Ex-modelo da Playboy é liberada do contrato que a impedia de contar sua aventura com Trump

Karen McDougal chega a um acordo legal com o editor do ‘National Enquirer’, a quem acusava de comprar a história para enterrá-la durante a campanha

Karen McDougal, em um evento da Playboy em 2010.
Karen McDougal, em um evento da Playboy em 2010.AFP
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A ex-modelo da Playboy, Karen McDougal, anunciou na quarta-feira que chegou a um acordo legal para quebrar o contrato de confidencialidade que a impedia de contar à imprensa uma aventura que teria tido com Donald Trump. O acordo significa que McDougal agora pode vender sua história. O processo de McDougal foi o segundo conhecido, depois do da atriz pornô Stormy Daniels, para se livrar dos contratos de confidencialidade com que foram silenciadas no verão de 2016, coincidindo com a campanha presidencial de Trump.

O grupo editorial American Media Inc. (AMI) pagou a McDougal 150.000 dólares (500.000 reais) naquele verão para ter a exclusividade de publicar uma aventura sexual que a modelo diz ter vivido com Trump em 2007. A AMI publica o National Enquirer, um tabloide de fofocas. O presidente da AMI é David Pecker, amigo de Donald Trump e fervoroso partidário do presidente.

A história nunca foi publicada. Como o contrato dava à AMI a exclusividade da história, McDougal ficaria sujeita a ações legais se contasse sua aventura em outro lugar. Além disso, outras cláusulas, como a publicação de uma coluna de conselhos de McDougal e sua presença em uma capa, não foram cumpridas. McDougal está convencida de que foi uma operação para “caçar e matar”, como se diz no jargão jornalístico dos Estados Unidos, isto é, comprar uma história para enterrá-la. Michael Cohen, advogado de Trump, participou das negociações do contrato, segundo McDougal.

McDougal denunciou o contrato de exclusividade em um tribunal de Los Angeles após outra queixa semelhante, apresentada pela atriz pornô Stormy Daniels, para quebrar um contrato que a impede de falar sobre outra aventura sexual com Trump. Ambas as denúncias serviram para que o público visse, pela primeira vez, como são os contratos de confidencialidade com os quais homens poderosos são protegidos da divulgação de suas aventuras sexuais.

O acordo amistoso anunciado na quarta-feira encerra o processo de McDougal. De acordo com os termos firmados, a AMI receberá 10% dos lucros obtidos por McDougal com a venda sua história, até um máximo de 75.000 dólares. A modelo será capa da Men’s Journal, uma revista do grupo, e também publicará as colunas de dicas de fitness que lhe prometeram na ocasião. McDougal não precisa devolver os 150.000 dólares.

O caso abre um precedente diante da ação movida por Stormy Daniels. O principal perigo desses dois processos era que os juízes quisessem esclarecer os fatos (o presidente nega os casos extraconjugais, que ocorreram quando estava casado com Melania Trump havia um ano e seu filho tinha apenas alguns meses de idade) e chamassem Trump para depor.

A decisão da AMI de chegar a um acordo, aparentemente muito favorável a McDougal, acontece uma semana depois de o FBI revistar os escritórios e a residência de Michael Cohen, o advogado pessoal de Trump e a pessoa que estaria por trás da negociação para silenciar a modelo. Na operação, segundo fontes da investigação mencionadas pela imprensa norte-americana, os agentes procuravam documentação sobre os pagamentos para comprar o silêncio dessas duas mulheres. Esses pagamentos estão sob suspeita porque, como tinham o objetivo de favorecer a imagem de Trump como candidato, podem ser considerados doações ilegais para a campanha.

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