FMI prevê inflação recorde de 720% para Venezuela em 2016

América Latina enfrenta sua segunda contração anual consecutiva, o que não acontecia desde 1983

População faz fila em um supermercado para comprar papel higiênico com preço regulado disponibilizado nesta sexta-feira pelo Governo venezuelano em Caracas.
População faz fila em um supermercado para comprar papel higiênico com preço regulado disponibilizado nesta sexta-feira pelo Governo venezuelano em Caracas.Fernando Llano (AP)

O FMI forneceu, na sexta-feira, mais detalhes sobre as previsões para a América Latina apresentadas na terça-feira. Segundo o diretor do FMI Alejandro Werner, o contexto é complexo porque a economia mundial continua “lutando” para se reconsolidar e isso, combinado com as tensões no mercado da energia e de divisas e somado à incerteza sobre a economia chinesa, fará com que o conjunto da região se contraia 0,3%. A Venezuela é o país que vai sofrer o maior ajuste, com uma diminuição do crescimento estimada em 8% para 2016.

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“Não vemos a possibilidade de uma correção no caminho”, lamentou Werner. O dado da inflação apresentado contrasta com os números fornecidos por Caracas, que, na semana passada, informou que os preços subiram 141,5% em 2015. “Os preços continuam aumentando de maneira descontrolada”, advertiu ele. A taxa de 275% de inflação já era considerada um recorde mundial pelo FMI. A falta de divisas, explicou, Werner, está redundando em uma escassez de bens intermediários e provocando um desabastecimento generalizado de bens essenciais, inclusive alimentos, o que “acarreta consequências trágicas”. A essa situação se soma a política do banco central venezuelano, que está reduzindo drasticamente o valor do bolívar.

O impacto do petróleo

O ciclo pernicioso que envolve a Venezuela se vê agravado pela queda dos preços do petróleo. A contração acumulada do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2015 e 2016 vai ser a terceira maior em escala mundial. Os analistas de Wall Street temem que o país não esteja em condições de gerar o efetivo suficiente para pagar suas dívidas e financiar suas importações.

A forte recessão em Venezuela, Brasil, Argentina e Equador, funciona como um lastro para toda a região, e deve chegar ao ponto de emendar dois anos de contração, uma situação que não se via desde a crise da dívida 1982 e 1983, que desencadeou o período conhecido como “década perdida”. E o diretor do FMI antecipa que o ajuste será “difícil, embora menos traumático”.

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