Missões para Marte

Chegada da sonda ‘Tianwen-1’ a Marte reforça o ambicioso programa espacial da China

País quer construir uma estação espacial, lançar outras missões de pesquisa de asteroides e chegar à órbita de Júpiter

Imagem dos testes da sonda ‘Tianwen-1’, realizados na China, em 2019.
Imagem dos testes da sonda ‘Tianwen-1’, realizados na China, em 2019.Andy Wong / AP

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A entrada em órbita, confirmada nesta quarta-feira pela agência espacial chinesa (CNSA), e o pouso da sonda Tianwen-1 na superfície marciana ―em algum momento nos próximos três meses― é um dos feitos definidos para este ano pelo ambicioso programa espacial chinês, uma das prioridades de Pequim em suas aspirações de tornar o país uma potência no campo da inovação nas próximas três décadas.

O projeto marciano é ambiciosíssimo para a China, pois inclui três veículos: um segmento orbital, um veículo de pouso e um robô móvel, semelhante aos que a China já enviou duas vezes à Lua. A China vai tentar se tornar o primeiro país a enviar um orbitador, um aterrissador e um pequeno veículo móvel a Marte em sua primeira missão ao planeta vermelho, informa Nuño Domínguez. A Tianwen-1 se dirige para Utopia Planitia, no hemisfério norte, um lugar ideal para tentar um pouso suave devido à finura de seu solo e por ser um terreno pouco elevado, razão pela qual existe mais atmosfera para frear. Nessa área também existe uma enorme reserva de água congelada no subsolo, com uma capacidade cerca de 400 vezes maior que todas as bacias hidrográficas de um país como Espanha, por exemplo, e que poderia ser estratégica para futuras expedições tripuladas.

Este ano é especialmente simbólico para o Governo chefiado pelo presidente Xi Jinping, pois comemora-se o centenário da fundação do Partido Comunista da China. Em 2021, a China planeja iniciar a construção de sua estação espacial permanente, que servirá como alternativa à Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês) e que pretende concluir até o fim de 2022. Esse ambicioso projeto, segundo revelou a Administração Espacial Nacional da China (CNSA) orbitará a Terra durante uma década a uma altitude entre 350 e 435 quilômetros. Em tamanho, será equivalente à MIR russa; em massa, 25% maior que a ISS.

A construção, que acontecerá depois do lançamento e do acoplamento dos laboratórios espaciais Tiangong 1 e 2, começará com o lançamento ao espaço, no primeiro semestre, do módulo principal Tianhe, de 66 toneladas, a partir da base espacial de Wenchang, na ilha tropical de Hainan, impulsionada por um foguete Longa Marcha 5B. Está previsto que, assim que estiver operacional, três astronautas possam residir em missões de longa duração, embora a estação tenha capacidade de acomodar até seis pessoas nos momentos de revezamento das tripulações.

Os seus ocupantes ―que também realizarão missões fora do módulo― trabalharão nos laboratórios instalados em dois módulos auxiliares, um de cada lado da estrutura principal ―que terá assim a forma de “T”―, e que já possuem nome: Wentian e Mengtian (“busca do céu” e “sonho do céu”, respectivamente). Outro módulo conterá o telescópio óptico Xuntian, ou “cruzador do céu”.

As missões subsequentes, assim que o módulo inicial entrar em órbita, incluirão “os lançamentos de naves de carga Tianzhou-2 ―com capacidade para transportar até 6.000 quilos e que abastecerão a estação espacial― e naves tripuladas Shenzhou-12”, segundo declarou Zhou Jianping, projetista-chefe do programa de missões tripuladas da CNSA, à agência estatal Xinhua. Será necessária uma dúzia de viagens, segundo os cálculos desta instituição, para construir a estação espacial. Os testes do módulo principal já foram concluídos e nestes meses termina o treinamento dos astronautas que participarão do projeto.

As Shenzhou-12 têm capacidade para transportar três tripulantes, mas a agência espacial chinesa trabalha no projeto de uma nave com capacidade para transportar seis ou sete astronautas e levar uma carga de 70 toneladas para a estação espacial, ou 27 toneladas para a órbita de transferência lunar.

Além disso, a CNSA planeja lançar outras missões de pesquisa de asteroides; enviar outra sonda a Marte que possa recolher ―como fez a sonda Chang’e-5 em 2020 no lado oculto da Lua― amostras do solo do planeta vermelho; e chegar à órbita de Júpiter, o maior planeta do sistema solar, meta que foi fixada para 2029. Até 2036 quer ter uma base instalada na Lua e um supergerador espacial alimentado por energia solar capaz de enviar à Terra a eletricidade que produzir.

A base lunar “provavelmente estará localizada no polo sul da Lua”, disse o engenheiro-chefe do Programa Chinês de Prospecção Lunar, Wu Weiren, à imprensa estatal. “Será usada apenas para fins pacíficos e beneficiará todas as partes envolvidas”.

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