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‘American Horror Story’: todas as temporadas, organizadas da pior à melhor

Para comemorar seu sétimo ano, analisamos o que mais gostamos da série de terror de Ryan Murphy

Neste 5 de setembro começou a nova temporada da American Horror Story (exibida no Brasil pelo canal FX). Voltam o terror e as loucuras do roteirista Ryan Murphy com seu elenco itinerante. Retornam também as loucuras, os fantasmas, Sarah Paulson e Evan Peters. E, claro, o desenfreio, o medo mais clássico e o gosto de criar algo visualmente atraente. Porque, embora sua história seja sempre nova e surpreendente, todas as temporadas compartilham inúmeros traços (e inclusive personagens). Este ano, na sétima temporada, a trama começa com um dos seus maiores golpes de efeito, que nasce como um trauma após a eleição de Trump. Um acontecimento que leva o protagonista a ver palhaços assassinos em cada esquina. Parece divertido e corrosivo e, embora nunca saibamos o que esperar do seu desenvolvimento, o bom é que, mesmo que acabe sendo decepcionante, você sempre pode deixar de assistir e voltar um ano depois para descobrir algo diferente. Se você deixou alguma temporada pelo caminho, com a renovação assegurada até a nona temporada, é um bom momento para olhar para trás e classificar nossas temporadas favoritas, da pior à melhor. Dessa forma, você saberá por onde começar e o que evitar. Embora talvez não seja necessário lembrar, a lista, claro, é subjetiva e aberta ao debate.

6 - Hotel, quinta temporada

Na primeira temporada sem a incomensurável Jessica Lange, sua ausência se fez notar. Vampiros que pareciam saídos de True Blood, com sexo desenfreado e elegância pop, haviam tomado um hotel infestado de terror gótico, assassinatos e quartos fantasmagóricos. Tudo parecia demasiado delirante, demasiado preocupado com sua imagem e, acima de tudo, com o que se vira em temporadas anteriores. Mas o que mais pesava era que não havia personagens que despertassem verdadeiro interesse. Nem mesmo as crianças albinas davam medo. Mais do que isso, até Lady Gaga (a substituta de Lange), que acreditava encarnar seu carisma e o poder, ficou rasa. Não transmitia nada. Ainda acordamos com pesadelos pensando que nessa temporada Gaga ganhou o do Globo de Ouro. Naquela noite Murphy nos assustou (sem falar de Leonardo DiCaprio). Aviso aos navegantes: neste ano a cantora quer o Oscar.

5 - Coven, terceira temporada

Coven tinha todos os ingredientes para ser brilhante. Uma localização icônica como Nova Orleans e um clube de bruxas liderado por Jessica Lange em que brilhavam as melhores atrizes de Murphy: Sarah Paulson, Angela Bassett, Taissa Farmiga, Emma Roberts e até Stevie Nicks. Mas algo falhou, a premissa não seduzia totalmente e, no final, esse clube de feitiçaria se tornou uma macabra academia de mutantes onde tudo se resolvia com confrontos entre as mulheres. Quase uma antecipação do que seria Scream Queens. Embora o glamour de Lange com aquele vestido preto e o chapéu de abas largas não se possa negar, estávamos mais à procura da loucura carnavalesca do Mardi Gras.

4 - Freak Show, quarta Temporada

Honrar os clássicos é o que a American Horror Story sempre quis fazer. Aqui, por exemplo, não escondeu que procurava modernizar O Monstro do Circo, de Todd Browning. Lange colocou o poder como mestre de cerimônias (Sua Life on Mars é um dos grandes momentos da série), Paulson colocou a alma com as Bette e Dot de duas cabeças e Finn Wittrock entrou com a loucura. Poucos vilões eram mais assustadores do que o efêmero palhaço Twisty, de John Carroll Lynch, que retorna este ano para continuar a nos fazer ter pesadelos. De fato, esse foi o primeiro ano, também, em que foram feitas referências diretas aos episódios anteriores (perdendo assim parte do foco antológico). A temporada teve altos e baixos, perdeu força no final (Neil Patrick Harris não tinha nada a fazer ali) e teve momentos de puro tédio, embora as interações do elenco coral consertassem tudo. Na verdade, nunca pudemos deixar de pensar que essa era uma versão ridícula da muito séria Carnivale.

3 - Roanoke, sexta temporada

A última temporada exibida até agora pode não ser a melhor, mas é a mais inesperada. Não só nada soubemos sobre ela antes da estreia, como, semana após semana, voltava a nos surpreender, às vezes com viradas metalinguísticas que davam um soco na mesa para mudar drasticamente o status quo e o formato cinematográfico de seus 10 episódios. Devemos agradecer por isso nos tempos de binge-watching. Para não mencionar o triplo salto mortal de Paulson, com até três personagens diferentes (um deles herdado diretamente de outra temporada), e as mensagens nada discretas (nada o é no universo Murphy) sobre a fama e até o racismo em sua trama. Mas é uma temporada que é melhor descobrir sem saber muito.

2 - Asylum, segunda temporada

Talvez seja a temporada mais completa, adulta e séria. Apesar de que na trama havia alienígenas e nazistas fazendo experiências loucas, também começaram a vislumbrar discursos sobre ódio, religião e a marginalização sexual que tão bem introduzem seus criadores às vezes nas situações mais camp e que desenvolveram em produções como Feud ou American Crime Story. A coisa mais aterrorizante nesse asilo de loucos cheio de freiras não é, no entanto, nenhum dos fenômenos paranormais e a morte infernal que os rodeia, mas a aura de solidão e desesperança que tem cada personagem. Até o momento musical de Lana Banana é angustiante. Uma das temporadas mais sombrias, pessimistas e mais bem escritas até a cena final. E, juntamente com as sempre destacadas Lange e Paulson, merece uma menção especial a demoníaca Lily Rabe.

1 - Murder House, primeira temporada

Muito mais contida, coerente e menos maluca do que qualquer outra (apesar do homem de lycra), a primeira temporada disputa intensamente o primeiro lugar com Asylum, embora as duas histórias sejam quase opostas. Essa casa de horrores se aprofunda no horror mais clássico, cheio de referências cinematográficas e sem grandes afetações: apenas uma família disfuncional, uma casa e fantasmas, muitos fantasmas. A sequência do tiroteio de escola em ritmo de Kill Bill continua sendo uma das mais aterrorizantes da série. Além de dar um papel à grande Connie Britton (que já deveria ter voltado), recuperou Jessica Lange para toda uma nova geração. Só por isso deveria ser um clássico. A partir desse papel secundário, aqui ela se tornaria a rainha de Murphy, lenda da televisão. Algo que nem sabíamos que queríamos.

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