Mais de 30 países iniciaram vacinação contra covid-19, e Bolsonaro agora fala em pressa por vacina

Países europeus começaram a vacinar população neste domingo e Argentina deve começar na terça. Bolsonaro fala em pressa em obter imunizante após dizer que não dava bola para pressão

Consuelo Landa, 91 anos, é vacinada na Espanha.
Consuelo Landa, 91 anos, é vacinada na Espanha.Irekia (Europa Press)

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Cerca de 31 países já começaram a vacinar suas populações contra o novo coronavírus. Uma Europa marcada por um aumento das medidas restritivas nos últimos dias e que começa a ver uma nova variante do coronavírus se espalhar sobre seu território começou a imunização de profissionais de saúde e idosos neste domingo (27). A aplicação das primeiras doses de imunizantes no Chile, México e Costa Rica na última semana trouxeram esperança a uma América Latina castigada pela pandemia. A Argentina anunciou que começará a imunizar sua população na terça-feira (29), enquanto no Brasil ―referência mundial com seu Plano Nacional de Imunizações―, o início da vacinação contra a covid-19 ainda é uma incógnita.

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Marcado por uma batalha política entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador João Dória na corrida por uma vacina, o Brasil centrou esforços na vacina da AstraZeneca e patinou no desenho da estratégia nacional, correndo o risco ainda de campanhas desarticuladas no país. São Paulo diz que começará sua imunização no dia 25 de janeiro com a vacina do laboratório chinês Sinovac, independentemente do Governo Federal, que estima que a vacinação no país será possível em meados de fevereiro, a depender da aprovação de imunizantes pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Enquanto isso, o mundo se movimenta para vacinar a maior fatia possível de suas populações rapidamente. O Reino Unido foi o primeiro país do ocidente a aplicar vacinas contra o coronavírus. Depois, Estados Unidos e Canadá também começaram suas estratégias em busca da proteção coletiva contra o vírus. Neste domingo, foi a vez de a União Europeia iniciar uma campanha articulada em vários países, que estrearam suas campanhas com prioridade para imunizar idosos e profissionais de saúde. Veja a seguir quais países que já começaram a vacinação contra a covid-19:

Europa

A Europa iniciou a imunização com a vacina da Pfizer neste domingo, com o desafio logístico para armazenar o medicamento a temperatura inferior a -70 graus. Na Espanha, Araceli Hidalgo, de 96 anos, foi a primeira pessoa vacinada, em uma casa de repouso de Guadalajara. “Vamos ver se conseguimos fazer esse vírus ir embora”, disse neste domingo. A Itália também começou sua campanha e espera vacinar um milhão de idosos e funcionários de casas de repouso até fevereiro. Três mulheres e dois homens com mais de 80 anos foram as primeiras pessoas a receber a vacina em Viena, na Áustria, neste domingo (27). Portugal, Alemanha, França, Bulgária, Polônia, Grécia, República Tcheca, Croácia, Dinamarca, Chipre e Sérvia também iniciaram suas campanhas.

Araceli Hidalgo, primeira pessoa a receber a vacina na Espanha, entre duas enfermeiras.
Araceli Hidalgo, primeira pessoa a receber a vacina na Espanha, entre duas enfermeiras.Olmo Calvo

América Latina

O México foi o primeiro país latinoamericano a iniciar sua estratégia de vacinação. Uma enfermeira foi a primeira a receber o imunizante no país na véspera de Natal. No mesmo dia, Chile e Costa Rica também começaram a vacinação, priorizando profissionais de saúde.

María Irene Ramírez recebe primeira vacina no México.
María Irene Ramírez recebe primeira vacina no México.EDGARD GARRIDO (Reuters)

Suíça, Hungria e Eslováquia

Uma idosa de 90 anos que vive em uma casa de repouso foi a primeira a ser vacinada na Suíça, no dia 23 de dezembro. Três dias depois, Eslováquia e Hungria também iniciaram suas campanhas. Neste último, as vacinas recebidas da Pfizer imunizarão 4.875 pessoas.

Israel e Arábia Saudita

Em Israel e na Arábia Saudita, líderes políticos foram os primeiros a serem vacinados, no dia 19 de dezembro. A imunização da população em Israel só começou uma semana depois que o primeiro ministro Bejanmin Netanyahu recebeu a injeção.

Rússia

Na Rússia, onde é desenvolvida a vacina Sputinik V, os imunizantes começaram a ser aplicados no dia 5 de dezembro, antes mesmo da conclusão da fase três de testes da vacina, que já havia sido previamente aprovada em agosto para uso emergencial.

China

A China, país onde o novo coronavírus foi identificado no final de 2019, também diz já ter começado a vacinar a população. Segundo um oficial da Comissão Nacional de Saúde da China, mais de um milhão de pessoas foram vacinadas no país asiático com medicamentos da Sinovac e da Sinopharm. A vacina da Sinopharm também está sendo usada na imunização dos Emirados Árabes Unidos.

Reino Unido, EUA e Canadá

O Reino Unido foi o primeiro país do ocidente a iniciar a vacinação, no dia 8 de dezembro. Por enquanto, o governo britânico está usando apenas o imunizante da Pfizer, mas o CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, afirmou neste fim de semana que a vacina desenvolvida pelo laboratório pode ser aprovada pelas autoridades britânicas neste mês de janeiro. Após o Reino Unido, Estados Unidos e Canadá também começaram a vacinar a população. Estes foram os três primeiros países do mundo ocidental a arrancar com suas estratégias. Bahrein, Sérvia, Omã, Catar e Kuwait também já aplicaram as primeiras doses.

Um paciente recebe a vacina da Pfizer no Reino Unido, em 8 de dezembro.
Um paciente recebe a vacina da Pfizer no Reino Unido, em 8 de dezembro.Efe

Enquanto isso, o Brasil segue sem data definida para aplicar as primeiras doses de vacinas nacionalmente. O presidente Jair Bolsonaro tem dito que não “dá bola” nem se sente pressionado pelo avanço da vacinação no mundo. Neste domingo, porém, ele falou em “pressa” por uma vacina, mas voltou a argumentar “responsabilidade por reações adversas” para justificar o atraso do Governo em dar respostas concretas. “Temos pressa em obter uma vacina, segura, eficaz e com qualidade, fabricada por Laboratórios devidamente certificados. Mas a questão da responsabilidade por reações adversas de suas vacinas é um tema de grande impacto, e que precisa ser muito bem esclarecido. O Presidente da República, caso exercesse pressões pela vacina, seria acusado de interferência e irresponsabilidade”, afirmou.

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Posted by Jair Messias Bolsonaro on Sunday, December 27, 2020

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