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Guia EL PAÍS de botecos com mais delícias que estrelas

Verão anima espírito boêmio da equipe e vamos em bando atrás de quitutes e geladas em São Paulo

Bebidas no Estepe bar.
Bebidas no Estepe bar.

Com a chegada do verão o espírito boêmio da equipe do EL PAÍS Brasil fica ainda mais aflorado, e nós saímos da redação em busca de refresco nos bares, botecos e restaurantes de São Paulo. O resultado dessa fuga do trabalho rumo aos prazeres etílicos e gastronômicos da cidade você encontra nesta listinha abaixo. Veja, caro leitor, não somos sommeliers de cervejas, drinks ou petiscos. Nossas preferências muitas vezes passam longe do Guia Michellin. Não ligamos para copos de cerveja levemente sujos ou mesas engorduradas, mas adoramos lugares aconchegantes onde é possível passar horas em boa companhia, tomando delícias geladas e degustando boas friturinhas. Veja abaixo os pés-sujos (e outros nem tão sujos assim) que fizeram a cabeça da equipe este ano.

Bar do Berinjela

A casa existe há mais de 50 anos. Mas eu tenho a desculpa de viver em São Paulo há menos de dez, então esta cidade e eu ainda estamos nos conhecendo. Em uma esquina do bairro Tatuapé, com um balcão e várias mesinhas espalhadas, o bar do Berinjela preserva o ambiente família, comandado pelo casal Manuel e Débora Leitão. A sócia-proprietária é também a responsável por todos os petiscos que saem da cozinha, enquanto Manuel pilota a chapa. Prove o bolinho de berinjela com queijo e calabresa e o quibe de berinjela, se estiver num humor redundante. O pastel de bacalhau vem sequinho e também é uma boa pedida para acompanhar a cerveja. Praça 20 de Janeiro, Tatuapé. Por MARINA ROSSI.

Fatiado Discos e Cervejas Especiais

O lugar é um combo de loja de vinis (tem Tim Maia, Sabotage e Mutantes), bar (com um terraço delicioso pros dias quentes) e pista de dança. Lá você toma chopp artesanal Schornstein e uma dezena de boas cervejas nacionais e gringas. Na pista de dança rola reggae, ska, rap, punk e música brasileira. Às terças-feiras a casa faz o Jantar dos Refugiados, com imigrantes sírios e palestinos comandando os fogões e preparando delicias tradicionais do oriente médio. Além disso, a casa conta com a discotecagem esporádica dos magos KL Jay e DJ Nuts, tocando pepitas do rap, samba, MPB e funk. O lugar é tão legal que o cantor Wander Wildner, que tocou com a banda punk Replicantes nos anos 80, foi enxotado do palco pela equipe da Casa durante uma de suas apresentações por ter sido machista. Ele reclamou durante um show que “nenhuma vadia me traz uma cerveja”. Microfone cortado. Não passarão. Av. Prof. Alfonso Bovero, 382, Sumaré. Por GIL ALESSI.

Al Janiah

Comida boa, música de qualidade e drinks que carregam uma causa. No coração do Bixiga, bairro italiano no centro de São Paulo, esse boteco-restaurante e espaço político-cultural comandado por imigrantes de origem palestina divide desde 2016 a atenção da cena local com as tradicionais cantinas e pizzarias. Além do delicioso menu árabe a preços justos —no cardápio, há pratos especiais entre 16 e 35 reais, fora as pastinhas e sanduíches— o local emprega uma equipe formada por refugiados de várias partes do mundo, que servem com gentileza os clientes identificados nas comandas individuais por seus nomes escritos em árabe. Com três ambientes (um externo, um restaurante no andar superior e uma área para shows com bar no piso térreo), o Al Janiah tem uma programação semanal cultural autêntica e diversificada: num dia, a festa fica por conta de um grupo de músicos congoleses; no outro, a música dá espaço ao lançamento de um livro ou um debate sobre a situação dos palestinos em Israel. Serve cervejas de garrafa de 600ml, mas vale experimentar um Palestina Libre, o drink-chefe da casa, feito com arak (bebida tradicional do Oriente Médio), hortelã, pimenta biquinho e cachaça artesanal. Rua Rui Barbosa, 269, Bixiga. Por MARINA NOVAES.

Sucesso's Bar

Em uma travessa da rua da Consolação, pouco atrás da Praça Roosevelt, é possível encontrar aquele que talvez seja o maior e mais saboroso kibe já registrado na cidade. Uma unidade alimenta até dois adolescentes, e a rara edição para aniversariantes serve quase meia dúzia. Outros petiscos disponíveis no cardápio são as coxinhas feita com massa de batata - elas também vem em tamanho família. Apesar da apóstrofe chique no nome, as mesas e cadeiras de plástico espalhadas pela calçada denunciam: esse é um típico bar frequentado por universitários e jovens. Com o famoso "litrão" das cervejas mais conhecidas do mercado custando 8 reais, o Sucesso’s não decepciona seu público alvo. Além disso, o bar possui uma jukebox para os nostálgicos fãs de Belchior escutarem aquelas antigas. Rua Doutor Cesário Motta Junior 580 e 367, Centro. Por BEATRIZ SANZ.

Fôrno

Misto de bar e restaurante, o Fôrno surgiu em julho deste ano entre Higienópolis e Santa Cecília e já provoca longas filas. O lugar agrada em todos os quesitos: a comida é deliciosa, os drinks são ótimos e o ambiente é mais do que agradável. Comecemos pelo último. O Fôrno está em uma discreta casa com uma portinha quase invisível. Ao subir uma escada de madeira você encontrará um aconchegante salão com paredes descobertas, grafites e uma cozinha totalmente visível, separada apenas por uma estrutura de ferro e vidro. Dá para sentar num espaçoso balcão para acompanhar a movimentação dos chefes preparando as pizzas, feitas com farinha napolitana e fermentação natural - demora 48 horas para ficar pronta -, ou os sanduíches com pães artesanais. Peça o sanduíche de pastrami, feito com pão de campagna, picles de pepino caseiro e maionese de mostarda, e acompanhado de batata frita. Ou uma pizza individual - qualquer sabor está valendo. Ou os dois. Há também uma boa carta de drinques, dos clássicos às invenções próprias, todos preparados caprichosamente. Eu provei e recomendo o Fitzgerald. A seleção musical, excelente, mistura rock, pop, soul e jazz. Tudo parece ter sido pensado e preparado meticulosamente. E na medida certa. Ah, e não vá embora sem comer de sobremesa o pudim de lata. Rua Cunha Horta, 70, Vila Buarque. Por FELIPE BETIM.

Estepe

É difícil apontar um novo bar em Pinheiros, já que faz dois anos o bairro vive um boom etílico e gastronômico. Quase toda semana há um espaço novo em uma das regiões com maior concentração de hipsters da cidade. O Estepe, que tem menos de seis meses, tem a vantagem de ficar no meio do caminho entre um simples botequim e um barzinho descolado. Na esquina da Rua Cunha Gago com a Édson Dias, ele tem um cardápio de drinques originais por 17 reais, mas também serve cerveja por 12. E ainda há uma vantagem: logo ao lado a hamburgueria Buzina serve lanches para os clientes do bar. É ótimo, mas corra, porque, como tudo em Pinheiros, já está ficando lotado de terça à domingo, das 19h às 2h. Rua Cunha Gago, 588, Pinheiros. Por ANDRÉ DE OLIVEIRA.

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