CASO MARIELLE FRANCO

Irmã de Marielle Franco: “Só tinham essa forma de calar a minha irmã”

Protesto contra morte da vereadora reuniu centenas de pessoas em frente à Maré neste domingo

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Quatro dias após o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), a mobilização social nas ruas do país estava longe de ser silenciada. Na tarde deste domingo, dia 18, centenas de pessoas caminharam pela Linha Amarela, em frente ao Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, para protestar contra a morte da ativista. Empunhando faixas e imagens de Marielle, o grupo pedia justiça e gritava contra a tentativa de silenciá-la.

Uma das vozes mais presentes desde a noite do crime, a irmã de Marielle, Anielle Franco, ainda tentava achar uma explicação para a barbaridade: "O que matou ela foi o que ela lutava. Ela lutava por tudo de minoria, ela era contra intolerância, preconceito, ela era contra racismo [...] A pergunta que fica para mim é 'por que mataram ela?'. Por que ela era negra, por que ela era favelada, por que ela defendia os pobres, os negros, os homossexuais? Eu não sei quem matou, mas eu sei que eles não esperavam, eu sei que o que levou a matar é que ela mexia em coisas que muita gente tinha medo de mexer. Ela batia no peito e falava que era homossexual, falava que ela tinha vindo da Maré, falava que ela negra, favelada. Eu acho que isso incomodava um pouco [...] Só tinham essa maneira de calar minha irmã. Só matando ela. Se não matam a Marielle, ela hoje ia estar mais longe. Eu acredito até Senado, Governo, não sei. Mas se não calam ela dessa maneira, ela ia alçar hoje voos muito mais altos". 

Também presente no ato, a fundadora do 'Movimento Moleque', Monica Cunha, tinha outra explicação para o crime: "Vou te dizer que quem matou foi a sociedade, foi o país, porque é um pais racista, porque é um pais fascista. A gente não pode dar nome, porque eu não estava, porque eu não sei e a gente não pode ser leviano. Mas eu posso dizer que um país matou e mata todo dia o povo negro".

O protesto da Maré durou cerca de quatro horas e se somou a outros que tomaram as ruas em diversas partes do país desde o dia 15. Se o assassinato de Marielle buscou silêncio, encontrou ruído: "A gente vai continuar gritando, a gente vai continuar reagindo porque somos sobreviventes. Sobreviventes da fome, da bala, da falta de moradia. Agora eles vão ter que engolir Marielle. Vão ter que engolir cada uma de nós. Vão ter que saber que cada mulher preta que sai da favela de cabeça erguida, olhando para o alto, de punho cerrado, com ódio no olho, é Marielle Franco", dizia uma das vozes de luta ao microfone.

Os depoimentos foram gravados em vídeo pelo portal pavio.net.