Dólar volta a subir em reação a nova pesquisa eleitoral

Moeda fechou o dia cotada em 4,05 reais, maior valor desde 2016, no sexto dia consecutivo de alta

Cotações e moedas estrangeiras em uma casa de câmbio no Rio de Janeiro
Cotações e moedas estrangeiras em uma casa de câmbio no Rio de JaneiroMARCELO SAYÃO (EFE)

O real atingiu seu nível mais baixo desde fevereiro de 2016 devido à incerteza política em relação às eleições presidenciais. O dólar fechou esta quarta-feira, 22, sendo cotado em 4,05 reais, sexto dia consecutivo de queda. Pesquisa Datafolha divulgada hoje indica avanço da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente na prisão. Ele aparece com 39%, seguido pelo líder da extrema-direita, Jair Bolsonaro, com 22% se Lula for excluído da eleição, enquanto o favorito dos mercados, o tucano Geraldo Alckmin, estancou em um só dígito, 9%. Nenhum dos candidatos detalhou seu programa de reformas nem de ajustes necessários a uma economia com fraco crescimento e elevada dívida pública.

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Outro fator que influencia a oscilação do real é o cenário externo. O Brasil é especialmente vulnerável à crise na Turquia dada sua dependência do investimento externo (60 bilhões de dólares em 2017) e ao fato de compartilhar muitos desses investidores externos, especialmente os bancos europeus, com o país euroasiático. Em uma recente entrevista à Bloomberg, a professora da Harvard, Carmen Reinhart, advertiu que a extensão do contágio da crise turca será medida por seu impacto sobre o Brasil. A maior economia da América do Sul encolheu 1% no segundo trimestre, justo quando deixava para trás sua pior recessão em um século, devido à greve de caminhoneiros que paralisou o país durante 11 dias em maio.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta um crescimento de 1,8% para a economia brasileira neste ano, depois do 1% registrado em 2017, o que representa uma recuperação muito pequena para um país emergente. A dívida pública rondava os 84% no final de 2017.

Em episódios anteriores de vulnerabilidade cambial, o Banco Central não hesitou em intervir no mercado para conter a desvalorização do real. A última vez foi em junho, quando conseguiu estabilizar a moeda por alguns dias em torno de 3,70.

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