Mesmo com piora da pandemia, economia brasileira cresce 1,2% no primeiro trimestre

Resultado do PIB do 1º trimestre de 2021 foi puxado principalmente pela Agropecuária (5,7%), segundo o IBGE. Em relação ao mesmo período do ano passado, crescimento foi de 1%

Construção civil cresceu 2,1% no primeiro trimestre de 2021, e ajudou a puxar o resultado geral do PIB no 1º trimestre de 2021.
Construção civil cresceu 2,1% no primeiro trimestre de 2021, e ajudou a puxar o resultado geral do PIB no 1º trimestre de 2021.Camila Svenson
São Paulo -
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O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil teve um crescimento de 1,2% no primeiro trimestre deste ano na comparação com os três meses anteriores, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 1 de junho, pelo IBGE. O resultado veio acima das expectativas do mercado financeiro. Houve taxas positivas na Agropecuária (5,7%), Indústria (0,7%) e Serviços (0,4%). Os números confirmaram que a economia brasileira avançou no início do ano, mas com desaceleração no ritmo de recuperação, após crescimento de 3,2% no 4º trimestre de 2020. Em relação ao mesmo período do ano passado, o PIB cresceu 1,0%. Nos últimos 12 meses, a retração foi de 3,8%.

Em valores correntes, o PIB ―que é soma dos bens e serviços produzidos no Brasil―, chegou a 2,048 trilhões de reais. Analistas econômicos têm elencado um série de razões para o desempenho positivo da economia. Houve um menor isolamento social, na comparação com o início da pandemia ―mesmo com o recrudescimento da crise de covid-19―, há efeitos defasados de estímulos do ano passado, como o auxílio emergencial dado à população mais vulnerável, e também a alta nas cotações das commodities, que impulsiona as atividades exportadoras, como a agropecuária e a mineração.

Mesmo com a segunda onda da pandemia de covid-19, o PIB cresceu no primeiro trimestre, já que, diferente do ano passado, não houve tantas restrições que impediram o funcionamento das atividades econômicas no país”, avalia a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Na agropecuária, a alta foi puxada pela melhora na produtividade e no desempenho de alguns produtos, sobretudo a soja, que tem maior peso na lavoura brasileira e previsão de safra recorde este ano. Já na atividade industrial, o avanço veio das indústrias extrativas (3,2%). Também cresceram a construção civil (2,1%) e a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (0,9%). O único resultado negativo foi das indústrias de transformação (-0,5%). “Todos subsetores da indústria cresceram, menos a indústria de transformação, que tem o maior peso, impactada pela indústria alimentícia, afetada pelo consumo das famílias”, diz Palis.

Com o resultado do primeiro trimestre, o PIB voltou ao patamar do quarto trimestre de 2019, período pré-pandemia, de acordo com os dados do IBGE, mas ainda está 3,1% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica do país, alcançado no primeiro trimestre de 2014.

Consumo das famílias em queda

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Os efeitos da pandemia influenciaram a estabilidade no consumo das famílias (-0,1%) no primeiro trimestre deste ano, frente ao quarto trimestre de 2020. Já o consumo do Governo teve queda de 0,8%. “O aumento da inflação pesou, principalmente, no consumo de alimentos ao longo desse período. O mercado de trabalho desaquecido também. Houve ainda redução significativa nos pagamentos dos programas do Governo às famílias, como o auxílio emergencial”, diz Palis, observando, por outro lado, que houve aumento no crédito para pessoas físicas.

Enquanto a economia brasileira desenha uma recuperação, a fila do desemprego cresce e atingiu a taxa recorde de 14,7% no 1º trimestre de 2021, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). O número de desempregados também bateu um novo recorde, chegando a 14,8, milhões de pessoas. No levantamento anterior, referente ao trimestre encerrado em fevereiro, o índice estava em 14,4%.

Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) cresceram 4,6%, influenciados pelo aumento na produção interna de bens de capital e no desenvolvimento de softwares, a alta na construção e os impactos do Repetro, regime aduaneiro especial que permite ao setor de petróleo e gás adquirir bens de capital sem pagar tributos federais.

A balança comercial brasileira teve uma alta de 3,7% nas exportações de bens e serviços, enquanto as importações cresceram 11,6% em relação ao quarto trimestre de 2020. “Na pauta de importações, destacaram-se os produtos farmoquímicos para a produção de vacinas contra a covid-19, máquinas e aparelhos elétricos, e produtos de metal. Entre as exportações, foram os produtos alimentícios e veículos automotores.

Nesta semana, a mediana das projeções do mercado financeiro para o crescimento da economia brasileira em 2021 subiu pela sexta semana consecutiva, e com força, de 3,52% para 3,96%, no Boletim Focus, do Banco Central (BC). Para 2022, a média das expectativas para a expansão do PIB foi reduzida de 2,30% para 2,25%.

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