Leonard Cohen lançará um novo álbum no (seu) outono

Como os anteriores, ‘You Want it Darker’, é um disco breve: oito canções, com uma repetida

Leonard Cohen durante seu segundo e único concerto em Espanha em 2012.BERNARDO PEREZ | EL PAÍSundefined
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No final, ainda que seja sotto voce, devemos agradecer Kelley Lynch. A agente de Leonard Cohen esvaziou as contas do artista que, no fim de 2004, para sua surpresa, descobriu estar arruinado. Seguindo os conselhos de Lynch, Cohen havia trocado sua herança por um prato de lentilhas: vendeu os futuros direitos de suas gravações e sua discografia; por estes, já não receberia nada.

Outros teriam afundado na frustração. Cohen arregaçou as mangas e entrou em ação. Pediu empréstimos para litigar contra Lynch (e ganhou, mas não recuperou esses milhões que haviam evaporado de suas contas rumo a um misterioso fundo de investimento). Ao mesmo tempo, postergou a aposentadoria e voltou à música.

Fez isso com todas as consequências: uma banda numerosa, concertos longos, turnês. Assim fascinou um público que, pela idade, nunca tinha conhecido a atmosfera de seus recitais, a cumplicidade entre o artista e o público. E mais: voltou a gravar discos com canções novas, que não entravam no funesto acordo de Kelley Lynch com a Sony Music.

Até agora, nesta década, Cohen lançou três álbuns com músicas inéditas (quatro, se incluirmos Blue Alert, a colaboração com sua querida Anjani Thomas). Não lhe faltaram ajudantes: tanto Old Ideas (2012) como Popular Problems (2014) foram produzidos por Patrick Leonard, conhecido na indústria por seu trabalho com Madonna. Para o novo lançamento, no entanto, contou com Adam Cohen, filho do artista e cantor.

Um LP conciso

You Want it Darker é, como os anteriores, um disco breve: oito canções, com uma repetida. Leonard não se envergonha dele: gosta de afirmar que os LPs de country eram igualmente concisos e, muitas vezes, não chegavam à meia hora. Além disso, seus trabalhos são coerentes: Cohen prefere usar canções frescas, esboçadas em seu estúdio doméstico, em vez de recorrer à gaveta de peças inéditas que nunca foram gravadas oficialmente.

A faixa-título do álbum foi lançada num capítulo da série Peaky Blinders, numa cena de jogos eróticos com asfixia. A voz serena e a mensagem fatalista de Cohen são muito apreciadas no negócio da ficção televisiva: trazem gravitas a qualquer produto audiovisual. Muitos (decepcionados) telespectadores da segunda temporada de True Detective dizem que o melhor da série era a sequência de abertura, com Nevermind, de Cohen.

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