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Globo de Ouro devolve a coroa a ‘The crown’ em premiação sem surpresas

Netflix varre as categorias de televisão do prêmio com as quatro estatuetas do drama sobre a vida da Rainha Elizabeth II e as duas para o ‘O gambito da rainha’

Emma Corrin, durante seu discurso de agradecimento pelo prêmio de melhor atriz principal em série dramática por 'The Crown', em 1º de março de 2021.
Emma Corrin, durante seu discurso de agradecimento pelo prêmio de melhor atriz principal em série dramática por 'The Crown', em 1º de março de 2021.NBC HANDOUT / Reuters

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É repetido com frequência que o Globo de Ouro recompensa a novidade na comparação com o Emmy, que tende ao conservadorismo. No entanto, neste ano as categorias televisivas dos prêmios da Associação da Imprensa Estrangeira não saíram do roteiro. Além de algumas indicações um tanto exóticas (Emily em Paris? The undoing? Ratched?) e a ausência, para muitos, da melhor série de 2020 (Podría destruirte), os prêmios que foram entregues na madrugada de segunda-feira não reservaram qualquer surpresa para o entediado espectador de um baile de gala com os indicados em suas casas e sem as faíscas que normalmente são dadas pelo álcool que seus convidados ingerem durante a noite.

The crown voltou ao trono em que já se sentou em sua primeira temporada. A quarta, focada nos anos de mandato de Margaret Thatcher (prêmio para Gillian Anderson por uma interpretação na qual quis imitar tanto a Dama de Ferro que causou certo estranhamento no espectador) e alimentada pela curiosidade das primeiras dificuldades do casamento entre Diana Spencer e o príncipe Charles (prêmios para Emma Corrin e Josh O’Connor), foi coroada o melhor drama do ano.

Enquanto o luxuoso drama da Netflix triunfou em suas categorias, Schitt’s Creek fez o mesmo na comédia, embora neste caso o triunfo não tenha sido completo, como na festa de entrega do Emmy, no qual monopolizou todos os prêmios possíveis para uma mesma série. A comédia sobre uma família rica que é forçada a começar uma nova vida sem nada em uma pequena cidade levou o prêmio à frente de seu rival mais claro, Ted Lasso, a história alegre e amigável de um treinador com mais intenções do que conhecimento sobre futebol que deu a Jason Sudeik um prêmio que o ator agradeceu de moletom. Além disso, o prêmio de Suideikis foi o primeiro Globo de Ouro da Apple TV +, uma plataforma ainda pequena em termos de quantidade de produção própria, mas com títulos de alta qualidade que já conseguiram, primeiro com The Morning Show e agora com Ted Lasso, se colocar entre os prêmios de televisão mais relevantes.

Talvez o vencedor mais óbvio da noite tenha sido O gambito da rainha. A minissérie, fenômeno da Netflix que atraiu milhares de pessoas a se inscreverem para aprender a jogar xadrez e desencadeou a venda de tabuleiros, impôs-se em uma categoria cada vez mais competitiva, dada a força do formato curta na televisão atual. A atriz argentino-britânica Anya Taylor-Joy também ganhou o prêmio por interpretar aquela gênio órfã do xadrez que luta contra seus rivais e contra seus próprios fantasmas na forma de vícios.

John Boyega, estrela do capítulo Vermelho, Branco e Azul da coleção de histórias dirigida por Steve McQueen, Small axe, ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante na televisão, enquanto Mark Ruffalo e sua interpretação de irmãos gêmeos no duríssimo drama I know this much is true foi o vencedor na categoria de ator de minissérie.

Dessa forma, o Globo de Ouro selou o grande ano da Netflix, em que a pandemia e os confinamentos fizeram disparar o número de assinantes e em que suas previsões de produção e sua expansão internacional permitiram manter o estoque de histórias por capítulos enquanto a tevê aberta e alguns canais pagos passaram a sofrer as consequências da paralisação da produção. Dos 11 prêmios nas categorias de televisão, seis foram para a Netflix ―e a enorme popularidade de Schitt’s Creek em sua reta final também se deve em grande parte à sua presença na plataforma.

Mas todo o caminho para o triunfo dessa nova televisão não teria sido possível sem revolucionários como Norman Lear, produtor de sitcoms clássicas que renovou o formato, um pioneiro no tratamento de questões políticas e sociais em comédias familiares e que, como disse o vídeo que o homenageou durante a entrega do prêmio Carol Burnett pelo conjunto da obra, mudou a televisão dos Estados Unidos. Afinal, a televisão está em constante mudança e adaptação. E nem uma pandemia foi capaz de impedir isso.

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