Maduro condiciona diálogo com a oposição à suspensão de todas as sanções contra a Venezuela

Presidente venezuelano exige também “o reconhecimento pleno da Assembleia Nacional e dos poderes do país e a devolução das contas bancárias à PDVSA”

O presidente venezuelano Nicolás Maduro, em um ato do Partido Socialista Unido da Venezuela no último dia 24 de maio.
O presidente venezuelano Nicolás Maduro, em um ato do Partido Socialista Unido da Venezuela no último dia 24 de maio.MIRAFLORES (EFE/MIRAFLORES)

Nicolás Maduro enumerou em rede nacional de televisão, na noite desta quarta-feira, as suas condições para iniciar um processo de diálogo político com a oposição, depois da proposta de retomar as negociações apresentada em 11 de maio pelo dirigente opositor Juan Guaidó. “Suspensão imediata de todas as sanções e medidas coercitivas unilaterais; reconhecimento pleno da Assembleia Nacional e dos poderes do país; e a devolução das contas bancárias da [empresa estatal] Petróleos da Venezuela e do Banco Central da Venezuela”, listou Maduro.

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FILE PHOTO: Venezuela's opposition leader Juan Guaido addresses the media, in Caracas, Venezuela April 9, 2021. REUTERS/Manaure Quintero/File Photo
Guaidó propõe pacto a Maduro para realizar eleições justas e “salvar a Venezuela”
AME7261. CARACAS (VENEZUELA), 12/05/2021.- Fotografía cedida por prensa Miraflores que muestra al presidente de Venezuela, Nicolás Maduro (c), junto al ministro de Producción Agrícola, Wilma Castro Soteldo (d), y la ministra de Agricultura Urbana, Greicys Barrios (i), mientras participa en una jornada de trabajo agroproductivo hoy, en Caracas (Venezuela). El presidente venezolano, Nicolás Maduro, aseguró este miércoles que está "listo" para reunirse "con toda la oposición", al referirse a la propuesta que hizo un día antes el líder opositor Juan Guaidó de abrir una negociación, siempre bajo unas condiciones previas que el antichavista transmitió.
Maduro se diz disposto a encontrar Guaidó sob a supervisão da UE e Noruega
Caracas (Venezuela), 01/05/2021.- A handout photo made available by Miraflores Press shows the President of Venezuela Nicolas Maduro (C) with the first lady Cilia Flores (R) during an activity held in honor of Labor Day, in Caracas, Venezuela, 01 May 2021. The president of Venezuela, Nicolas Maduro, said this Saturday that he proposed as a 'life goal' to recover this year the integral minimum wage for workers established at 10 million bolivars (around 3.54 US dollar), according to the latest official rate. EFE/EPA/Miraflores press / HANDOUT MANDATORY CREDIT HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES
Maduro faz concessões para retomar contatos com a comunidade internacional

O presidente venezuelano mostrou aceitar a mediação da Noruega nestes encontros de trabalho com seus adversários políticos, ainda em preparação. “Querem negociar?”, perguntou Maduro. “Ponho estes três pontos. Daí em diante, estou disposto a ir aonde quiserem. Vamos nos medir em 21 de novembro, e que o povo decida”, acrescentou, em referência às eleições de governadores e prefeitos marcadas para essa data.

De maneira muito pouco usual, Maduro – como fez também certa vez Hugo Chávez – prometeu que, em caso de derrota nas eleições presidenciais de 2024, o chavismo entregaria o poder “e iria para a rua”.

As afirmações de Maduro não foram respondidas pela oposição, que tem agido com cautela para evitar que alguma troca de declarações desencadeie uma escalada de tensão e arruíne o ambiente prévio às reuniões de trabalho. Embora os dirigentes oposicionistas relutem em dizer algo, ninguém quis tomar estas afirmações como um obstáculo para o início das negociações.

Juan Guaidó, que tinha concedido entrevista coletiva pela manhã, declarou que as negociações entre dirigentes chavistas e opositores precisam começar “o quanto antes”. Guaidó afirmou também que pensou em alternativas para a hipótese de as conversações com o chavismo fracassassem. Logo após o pronunciamento de Maduro, Henrique Capriles comentou pelas redes sociais que “estes assuntos não devem ser comentados ao microfone” e que o interesse maior é o avanço do diálogo.

Na segunda-feira, a corrente opositora que segue Henrique Capriles, a primeira a iniciar uma aproximação com Maduro, publicou um comunicado declarando seu respaldo às conversações políticas entre Maduro e a oposição, representada por Juan Guaidó, titular do governo interino e apoiada pelos principais partidos democráticos. O pronunciamento expressava seu reconhecimento ao esforço feito “por nossos companheiros”. O gesto unitário, muito incomum atualmente, foi recebido com entusiasmo pelo ativismo opositor.

A mensagem de Capriles atende, em parte, a uma insistente demanda de alguns países mediadores para que os líderes da oposição se reconheçam mutuamente. A revisão das estratégias e a flexibilização das posturas de Juan Guaidó em relação às posições do passado parecem gerar uma pequena trégua num contexto onde abundam as recriminações e o “eu avisei”.

Os países da comunidade internacional que participam destas aproximações – muito especialmente os Estados Unidos, e a Espanha em nome da Europa – pretendem que a complexa rede de sanções impostas ao Estado chavista sirva para promover acordos. Estas sanções são passíveis de serem modificadas ou suprimidas na medida em que Maduro demonstrar que joga limpo e oferecer garantias para a realização de eleições justas.

No “Acordo para Salvar a Venezuela” apresentado há três semanas, Juan Guaidó propôs a Maduro a antecipação das eleições presidenciais e parlamentares para relegitimar os poderes públicos e restaurar a soberania popular, além de oferecer garantias políticas ao chavismo para o caso de que deixe o poder.

A cúpula bolivariana afirma que essa condição é impossível e propõe, em troca, a realização das eleições para prefeituras e governos estaduais, previstos constitucionalmente para este ano. As eleições presidenciais, ainda sem garantias para um acordo satisfatório, ficariam para 2024, concluindo o mandato de seis anos de Maduro. É por trás desses argumentos que os políticos se alinham para iniciar o diálogo.

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