Caso Marielle Franco

Polícia do Rio prende dois suspeitos de envolvimento na morte de Marielle

Ex-PM e ex-bombeiro foram apontados por testemunha como ligados a miliciano que teria planejado execução da vereadora. Prisão desta terça se deve à suspeita de terem praticado duplo homicídio no ano passado

Marielle Franco, em novembro de 2017 na Câmara dos Vereadores do Rio.
Marielle Franco, em novembro de 2017 na Câmara dos Vereadores do Rio.Mário Vasconcellos (EFE)

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A Delegacia de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta terça-feira dois homens que são suspeitos de integrarem a milícia de Orlado Oliveira de Araújo, conhecido como Curicica e apontado por uma testemunha de ter ordenado, junto com o vereador Marcello Siciliano (PHS), a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL). Os detidos são o policial militar reformado Alan Nogueira, conhecido como Cachorro Louco, e o ex-bombeiro Luís Cláudio Barbosa. A razão de terem sido presos nesta terça-feira é outra: ambos são acusados de terem participado dos homicídios de um PM e um ex-PM em Guapimirim, na Baixada Fluminense, em fevereiro de 2017, à mando de Orlando da Curicica.

A informação de que ambos teriam participado do duplo homicídio partiu da mesma testemunha que apontou o envolvimento de Siciliano e Orlando de Curicica na execução da vereadora. O teor do depoimento foi revelado pelo jornal O Globo no dia 8 de maio. Segundo a publicação, o delator apontou que Cachorro Louco estava no carro que interceptou o veículo de Marielle e de onde saíram os nove disparos que acabaram com a vida da vereadora e do motorista Anderson Gomes, na noite do dia 14 de março deste ano. Ainda segundo o jornal, a estratégia dos investigadores com as prisões desta terça é desestruturar a quadrilha de Orlando de Curicica para elucidar o crime contra a vereadora.

A Polícia Civil não confirma oficialmente que os dois suspeitos presos estão também sendo investigados pelo envolvimento na morte da vereadora. Diz que o caso segue sob sigilo. No entanto, o delegado Willians Batista, responsável pela investigação do duplo homicídio ocorrido no ano passado, confirmou a jornalistas que a apuração também se estenderá ao caso envolvendo a parlamentar. "O caso Marielle está sob sigilo, não está sob minha responsabilidade. Mas essa mesma testemunha que deu início às investigações que culminaram nas duas prisões de hoje, também colocou os dois presos no caso Marielle. O teor dessa participação, de que forma teriam atuado, ainda está sob investigação. Eles serão ouvidos no caso Marielle e a gente espera que dali também possa surgir uma linha no caso Marielle", disse ao G1.

Amigos e familiares de Marielle mantêm cautela sobre o depoimento dessa testemunha. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) declarou recentemente a este jornal que o vazamento dessa delação atrapalhou as apurações e serviu para desviar o foco da polícia. 

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