Bolsonaro nega nepotismo para indicar Eduardo à embaixada dos EUA

Filho do presidente afirma que contaria com ajuda de "colegas do Itamaraty" e lembra intercâmbio em que fritou "hambúrguer nos EUA"

Eduardo Bolsonaro acompanha o presidente Jair Bolsonaro em visita a Trump
Eduardo Bolsonaro acompanha o presidente Jair Bolsonaro em visita a TrumpCHRIS KLEPONIS / POOL (EFE)
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Seria um grande presente de 35º aniversário. O presidente Jair Messias Bolsonaro estuda a possibilidade de nomear seu filho Eduardo, o deputado federal mais votado do Brasil, como embaixador em Washington, a representação diplomática mais apreciada. Eduardo Bolsonaro, que atua extraoficialmente como chanceler, defendeu suas credenciais nesta sexta-feira e respondeu às críticas de nepotismo: “Não sou um filho de deputado (em referência ao presidente) que está do nada vindo a ser alçado a esta condição. Tem muito trabalho sendo feito, sou presidente da Comissão de Relações Exteriores (da Câmara), tenho uma vivência pelo mundo”. O deputado, que estava saindo do Palácio do Itamaraty, sede do ministério e casa materna da sofisticada diplomacia brasileira, acrescentou: “Já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos EUA, no frio do Maine”, disse.

O presidente também rebateu as críticas nesta sexta-feira. Em uma live nas redes sociais, Bolsonaro disse que jamais o indicaria se considerasse que a ação se configura como nepotismo. “Alguns falam que é nepotismo. Essa função, tem decisão do Supremo, não é nepotismo, eu jamais faria isso. Ou vocês acham que devo aconselhar o Eduardo a renunciar o mandato e voltar a ser agente da Polícia Federal?”, afirmou o presidente.

O terceiro dos filhos de Bolsonaro completou na quarta-feira 35 anos, a idade mínima para ser embaixador neste país. Eduardo se referiu à oferta de seu pai, com quem analisará pessoalmente o assunto no domingo, depois de se reunir com o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Respondendo à estupefação, às críticas e às acusações de nepotismo, o deputado Bolsonaro ressaltou que vai precisar “da ajuda dos colegas do Itamaraty, dos diplomatas, porque vai ser um desafio grande. Mas tem tudo para dar certo”. O Senado teria de ratificar a nomeação.

Cabe a possibilidade de que não seja o único “filho de” anunciado como embaixador nestes dias. Fontes do Governo brasileiro informaram ao jornal O Globo que Donald Trump cogita nomear seu filho Eric como embaixador no Brasil, cargo que está vago.

A nomeação de Eduardo está em gestação, mas não é certeza. Um ministro acrescentou uma boa dose de ceticismo nesta sexta-feira. “É um processo que logo veremos se é confirmado. Ele [Jair Bolsonaro] não disse que a embaixada iria para Jerusalém? E onde está? Em Tel Aviv. O presidente tem momentos desses”, afirmou o ministro da Secretaria de Governo, o general da reserva Luiz Eduardo Ramos, em um café da manhã com a imprensa.

O presidente encabeça um clã político que, além do deputado Eduardo, inclui Flavio, senador pelo RJ, e Carlos, vereador no Rio de Janeiro.

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