Manifestação do MPL cresce, mas Haddad e Alckmin não acenam com recuo

No maior ato do grupo este ano, Passe Livre foi à sede dos Executivos estadual e municipal

Ato contra o aumento nesta terça-feira.
Ato contra o aumento nesta terça-feira.Miguel Schincariol (AFP)
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O Movimento Passe Livre voltou a crescer. A manifestação desta terça-feira, a quarta convocada pelo MPL este ano, foi a que reuniu maior público, e serviu para dar novo fôlego ao movimento após dois atos menores na quinta-feira da semana passada. Nesta terça, a concentração foi na esquina das avenidas Rebouças com Faria Lima. Apesar da demonstração de força, o embate do grupo com o poder público parece estar chegando a um impasse: nenhum dos lados dá sinais de que irá ceder. O MPL afirma que continuará nas ruas até a revogação da tarifa (um novo ato já está marcado para esta quinta-feira no Terminal Dom Pedro, na região central da cidade), e Haddad e Alckmin não dão o menor sinal de que pretendem voltar atrás como fizeram em 2013 - quando após pressão popular capitaneada pelo Passe Livre o aumento de 20 centavos foi revisto. O petista nem mesmo convocou o Conselho da Cidade, órgão criado por ele para discutir questões relativas ao município, como havia feito três anos atrás, pouco antes de revogar o aumento.

Até onde esta queda de braço irá é uma questão que vai depender da capacidade de mobilização do Passe Livre para continuar tomando - e travando - as ruas da cidade e do tamanho do custo político que Haddad, que disputará a reeleição este ano, está disposto a assumir. Após a vitória de 2013, o MPL saiu às ruas novamente no início do ano passado, contra um novo reajuste na tarifa, mas a cada marcha foi perdendo fôlego até murchar sem uma vitória.

O movimento duela com duas lideranças políticas que enfrentam alta de rejeição. Os que rejeitam a gestão do petista cresceu de 40% para 56% em apenas doze meses segundo pesquisa Ibope divulgada nesta terça. Os que consideram o mandato bom ou ótimo foram de 15% para 13%. Até agora o prefeito tem sido irredutível: em entrevista ao jornal Valor Econômico disse que o custo para atender às demandas do MPL consumiria 8 bilhões de reais, praticamente o total arrecadado com o IPTU. O governador Geraldo Alckmin, por sua vez, teve sua imagem arranhada após tentar implantar a reorganização escolar, no ano passado, sem dialogar previamente com os estudantes antes, e terminou o ano com rejeição recorde. 

Assim como na quinta-feira passada, os soldados da PM e os adeptos da tática black bloc - que defendem a depredação do patrimônio público como arma política - agiram com comedimento. "Ninguém chega perto da casa do patrão!", gritavam alguns mascarados e integrantes do MPL ao se aproximar da residência oficial do governador. O grande problema, a exemplo do ato anterior, foi no momento da dispersão dos protestos. Enquanto que o grupo menor que seguiu para o Bandeirantes deixou o local sem maiores problemas, a marcha que foi em direção à Prefeitura acabou em confusão nos metrôs da região.

Uma pequena parte dos manifestantes quis pular as catracas na estação República, no centro. A guarda do metrô não permitiu, mas conseguiu dialogar com os manifestantes. A estação permaneceu fechada por um tempo. Fora dela, porém, o Batalhão do Choque agiu reprimindo os poucos manifestantes que restaram pelo centro, que colocaram algumas barricadas de lixo incendiado pelas ruas. A polícia chegou a usar uma bomba de gás lacrimogêneo na região. Segundo os socorristas do Grupo de Apoio ao Protesto Popular (GAPP), não houve feridos.

O MPL cumpriu com a demanda do secretário de Segurança Pública, Alexandre Moraes, que pediu que o trajeto dos atos fossem apresentados previamente. A polícia, por sua vez, cercou as manifestações, direcionando para o roteiro apresentado, mas surpreendeu, quando, na chegada do ato à Prefeitura, a sede do Governo municipal estava totalmente livre de policiais, que normalmente realizam um cordão de isolamento no prédio.

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