A hora e a vez das intelectuais negras

Catálogo que põe em evidência o trabalho de 120 mulheres negras será lançado na Flip

a pesquisadora Giovana Xavier responsável pelo catálogo.
a pesquisadora Giovana Xavier responsável pelo catálogo.Robson Maia
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A 15ª edição da Festa Literária de Paraty (Flip) trará, além das tradicionais mesas de debate, uma novidade: o lançamento de uma obra, que no caso é o catálogo Intelectuais Negras Visíveis. O livro revela a produção de 120 mulheres negras em 12 diferentes campos de atuação que vão muito além da literatura ou da produção acadêmica. O catálogo será disponibilizado apenas nas plataformas online e foi desenvolvido pelo grupo de estudos Intelectuais Negras UFRJ e organizado pela professora Giovana Xavier. O lançamento acontecerá no dia 29 de julho na Casa Amado e Saramago, um dos núcleos paralelos da programação, e foi planejado pela curadora da Flip 2017, a historiadora e jornalista Joselia Aguiar, que se interessou pelo projeto depois de ler as críticas feitas por Xavier no ano passado quando a Flip não teve nenhum autor negro em suas fileiras.

Entretanto, as duas refutam que o convite seja uma resposta às reprimendas da pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ao evento anterior. Giovana conta que sentiu no convite um “movimento sincero” no sentido de acompanhar as transformações sociais que o Brasil está vivendo. Joselia, por sua vez, argumenta que a Flip é um evento de referência e excelência e por isso tem responsabilidade em acompanhar esses debates, que estão sendo pautados no mundo todo.

Capa do catálogo.
Capa do catálogo.Intelectuais Negras

A obra é ainda mais inovadora por dilatar o conceito estabelecido de intelectual já que não trata apenas da estudiosas validadas pelas universidades. “Observar a participação de mulheres negras em áreas como saúde, direitos humanos, empreendedorismo acaba contrariando o estereótipo de ler a mulher negra como uma coisa só, um objeto ou alguém sempre disponível para servir”, afirma Xavier. Intelectuais públicas e educação básica são dois campos de atuação que a pesquisadora trata como menina dos olhos. Segundo ela, o trabalho de professoras, é muito silenciado e este é um espaço importante pois é onde se educa as futuras gerações.

O catálogo não teve nenhum financiamento institucional. Para ganhar vida, as pesquisadoras da UFRJ contaram com o apoio de personalidades como a mestre em filosofia Djamila Ribeiro, o autor e escritor Lázaro Ramos, a dentista Marcia Alves e a jornalista Flávia Oliveira.

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