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iPhone X: as surpresas do novo queridinho da Apple

Empresa renova funções com um iPhone icônico que se destaca pela câmera e vicia com os animojis

O iPhone X.
O iPhone X.THOMAS PETER (REUTERS)

O primeiro contato com o iPhone X foi no dia do lançamento. Foi uma jornada cheia de estímulos. Novo Apple Watch, dois iPhone 8 e este iPhone X. As sensações foram muito boas, mas ficamos querendo mais, deu vontade de testá-lo em situações reais. A pressa para contar as novidades não nos permite descrever com a profundidade que merece um aparelho de preço alto e grande expectativa.

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Em São Francisco, desde que as reservas começaram na última sexta-feira, o assunto das rodas de amigos e colegas de trabalho é quando chegará o aparelho que superou todas as previsões. Na segunda-feira a Apple disse à Reuters que as reservas haviam superado as expectativas. A Wall Street fechava premiando a situação com uma alta de 3% no preço das ações. Naquele momento, púnhamos nossas mãos, novamente, no iPhone X. Desta vez não era no novo campus, mas na mítica sede do Infinite Loop.

Primeiros detalhes

O primeiro detalhe se percebe assim que ele sai da caixa. Ao ligar, o aparelho detecta que há outro iPhone por perto, o 8 Plus que usamos normalmente, e pergunta se queremos configurar como novo iPhone ou como réplica do habitual. Sim, é algo que o Android também faz, criar uma cópia do conteúdo, mas não com esse toque de magia e facilidade. Sem a necessidade de abrir qualquer menu, ele oferece, exatamente, o que quase todos os compradores vão querer.

Depois de uma tarde usando o telefone mais popular do mundo não podemos dar um veredito sobre a duração de sua bateria ou o tempo de recarga, que já é sem fio, mas podemos prever que vai marcar uma grande mudança em muitos aspectos.

O primeiro e mais evidente é na interação. O botão home desapareceu. Era um salva-vidas, um seguro inconsciente para começar de novo quando se queria sair de uma ação. Não há nenhum botão na parte da frente, só uma grande tela de 5,8 polegadas e, pela primeira vez, de OLED, com tons muito mais condizentes com a realidade.

Os gestos são novos, para ir às notificações, para fechar um app, para fazer uma captura de tela… você logo se acostuma, mas a familiaridade anterior se perde.

Como nos disseram na Apple, “é quase como tocar o software”. Eliminados os marcos da tela, a parte dianteira deixa todo o protagonismo para a imagem. É tudo vidro. Na parte traseira também, sete capas prometem máxima resistência. O chassi é metálico e lembra muitíssimo o primeiro iPhone. O iPhone X é resistente a poeira e água. Isso não quer dizer que pode ser colocado tranquilamente na piscina, mas se cair ou se for levado um dia à praia não haverá drama.

Com o uso, vão se revelando aqueles truques tão marca da casa. Ao ver um vídeo do Netflix ou YouTube na horizontal, por exemplo, basta dar dois toques para exibir o conteúdo em tela inteira. Os alto-falantes estéreo são um salto notável quanto à qualidade. O chamado TrueTone, tonalidade natural da tela, é muito mais apreciado em séries de nova geração ou imagens de grande contraste.

O aspecto mais polêmico do celular é também o mais divertido, o reconhecimento facial. Logo no início da configuração, o aparelho oferece a opção de incluir nosso rosto como chave de desbloqueio. Isso substitui o rastro digital dos modelos anteriores. Depois de fazer dois círculos com a cabeça acompanhando os sinais da tela, o iPhone X é capaz de nos reconhecer, mas, se o usuário preferir, pode usar o padrão de seis números como antes. O desbloqueio fácil também serve para confirmar um pagamento com a Apple Pay ou acessar serviços que pediam o rastro, como o aplicativo do banco.

Depois de uma tarde usando o telefone mais popular do mundo não podemos dar um veredito sobre a duração de sua bateria ou o tempo de recarga, que já é sem fio

Se o usuário tiver barba, o iPhone X acompanha as mudanças. Quando o sujeito se barbear, o celular pedirá a chave no primeiro dia, mas irá aprendendo que sofreu uma mudança. Também é capaz de distinguir se está ou não de óculos. A tecnologia Face ID leva em conta as evoluções do rosto e o reconhece mesmo após as mudanças.

Esse seria o lado mais sério dessa tecnologia. O lúdico começa quando se descobre que os filtros do Snapchat são ainda mais divertidos, com uma adaptação especial baseada no AR kit, o conjunto de instruções de realidade aumentada que a Apple acaba de estrear.

Quando Craig Federighi, diretor de software, começou a brincar com emojis animados durante a apresentação, começou a chuva de críticas nas redes sociais: “Mil dólares por um frango que fala? Estão loucos?”. Têm razão, mas o efeito de ver um animal ou mascote reproduzindo gestos e enviar mensagens com essa máscara aos amigos é viciante. A Apple entendeu como se gera a viralidade e isso fica patente nos animoji.

O último aspecto em que se nota uma diferença real é a câmera: a dupla na parte traseira oferece aumento real sem perda de qualidade por interpolação. O tom da pele é mais real e também a estabilização mecânica se faz sentir especialmente nos vídeos. O flash é melhor que no 8. As duas câmeras estão dispostas na vertical e não na horizontal como no caso do 8 Plus. A Apple explica que essa disposição obedece a uma questão de organização de componentes, mas não afeta a funcionamento. O que se destaca de verdade é a câmera dianteira, a melhor de todas já feitas pela Apple nessa posição. O impactante modo retrato da câmera traseira, alcança notas surpreendentes na dianteira do iPhone X.

Na sexta-feira chegará às mãos dos primeiros compradores dispostos a pagar mais de mil dólares por um aparelho destinado a lançar uma tendência. Estamos desejando que nossos amigos também tenham os seus, para podermos passar horas e horas enviando chats com cara de frango, macaco ou unicórnio, o animal mitológico mais procurado no Vale do Silício. O aplicativo mais irrelevante quanto à utilidade real será, certamente, um dos mais compartilhados e usados com os entes mais próximos. Absurdo, sim, mas cheio de emotividade. Esse é o território no qual a Apple se move melhor.

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