Os 17 alvos de Dilma e Temer na batalha final do impeachment no Senado

Na reta final do processo, dois lados se concentram em senadores que podem mudar voto

Reguffe (Sem partido-DF) e Cristovam Buarque (PPS-DF), senadores alvo de assédio.
Reguffe (Sem partido-DF) e Cristovam Buarque (PPS-DF), senadores alvo de assédio.Ana Volpe/Agência Senado

Enquanto a Comissão do Impeachment do Senado encerra sua fase de instrução com a presidenta afastada Dilma Rousseff (PT) dizendo ser injustiçada, os aliados da petista e do presidente interino Michel Temer (PMDB) articulam nos bastidores pelos votos de 17 senadores que sinalizaram que poderiam mudar de lado no julgamento do impeachment. Rousseff mira especificamente em nove parlamentares, Temer, em quatro, e ambos disputam o voto de outros quatro.

Para se configurar o impeachment são necessários ao menos 54 votos dos 81 senadores. Quando o Senado admitiu a abertura do processo e Rousseff foi automaticamente afastada, 55 entenderam que ela deveria ser alvo de uma investigação jurídico-política e 22 foram contrários. Isso não significa, no entanto, que esses congressistas já admitiam de antemão que ela cometera os crimes de responsabilidade dos quais é acusada.

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No próximo dia 2 de agosto, a Comissão votará o relatório do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), que será pelo impedimento da petista. A expectativa é que, na segunda quinzena de agosto, o plenário aprecie a questão em definitivo. Até lá, porém, muitas negociações deverão ser feitas. As diferenças, são o que cada um dos principais interessados tem a oferecer.

Nesta semana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o criador da figura política Rousseff, esteve em Brasília para retomar os diálogos com os senadores. Conforme o EL PAÍS noticiou nesta quarta-feira, a principal cartada de Dilma para tentar retornar ao cargo seria o de garantir aos parlamentares que encamparia uma campanha pelo plebiscito de convocação de novas eleições presidenciais.

O poder de barganha da petista, contudo, é bem menor do que o de seu ex-aliado e hoje principal adversário, Temer. O presidente interino tem feito uma das coisas que mais sabe fazer: política. Com a caneta na mão, ele prometeu a senadores liberar recursos para concluir todas obras que estiverem perto do fim e que custem menos de 300.000 reais ao Tesouro. As promessas são feitas nas dezenas de encontros oficiais e extraoficiais com os parlamentares.

Desde que assumiu o cargo, em 12 de maio, o peemedebista promoveu e participou de ao menos três almoços e jantares com mais de 40 parlamentares e recebeu 20 deles em agendas oficiais e exclusivas no Palácio do Planalto. Entre eles, Otto Alencar (PSD-BA), um dos 22 senadores que disse não encontrar as digitais de Rousseff nos decretos de créditos suplementares que resultaram no pedido de impeachment. Na ocasião do encontro, o presidente pediu que ele listasse quais problemas que gostaria que fossem resolvidos na Bahia e explicou quais seus planos para a infraestrutura.

Além de Alencar, o grupo de Temer mira em João Alberto Souza (PMDB-MA), Armando Monteiro (PTB-PE) e Roberto Muniz (PP-BA). Nos próximos dias, deverão ser chamados para conversas com o interino para falarem sobre demandas de seus Estados. Os dois primeiros foram contra a abertura do processo de impedimento. O último não votou porque, na ocasião, era o suplente de Walter Pinheiro (ex-PT-BA).

“As reuniões do presidente são, sem dúvida, para tentar conquistar mais votos para o impeachment. E não há nenhum problema nisso. Ele está apenas fazendo o que a sua antecessora não soube fazer, que é dialogar”, disse o líder do PSDB no Senado e aliado de primeira hora de Temer, Cássio Cunha Lima. “Até cachorro sarnento gosta de afago, por que com políticos seria diferente?”, afirmou o tucano.

Já os parlamentares que são constantemente paquerados pelos dois lados são: Eduardo Braga (PMDB-AM), Jader Barbalho (PMDB-PA), Cristóvam Buarque (PPS-DF) e Wellington Fagundes (PR-MT). Braga e Barbalho estavam de licença médica na primeira votação. O primeiro deles era ministro de Minas e Energia de Rousseff e tem sido contemplado por Temer com a nomeação de aliados para cargos de terceiro escalão na região norte do país. Barbalho viu seu filho virar ministro dos Portos de Rousseff e agora da Integração Nacional de Temer. Já Buarque (que já foi do PT) e Fagundes (que quase se tornou líder do Governo Dilma no Senado), já estiveram ao lado da petista em algumas das votações no Senado, mas com o tempo se afastaram dela e acabaram votando a favor da abertura do processo de impeachment.

A mira do grupo de Rousseff está voltada para dois senadores do PMDB, Dário Berger (SC) e Raimundo Lira (PB); dois do PSD, Omar Aziz (AM) e Sérgio Petecão (AC); dois do PSB, Antonio Carlos Valadares (SE) e Roberto Rocha (MA); além de um do PP, Ivo Cassol (RO); um do PDT, Acir Gurgacz (RO) e um sem partido, José Reguffe (DF). Todos eles votaram a favor do processo de impeachment, os mais difíceis de terem a opinião revertida são os peemedebistas, segundo aliados de Dilma. “O Lira poderia entender que jogaria fora o trabalho da comissão que ele preside [a do impeachment] e o Berger pode ser ‘comprado’ porque o Temer não quer ver traição dentro do próprio PMDB”, afirmou um senador petista. Com exceção de Reguffe, os demais parlamentares teriam colocado na mesa eventuais apoios nas eleições municipais deste ano e nas gerais de 2018, além da promessa de novo pleito presidencial.

A confiança dos grupos de Temer e Dilma se refletem nos discursos. Os petistas e seus aliados dizem que podem ter os 28 votos necessários para que ela retorne ao cargo. Os adversários dela afirmam que terão, sem dúvida, mais do que os 54 de que precisam para impedi-la em definitivo. “Teremos entre 58 e 61 votos. Só uma hecatombe faria com que ela voltasse ao cargo”, diz um senador a favor da queda definitiva da petista.

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