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Zoológico de Barcelona adere ao animalismo após 127 anos de história

Funcionários param contra norma que proíbe reprodução dos animais se não for para repor espécies ameaçadas

Zoo Barcelona
Um rinoceronte no zoológico de Barcelona.

As elefantas, leões, camelos, girafas e ursos do zoológico de Barcelona em breve serão história, depois que a Câmara Municipal da capital catalã aprovou nesta sexta-feira uma regra de proteção de animais para transformar essa instalação no primeiro parque zoológico “animalista” da Europa. Uma mudança que motivou protestos dos trabalhadores da instituição, que consideram que a equipe de Governo da prefeita Ada Colau, com apoio de parte da oposição, pôs a primeira pedra do que em poucos anos representará a desativação do zoo, inaugurado em 1892.

O regulamento aprovado determina que o zoológico não promoverá mais a reprodução de espécies que não estiverem em perigo de extinção. Assim, cangurus, elefantes e ursos desaparecerão quando os atuais exemplares morrerem. O documento aprovado na manhã desta sexta determina também que os espécimes que se encontrarem em boas condições deverão ser transferidos a algum “santuário, refúgio ou equivalente”. Atualmente, cerca de 2.000 animais de 300 espécies vivem no zoo de Barcelona.

O ativista Leonardo Anselmi (que também coordenou a iniciativa legislativa popular para abolir as touradas na Catalunha) promoveu uma rede de zoológicos que batizou de Zoológicos pela Mudança. Por enquanto, são poucos os parques que já adotaram este modelo, embora na Argentina comecem a trabalhar nesse sentido o ecoparque de Mendoza e o de Buenos Aires.

A iniciativa popular promovida pela entidade animalista Libera conseguiu modificar o estatuto da instituição e atingir diretamente os critérios de reprodução das espécies. Alejandra García, a ativista do Libera que leu no plenário a proposta de alteração antes da sua votação, disse estar “feliz” por já saber para qual santuário, no sul da França, serão levadas as três elefantas de Barcelona, chamadas Susi, Yoyo e Bully.

Os animais que não tiverem condições de seguir o mesmo caminho ficarão no zoológico, e a direção tem três anos para conceber um projeto para cada espécie. Entre os objetivos previstos está também a recuperação da fauna em diversas zonas. Por isso, o documento deverá “especificar, entre outros aspectos, como a reprodução desses animais contribuirá com benefícios quantificáveis para a conservação e viabilidade da espécie e do habitat natural objeto de conservação em curto, médio e longo prazo, bem como as fases nas quais se realizará a reintrodução ou reforço de populações na natureza. Todos os projetos de espécie deverão conter a reintrodução ou o reforço populacional em alguma de suas fases”. De tal maneira que, se os documentos não assegurarem que as espécies possam ser liberadas em um determinado prazo, deixarão de se reproduzir.

Segundo os funcionários do zoológico, isto representa o fim do parque, porque a maioria das espécies se reproduz para sua conservação, uma vez que não há programas de reintrodução na natureza, e os experimentos já feitos sempre acabaram com péssimos resultados — a morte do animal criado em cativeiro. De fato, atualmente apenas 11 espécies do zoológico de Barcelona podem ser reintroduzidas na natureza: o sapinho-parteiro-de-Maiorca, o picanço-pequeno, a tartaruga mediterrânea, o tritão-de-Montseny, a gazela-dorca, o colhereiro-europeu, a garça-branca-pequena, o mocho-d’orelhas, o cágado-mediterrâneo, o abutre-preto e o abutre-fouveiro. García foi taxativo quanto a isso: “Se animais como os símios não podem viver na natureza, deixaremos de reproduzi-los mesmo que se encontrem em perigo de extinção. Não podemos permitir que haja indivíduos que estejam predestinados a viver mal em jaulas”.

A nova normativa também proíbe o abate de animais saudáveis por problemas de consanguinidade. Além disso, o regulamento acaba com o associacionismo que garantia a sobrevivência dos parques atuais. A Prefeitura de Barcelona se desliga das redes internacionais de zoológicos que intercambiam animais para evitar consanguinidades e garantir o futuro das espécies.

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