Guedes sobre coronavírus: “A equipe econômica está absolutamente tranquila”

Nos EUA, Bolsonaro discursou sobre Venezuela para empresários enquanto mercados entravam em colapso

El País|Agencias
Miami | Madri - 09 mar 2020 - 18:55 UTC
Jair Bolsonaro fala para empresários durante evento em Miami em 9 de março.
Jair Bolsonaro fala para empresários durante evento em Miami em 9 de março.ZAK BENNETT / AFP

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Enquanto a Bolsa de Valores do Brasil acionava o ‘circuit break’ para se proteger do colapso nos mercados causados pelos reflexos da crise do coronavírus (Covid-19) nos preços do petróleo, o presidente Jair Bolsonaro discursava em Miami para uma plateia de 350 empresários. Deixou de lado os problemas que afligiam a economia mundial, mas garantiu que lutará para que o restante da América do Sul não tenha a mesma experiência que a Venezuela.

Durante a abertura do Seminário de Negócios Brasil-EUA, citou a “degradação moral e política” que a Venezuela sofre e enfatizou a importância de “lutar para que outros países da América do Sul não vivenciem o que nossos irmãos venezuelanos estão sofrendo”.

Bolsonaro garantiu aos empresários locais que “a desconfiança” em relação aos Estados Unidos que caracterizavam os governos brasileiros anteriores “mudou”, referindo-se às políticas dos governos de Luis Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. E aproveitou para endossar a confiança em seu ministro da Economia Paulo Guedes, que está sob pressão pela desaceleração do crescimento econômico em 2019, pelo impacto do coronavírus e pela queda de preços do petróleo, que afetam os negócios da estatal Petrobras.

O medo do coronavírus na segunda-feira derreteu os mercados de ações mundiais, incluindo o de São Paulo, com uma queda superior a 10%. “Temos no ministro da Economia, um homem conhecido dentro e fora do país”, disse Bolsonaro, “e somos leais às suas políticas econômicas e tentamos implementá-las de qualquer maneira”, afirmou.

Em Brasília, Guedes afirmou nesta segunda-feira que a melhor resposta ao impacto econômico do coronavírus são as reformas fiscais e administrativas. “Temos que manter a serenidade absoluta. A melhor resposta à crise são as reformas”, disse o ministro, observando que o Governo levará uma reforma administrativa ao Congresso Nacional nesta semana, após o retorno de Jair Bolsonaro dos Estados Unidos. A “proposta inicial” do Governo para a reforma tributária também poderá ser enviada ao Congresso nesta ou na próxima semana, segundo o ministro. "A equipe econômica é capaz, experiente, segura e está absolutamente tranquila quanto a nossa capacidade de enfrentar a crise, agora nós precisamos das reformas.”

Guedes apontou que o coronavírus é a “gota de água” no quadro da redução do crescimento econômico mundial. “O mundo está realmente em um momento crítico. O coronavírus está sendo a gota d'água, porque o mundo já estava desacelerando”, disse ele.

Apesar disso, apontou que o Brasil tem uma dinâmica de crescimento própria, uma vez que o país cresceu 1,7% no quarto trimestre de 2019 em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e 1,1 % no acumulado de 2019, após o crescimento de 1,3% em 2017 e 2018. “O Brasil está em plena recuperação. Se fizermos as coisas certas, o Brasil reacelera”, disse Guedes.

Visita aos EUA

O encontro em Miami foi organizado pela Agência de Promoção de Exportações (Apex) para incentivar novos investimentos no Brasil, em um momento em que as incertezas sobre a economia brasileira levam à retirada constante de recursos do país. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, investidores estrangeiros retiraram mais de 40 bilhões de dólares do mercado secundário de ações do país.

A crise da Venezuela foi um dos temas do encontro entre Trump e Bolsonaro. Ambos reiteraram seu apoio ao líder da oposição Juan Guaidó, a quem eles reconhecem como presidente interino do país, fazendo frente ao que seria o governo ilegítimo de Nicolás Maduro.

No domingo, Bolsonaro assinou um acordo de defesa que abre caminho para a troca de suprimentos militares entre os dois países. E nesta segunda-feira foi recebido no seminário por Marco Rubio e Rick Scott, dois senadores republicanos da Flórida com grande influência na política da Casa Branca em relação à Venezuela.

Em Caracas, Maduro acusou Washington de forjar planos contra seu Governo com a ajuda da Colômbia e do Brasil. Guaidó convocou na terça-feira um protesto em massa contra Maduro.

(Com informações da Efe, Reuters e Europa Press)

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