Pandemia de coronavírus

O mapa do coronavírus: como aumentam os casos dia a dia no Brasil e no mundo

Um ano depois de o novo coronavírus ser detectado na China, a covid-19 infectou mais de uma centena de milhões de pessoas no planeta. Os Estados Unidos e o Brasil são há meses os países que lideram em infecções pelo vírus Sars-Cov-2 e em mortes causadas pela doença. Siga o mapa atualizado diariamente pela Universidade Johns Hopkings

Em janeiro de 2020, o novo coronavírus (SARS-CoV-2) estava concentrado na China, e só alguns casos chegavam a outros países, por meio de pessoas infectadas que viajaram de avião ou navio. No final daquele mês, já eram 10.000 infectados na China e em outros 129 países. Mas em fevereiro foram registrados vários surtos na Coreia do Sul, Itália, Alemanha e Espanha. No Brasil, o primeiro caso foi confirmado em 26 de fevereiro de 2020. Em 11 de março, a Organização Mundial da Saúde declarou o novo coronavírus era uma pandemia global. Em 12 de março de 2020 a covid-19 fez sua primeira vítima no Brasil: uma mulher de 57 anos, que morreu em decorrência da doença em São Paulo. Um ano depois, o Brasil acumulava a triste marca de mais de 250.000 mortes causadas pela covid-19 e, o mundo, superava 2,6 milhões vidas perdidas para a doença, conforme mostra o mapa atualizado diariamente pela Universidade Johns Hopkins (EUA), destacado na abertura desta reportagem.

Cinco meses depois da primeira morte, em 8 de agosto, o Brasil chegou à triste marca de 100.000 mortes causadas pelo novo coronavírus. E, em 7 de janeiro de 2021, passou de 200.000 óbitos. Em 24 de fevereiro de 2021 ultrapassou 250.000 vítimas. Neste mesmo mês, o Amazonas começou a viver um colapso com a segunda onda, com a falta de oxigênio nos hospitais de Manaus. Em março, o colapso se espalhara pelo território nacional, com hospitais em todo o país com mais de 100% de índice de ocupação de unidades de terapia intensiva (UTI) e uma média móvel de mortes na casa de 1.841 (registrada em 16 de março de 2021), após 20 dias seguidos de recordes de óbitos.

Desde o final de 2020, médicos e pesquisadores de todo o país pedem que as autoridades sanitárias brasileiras decretem um lockdown nacional, já que a campanha de vacinação contra a covid-19 ocorre em ritmo. O médico, neurocientista e professor catedrático da universidade Duke (EUA), Miguel Nicolelis, disse ao EL PAÍS no início de março de 2021 que o Brasil caminhava para superar a marca de “3.000 óbitos diários por covid-19″ em questão de semanas.

Por outro lado, a ciência conseguiu desenvolver vacinas para combater a doença em menos de um ano, num esforço inédito de pesquisadores de todo o planeta. Em 8 de dezembro de 2020 uma mulher de 90 anos tornou-se a primeira a ser imunizada no Reino Unido (o primeiro país ocidental a dar início à vacinação). Em 17 de janeiro de 2021 o Brasil deu início à sua campanha, no mesmo dia em que a Anvisa autorizar emergencialmente o uso dos imunizantes do Instituto Butantan (Coronavac) e da Fiocruz (vacina de Oxford/Astrazeneca). O ritmo era lento até março, com menos de 5% da população vacinada, apesar da capacidade e experiência do SUS em campanhas nacionais de vacinação.

Os casos e a evolução do surto em cada país

A China é o país onde o vírus apareceu, mas não é onde houve mais infecções. Outros países que detectaram os contágios posteriormente ultrapassaram por muito os chineses. Hoje, o top 10 mundial é formado por Estados Unidos, Índia, Brasil, França, Rússia, Espanha, Argentina, Reino Unido, Colômbia e Itália. A China é apenas a 49ª colocada, com pouco mais de 90.000 casos confirmados.

O ritmo de cada país é diferente. Na China, as infecções deixaram de aumentar de forma exponencial em meados de fevereiro de 2020, quando a quarentena e as medidas de distanciamento fizeram efeito. Já países como Itália, Espanha, França e Alemanha tiveram os casos disparando e sistemas de saúde colapsados, o que soou o alarme na Europa, e só então partiram para o lockdown. Estados Unidos e Brasil, por outro lado, viram a curva chegar no topo e manter-se num platô por meses, o que os disparou para a ponta do ranking entre os mais afetados pelo novo coronavírus.

O contraste é claro entre outros países asiáticos e latino-americanos. Japão e Coreia do Sul detectaram antes o vírus e puderam controlá-lo. Controle semelhante aconteceu na Oceania, onde Austrália e Nova Zelândia se confinaram cedo e estão entre os países capazes de sossegar o vírus de forma mais eficaz; o primeiro tem menos de 1.000 mortos e o segundo, menos de 50. Todos foram ultrapassados por Argentina, Colômbia, México, Peru e Chile, onde o crescimento foi maior e posterior.

É importante entender que falamos de casos confirmados. Ou seja, estamos medindo dois fenômenos ao mesmo tempo: o aumento real de infectados em cada país e a capacidade de detectá-los por parte de suas autoridades. Pode ser exemplificado, por exemplo, pela África que, apesar de ser o segundo continente mais populoso do planeta, tem apenas a África do Sul como 13º país mais atingido entre os 30 primeiros.

A letalidade registrada por país

O número de mortes causadas pelo novo coronavírus também um dado relevante, embora saibamos que seja uma medida imprecisa da verdadeira letalidade do vírus. Ao menos por dois motivos. O primeiro é que as mortes costumam chegar com atraso, dado que a doença pode durar várias semanas. Isso explica certamente por que a mortalidade na China cresceu de 2,1 em janeiro para 3,7 em fevereiro.

Tampouco existe consenso sobre quantos casos não detectados existem em cada país. O epidemiologista Christophe Fraser, da Universidade Oxford, explica que a proporção de casos não reportados poderia ser de 50%. Desse modo, “a taxa de letalidade seria em torno de 1%”. O médico Bruce Aylward, da Organização Mundial da Saúde (OMS), concorda. Como ele disse ao The New York Times no início do ano, não haviam evidências [na China] de que estávamoss vendo apenas a ponta do iceberg, com nove décimos dele formados por zumbis ocultos que espalham o vírus. O que estávamos vendo é uma pirâmide: a maior parte está à vista. Por sua vez, o especialista em RNA viral Adolfo García-Sastre, pesquisador do Hospital Monte Sinai de Nova York, considera que “existem de cinco a 10 vezes mais infectados do que está sendo contabilizado, o que reduz muito a sua letalidade”.

Colaborou Diogo Magri, de São Paulo, com informações sobre o Brasil e a América Latina.

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