuízo histórico de 10,8 bilhões de euros depois de um ajuste contábil

Banco fechará 2020 com prejuízo contábil como consequência da crise de covid-19, mas espera distribuir dividendos. O Brasil continua sendo a estrela, embora brilhe menos

Ana Botín, presidenta do Banco Santander.
Ana Botín, presidenta do Banco Santander.
Mais informações
Vista general de una zona industrial abandonada de la ciudad de Detroit el d’a 29 de abril de 2020.
Detroit, a cidade que o coronavírus derrubou em 72 horas
Vista general del Banco Central de Chile en Santiago(Chile). EFE/Felipe Trueba/Archivo
Magnitude da crise empurra vários bancos centrais latino-americanos para território desconhecido
Jose Manuel Campa, presidente de la Autoridad Bancaria Europea, en el Parlamento europeo. EPA/OLIVIER HOSLET
Autoridade bancária europeia alerta sobre o risco de Brasil, México e Turquia

O Grupo Santander fechou junho com prejuízo de 10,798 bilhões de euros (cerca de 65,859 bilhões de reais), depois de destinar 12,6 bilhões a dois ajustes contábeis: o saneamento do fundo de comércio por parte dos bancos comprados décadas atrás e o dos ativos fiscais diferidos (créditos fiscais). O banco ajusta o valor desses ativos às perspectivas econômicas atuais, seriamente prejudicadas pela pandemia. O ajuste não afeta a liquidez nem a solvência do banco, cujo lucro operacional no primeiro semestre de 2020 foi de 1,908 bilhão de euros, 53% menor do que no primeiro semestre do ano passado. A instituição bancária fechará 2020 com prejuízo contábil, mas espera distribuir dividendos.

As normas de contabilidade financeira exigem a atualização do valor contábil das aquisições no final do ano para verificar se elas se deterioraram. Desta vez o Santander se adiantou, de acordo com o CEO, José Antonio Álvarez. Ao valorizar os preços pagos no passado com o desempenho atual, as subsidiárias do Reino Unido, Estados Unidos e Polônia sofreram desvalorizações com a crise. Alguns analistas consultados acreditam que o banco aproveitou este momento para limpar o balanço porque o setor bancário internacional tem problemas e uma baixa valorização em Bolsa. A ação do Santander fechou a quinta-feira a dois euros, em queda de 4,71%.

As provisões por causa da pandemia reduziram os lucros nas três grandes regiões de atuação do Santander: na Europa, que gera 35% do resultado, na América do Norte, que proporciona 20%, e na América do Sul, que continua sendo o motor, com 45% dos lucros. O Brasil continua sendo a estrela, embora brilhe menos: contribui com 995 milhões de euros para o grupo, uma queda de 33%, seguido pela Santander Consumer Finance, com 477 milhões e queda de 26% em relação a 2019; o México está em terceiro lugar, com 406 milhões de euros de lucro, queda de 4%. Na Espanha, o resultado caiu para 251 milhões, uma redução de 64%, e no Reino Unido o grupo alcançou 139 milhões, queda de 76%. “É o momento mais baixo da subsidiária. Vai melhorar”, disse Álvarez, mas acumula anos em baixa.

Álvarez esquivou-se da pergunta sobre se o Santander participaria de uma dança de fusões. “No Santander, não estamos pensando nisso, mas em fortalecer a organização”, respondeu. A entidade dirigida por Ana Botín fez “uma depreciação extraordinária sem efeito no caixa no valor de 12,6 bilhões, dos quais 10,1 bilhões correspondem à depreciação de seus fundos de comércio (45% do fundo de comércio total do grupo) e 2,5 bilhões a créditos fiscais”. A depreciação é feita contra o patrimônio, os recursos próprios do banco, que passaram de 110 bilhões de euros em dezembro para 92 bilhões em junho. Além disso, o banco tem outros recursos próprios, que são os que estabelecem o nível de capital de máxima qualidade e os que determinam se dividendos podem ser distribuídos.

O Santander espera ter um lucro bruto de pouco mais de quatro bilhões de euros este ano, montante que não será suficiente para cobrir as enormes perdas. O lucro antes das provisões de junho aumentou 2%, para 11,865 bilhões, enquanto o resultado bruto atingiu 1,908 bilhão, queda de 53% em relação ao primeiro semestre de 2019, devido às provisões também feitas contra potenciais deteriorações causadas pela pandemia.

Em relação aos dividendos, Álvarez explicou que o banco acumulou capital para pagar este ano um dividendo relativo a 2019 de 0,10 euro por ação, mas em títulos, não em dinheiro. Quanto à proibição do BCE de distribuir dividendos, Álvarez alegou que existem diferenças entre a situação de cada banco. “Espero que haja maior discriminação em função da capacidade dos bancos de gerar resultados; isso não pode ser igual para todos”, defendeu o CEO.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS