“Não sabemos se foram 30, 33 ou 36”

Polícia Civil identifica quatro suspeitos vinculados ao estupro coletivo de uma jovem de 16 anos no Rio

Menor que foi vítima de estupro coletivo deixa o Hospital Souza Aguiar, acompanhada da mãe.
Menor que foi vítima de estupro coletivo deixa o Hospital Souza Aguiar, acompanhada da mãe. Gabriel de Paiva (Ag. O Globo)

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou quatro homens vinculados ao estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos em uma favela da Zona Oeste da cidade e que foi divulgado nas redes sociais. Um deles, Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, jovem promessa do Boavista, time de primeira divisão do campeonato Carioca, era namorado da vítima há cerca de três anos. Segundo a avó da jovem, o namorado, que está foragido, foi quem premeditou o crime, cometido por cerca de 30 homens, por achar que tinha sido traído: “Um deles tinha sido namorado dela, ela conheceu na escola. E isso foi uma vingança dele. Ele fez isso com ela e chamou mais 30 para fazer o mesmo”, declarou à imprensa local.

Os outros três suspeitos são Marcelo Miranda da Cruz Correa, de 18 anos, e Michel Brasil da Silva, de 20 anos, que seriam os responsáveis por divulgar as imagens da vítima na internet, embora não tenha sido constatada sua participação no crime. Miranda, através do seu advogado, declarou que ele não conhecia a vítima e que apenas compartilhou as imagens sem saber que tratava-se de um estupro e que a jovem era menor. Um outro envolvido, Raphael Assis Duarte Belo, tem 41 anos e aparece, em uma foto que percorreu o Brasil, do lado da garota com sua genitália ensanguentada. Algumas das legendas que acompanharam as imagens brutais onde a aparecia a jovem desacordada diziam: “Amassaram a mina”, “Por aqui passaram 30”.

A jovem, após fazer exames médicos e tomar um coquetel de drogas contra doenças venéreas, deu alguns detalhes do crime. Ela contou que na última sexta-feira foi encontrar o namorado e só lembra de ter acordado no domingo em outra casa rodeada de 33 homens armados com fuzil. A suspeita é que ela foi dopada pelos agressores, que teriam vínculos com o tráfico de drogas, mas a polícia não confirmou o número exato dos agressores. “Temos que ser prudentes. Não podemos afirmar com convicção se foram 30, 33 ou 36. Em um primeiro momento foi falado que eram 33, mas já ouvimos que podiam ser 36”, disse o chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso.

“Só o exame de corpo de delito não vai ser característica se houve o estupro ou não. Ela pode ter tido relações sexuais consentidas e por ai não seria estupro. Ela estava deitada e desacordada, mas pode ser realmente que ela possa ter ingerido algum tipo de bebida alcoólica ou algum tipo de droga. Mas nada disso caracteriza. As investigações têm que ser um pouco mais técnicas para caracterizar realmente se houve o estupro e como foi feito esse fato”, continuou o chefe da Polícia Civil.

De acordo com o Código Penal Brasileiro, modificado em 2009, estupro é "constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso". Não é necessário que tenha havido penetração para que o crime se caracterize.

Após o crime, a jovem foi recolhida por um agente comunitário e chegou em casa descalça, descabelada e com roupas masculinas rasgadas, segundo a família. A jovem não relatou a barbárie e a família soube do acontecido só dias depois pela divulgação dos vídeos na Internet. “Eu, a mãe, a gente chora quando vê o vídeo. O pai dela não aguenta falar que chora muito. Nosso sentimento é de tristeza, de indignação, estamos estarrecidos de ver até que ponto chega a maldade humana, né. A família está, assim, sem palavras, consternada”, disse a avó aos jornalistas.

Após a grande repercussão, a jovem, mãe de um menino de três anos, publicou uma mensagem no seu Facebook agradecendo o apoio: “Obrigada pelo apoio de todos. Realmente pensei que ia ser julgada mal, mas não fui [...]. Não dói o útero, dói a alma por existirem pessoas cruéis sendo impunes”.

As estatísticas criminais do Instituto de Segurança Pública do Rio mostram que mais de 15 mulheres são estupradas diariamente no Estado. Só em 2014, foram registrados 5.676 denúncias. Um dois casos mais chocantes de estupro coletivo no Rio aconteceu em março de 2013 quando um grupo de bandidos invadiu uma van onde viajavam uma turista norte-americana e seu namorado francês. Três homens foram condenados por sequestrar o casal durante horas e agredir e estuprar a jovem repetidas vezes. Durante o recorrido, os criminosos chegaram até oferecer a mulher para um outro homem em troca de dinheiro.

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