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Supremo autoriza investigação contra Onyx, futuro ministro de Bolsonaro

Pedido feito pela PGR aponta que deputado teria recebido 200.000 reais de caixa dois da JBS

O deputado Onyx Lorenzoni em reunião no Planalto.
O deputado Onyx Lorenzoni em reunião no Planalto. Governo de Transição

Principal articulador do Governo Jair Bolsonaro (PSL) e seu futuro ministro da Casa Civil, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) será investigado pelo crime de caixa dois, que ocorre quando um político recebe doações eleitorais e não as registra oficialmente. Nesta terça-feira, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de investigação a pedido da Procuradoria-Geral da República.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, em maio de 2017, Lorenzoni admitiu ter recebido 100.000 reais ilegalmente da empresa de alimentos JBS na campanha eleitoral de 2014, quando foi eleito para cumprir o seu quarto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados. Na ocasião, ele afirmou que o valor era para ajudá-lo a pagar dívidas contraídas durante o pleito e ainda que deveria ser punido, o que não ocorreu até agora. “Final da campanha, reta final, a gente cheio de dívidas com fornecedores, pessoas, eu usei o dinheiro. E a legislação brasileira não permite fazer a internalização desse recurso”, afirmou. Ele ainda pediu desculpas ao seus eleitores e assumiria seus erros perante o Ministério Público e o Judiciário. "Vou falar a verdade, mesmo que essa seja verdade seja dura contra mim”.

No mês passado, o jornal Folha de S. Paulo revelou que, em 2012, quando não disputava eleição, mas comandava o diretório de seu partido no Rio Grande do Sul, teria recebido mais 100.000 reais da mesma JBS. Sobre essa denúncia, ele não negou o crime, apenas afirmou que nada teme. “Não é a primeira vez que o sistema tenta me envolver com a corrupção. Alto lá, sou um combatente contra a corrupção e essa é a história da minha vida”, afirmou na ocasião. Após a autorização do STF, Lorenzoni não se manifestou oficialmente. Ele foi o relator do projeto de lei de iniciativa popular denominado “Dez Medidas Contra a Corrupção”.

O pedido de investigação foi apresentado no dia 26 de novembro. Baseou-se no acordo de delação premiada feito por seis ex-executivos da JBS, incluindo os então controladores da empresa, os irmãos Joesley e Wesley Batista. Os delatores entregaram uma planilha aos investigadores com supostos repasses financeiros não contabilizados feitos para dez deputados e senadores. Entre eles, estava Lorenzoni.

Na denúncia, a procuradora-geral, Raquel Dodge, traz o relato de que a J&F, holding da JBS, fazia pagamentos a partidos e a políticos sem contrapartidas específicas. “O que se queria era com esses pagamentos era que os beneficiários se tornassem ou continuassem benevolentes ou simpáticos a J&F e que, se surgisse o interesse dessa empresa em obter algum deles um ato de ofício certo e determinado, fosse possível no mínimo tentar um pleito sem negociação específica”. Era uma clara tentativa de interferir no processo político nacional.

Outros nove parlamentares também são alvo da mesma investigação, autorizada por Fachin. Entre eles estão figurões da política nacional como o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (MDB-AL), os ex-ministros do Governo Dilma Rousseff deputado Marcelo Castro (MDB-PI) e senador Eduardo Braga (MDB-AM), além do presidente do Partido Progressista, senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os demais investigados são: os deputados Alceu Moreira (MDB-RS), Paulo Teixeira (PT-SP), Jeronimo Goergen (PP-RS), Zé Silva (SD-MG) e o senador Wellington Fagundes (PR-MT). Todos eles tiveram os pedidos de investigação analisados pelo STF porque cometeram o suposto delito em decorrência do cargo que ocupam e seguirão com a prerrogativa de foro privilegiado em 2019 porque neste ano foram eleitos para cargos no Congresso.

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