Pfizer reduz pela metade a produção de 100 milhões de vacinas prevista para este mês

Laboratório alega problemas na cadeia de suprimento, que não entregou as matérias-primas nas condições necessárias

Funcionários da Pfizer nas instalações da empresa em Puurs (Bélgica), nesta quinta-feira.
Funcionários da Pfizer nas instalações da empresa em Puurs (Bélgica), nesta quinta-feira.Virginia Mayo (AP)

Aviso aos leitores: o EL PAÍS mantém abertas as informações essenciais sobre o coronavírus durante a crise. Se você quer apoiar nosso jornalismo, clique aqui para assinar.

O laboratório Pfizer e a empresa alemã BioNTech anunciaram nesta quinta-feira que reduzirão pela metade a sua produção de vacinas contra a covid-19 neste mês. O anúncio ocorre logo após a autorização do Reino Unido para o uso desse medicamento e do anúncio de que a UE pretende aprová-lo em 29 de dezembro. A companhia atribuiu a decisão a problemas na cadeia de suprimento. “Estamos atrasados. Alguns dos primeiros lotes das matérias-primas não satisfizeram os padrões. Solucionamos, mas ficamos sem tempo para alcançar as projeções”, disse uma fonte da Pfizer ao The Wall Street Journal.

Mais informações

A Pfizer previa um primeiro lote de 100 milhões de vacinas para os países com os quais assinou um contrato de distribuição. Entre eles se encontram o Reino Unido e os países da UE. A Espanha, por exemplo, contratou o fornecimento de 20,9 milhões de doses dessa vacina.

A Pfizer se encontra à espera da autorização de seu fármaco na União Europeia e também nos Estados Unidos, onde se previa o começo iminente das campanhas de vacinação no final deste ano ou começo do próximo. Entretanto, os problemas de produção da companhia farmacêutica lhe fizeram desistir da meta de 100 milhões de doses previstas para os próximos 27 dias.

A empresa norte-americana, que desenvolveu a vacina em colaboração com a BioNTech, acredita que será capaz de resolver os problemas identificados e insiste em que poderá produzir um bilhão de vacinas ao longo de 2021.

A vacina da Pfizer/BioNTech foi primeira a oferecer uma taxa de eficácia (95%) com plena validez estatística, graças a um ensaio com 44.000 participantes e apenas 170 contágios entre eles. Seu fundamento é o RNA, a molécula necessária para transformar em proteína a informação contida no DNA.

Esse sistema, diferente da inoculação de um vírus atenuado, supõe um complexo sistema que exige numerosos ingredientes de características singulares que a indústria não conseguiu garantir nos prazos previstos pela Pfizer para a primeira produção maciça. A preparação e distribuição do produto será feita em instalações da Pfizer em Michigan (EUA) e Puurs (Bélgica).

Moderna, Oxford e Sinovac

O laboratório Moderna, que também anunciou resultados eficazes da sua vacina de RNA, afirmou nesta quinta-feira que espera ter entre 100 e 125 milhões de doses disponíveis no primeiro trimestre de 2021. Destas, um pouco mais de 85% ficarão nos Estados Unidos. Ao longo do ano, assim como a Pfizer, a Moderna espera produzir um bilhão de doses.

O laboratório britânico AstraZeneca e a Universidade de Oxford, depois de anunciarem uma eficácia de entre 62% e 90%, em função da dose, continuam trabalhando para completar os estudos e resolver as dúvidas manifestadas pelo diretor-científico da operação norte-americana para a aceleração do desenvolvimento de uma vacina, Moncef Slaoui. Ele ressaltou que a eficácia de 90% foi observada apenas em um ramo do ensaio clínico de Oxford com 2.700 pessoas, todas elas menores de 55 anos. O neurocientista Menelas Pangalos, vice-presidente da AstraZeneca, confirmou esse dado. Os responsáveis pela pesquisa britânica ocultaram a informação da idade em seus comunicados, por isso se questionou a autêntica eficácia da inoculação nas pessoas mais velhas, as mais vulneráveis.

No Brasil, onde a vacina Coronavac é produzida com uma parceria entre o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, resultados finais de eficácia devem ser apresentados até o dia 15 de dezembro. Os planos do Governo João Doria (PSDB), em nova frente de polarização com o presidente Jair Bolsonaro, preveem iniciar a imunização em janeiro, dois meses antes do previsto pelo programa do Ministério da Saúde. O Estado recebeu na quinta-feira 600 litros de matéria-prima da Coronavac que, segundo o Governo, darão origem a mais de 1 milhão de doses da vacina. Até fevereiro, a promessa é desenvolver 46 milhões de doses da vacina.

Siga a cobertura em tempo real da crise da covid-19 e acompanhe a evolução da pandemia no Brasil. Assine nossa newsletter diária para receber as últimas notícias e análises no e-mail.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
Logo elpais

Você não pode ler mais textos gratuitos este mês.

Assine para continuar lendo

Aproveite o acesso ilimitado com a sua assinatura

ASSINAR

Já sou assinante

Se quiser acompanhar todas as notícias sem limite, assine o EL PAÍS por 30 dias por 1 US$
Assine agora
Siga-nos em: