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Contra o ISIS, com eficácia

Hollande afirma que combater o Estado Islâmico no Iraque evitará atentados em casa e pode estar enganado

O líder curdo Barzani e Hollande passam tropas em revista em Erbil.
O líder curdo Barzani e Hollande passam tropas em revista em Erbil.SAFIN HAMED (AFP)
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Uma das armas mais poderosas do Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês) é sua disposição de combater todos os inimigos e em todas as frentes: no interior e no exterior. O ISIS se propõe a castigar o Ocidente e todos os muçulmanos que não abracem sua visão defensora extrema do wahabismo sunita do islamismo. Nos últimos dias, demonstrou isso novamente ao atingir Bagdá com novos atentados, como o desta segunda-feira, que deixou mais de 30 mortos em um bairro xiita, enquanto o presidente francês passava em revista suas tropas no Iraque, e ao reivindicar a ação de um terrorista que matou outras 39 pessoas em uma boate de Istambul, na noite de Ano Novo, outro brutal ataque quando ainda ressoam os ecos do atentado cometido com um caminhão em um mercado natalino de Berlim.

A mensagem é poderosa e nos recorda que o ISIS, em retirada de Mossul diante do avanço das forças iraquianas apoiadas por uma coalizão internacional, e na defensiva em várias localidades da Síria, não vai desaparecer facilmente. Apesar de ter perdido alguns vilarejos na Síria, mantém o controle de vastas áreas de território, multiplicou o recrutamento de combatentes estrangeiros e guarda sua capacidade para se apropriar ou capitalizar atentados cometidos pelos sanguinários lobos solitários que atuam na Europa e no Oriente Médio.

Hollande afirmou, nesta segunda-feira, que combater o Estado Islâmico no Iraque evitará atentados em casa, mas é fácil se enganar, da mesma forma que foram erradas todas as visões simplificadoras do jihadismo. Além do palco bélico, a derrota do ISIS deve passar por uma capacidade diplomática hercúlea para estender o cessar-fogo na Síria, pelo controle internacional ferrenho de todas as suas fontes de financiamento — que incluem o petróleo e a venda de tesouros artísticos que encontram um mercado — e por um intercâmbio de informações e inteligência que ainda não está ocorrendo com a intensidade necessária.

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