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Polícia e MPL cedem, e protestos em São Paulo têm violência pontual

Após a marcha, uma confusão na estação Consolação do metrô deixou um ferido

Manifestantes em São Paulo.
Manifestantes em São Paulo. EFE

A expectativa entre os presentes era de mais bombas e mais repressão. Quem compareceu em um dos dois protestos do Movimento Passe Livre contra o aumento da tarifa nos transportes públicos nesta quinta-feira, em São Paulo, ainda tinha viva na memória as imagens da truculência da Polícia Militar no último ato, de terça, quando os agentes sufocaram o ato e o impediram de acontecer. As manifestações  - uma partindo do Theatro Municipal em direção à avenida Paulista, e a outra saindo do Largo da Batata até o metrô Butantã - terminaram quase sem problemas: depois que o protesto do centro acabou, parte dos manifestantes tentou um catracaço - pular as catracas, e passar sem pagar a tarifa - e foi repreendida pelos guardas do metrô e, posteriormente, pela Polícia Militar. Ao menos nove pessoas foram detidas, um garoto foi ferido, atendido na rua pelos socorristas do Grupo de Apoio ao Protesto Popular (GAPP), e a repórter, Cínthia Gomes, da rádio CBN, foi atingida por um estilhaço na perna.

No início dos atos, a sinalização era de que os dois lados, PM e manifestantes, haviam cedido de alguma forma. A polícia, de um lado, demonstrou um sangue frio e preparo ausentes nos outros protestos do Passe Livre convocados este ano.  Por outro lado, os militantes adeptos da tática black bloc, de violência e depredação como ação política, estavam de novo presentes, mas pareciam mais contidos: a reportagem observou até mesmo diálogo entre mascarados e integrantes da PM. O MPL, que costumava decidir em assembleia o roteiro dos atos poucos minutos antes de ele acontecer, cedeu à exigência do secretário de Segurança Pública do Governo Alckmin, Alexandre de Moraes, feita na noite de terça, e, às 14h desta quinta, divulgou nas redes sociais o trajeto de ambos os atos.

Na região central da cidade, todas as vias do Theatro Municipal foram cercadas por policiais. Mas o Viaduto do Chá, por onde os manifestantes iniciariam a marcha, estava livre. A PM acompanhou o protesto com soldados fazendo um cordão de um dos lados, outro na frente, e mais um atrás do ato, que seguiu pela Brigadeiro Luiz Antônio, até a avenida Paulista, onde terminou com um jogral debaixo de chuva. Ali, foi informado que um novo ato está marcado para a terça-feira da semana que vem, com concentração às 17h na esquina da avenida Faria Lima com a Rebouças.

No protesto do Largo da Batata a reportagem presenciou dois momentos que mostram a diferença no comportamento de policiais e manifestantes. Na avenida Faria Lima, um carro ficou preso no cruzamento enquanto a marcha passava. Alguns mascarados se aproximaram do veículo xingando o motorista, que tentava avançar. Policiais cercaram o carro, e o ato seguiu normalmente. No protesto do MPL na semana passada uma situação semelhante desencadeou uma chuva de bombas de gás nos manifestantes.

Em outro momento, policiais que acompanhavam a marcha isolaram um trecho da calçada que tinha entulhos. Conforme a linha de frente dos black blocs se aproximava, PMs gritavam para que desviassem dali. Alguns mascarados se aproximaram da pilha de pedras, mas foram desestimulados pelos colegas: “Sem confusão!”. Além disso, em vários momentos do protesto policiais se aproximavam da linha dos black blocs e conversavam com lideranças do grupo para se certificar de que o trajeto seria cumprido. De acordo com o MPL, os dois atos juntos reuniram 11.000 pessoas. A PM não divulgou estimativa.

A violência policial da terça-feira havia deixado dezenas de feridos, dentre eles, jornalistas e fotógrafos, fazendo com que a imprensa também cobrasse das autoridades. O termo repressão, no lugar do habitual confronto, passou a ser usado por parte da imprensa brasileira. A volta da violência nas ruas fora notícia também internacional e, no Jornal Nacional desta quinta, foi lida uma nota enviada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo em repúdio ao ataques sofridos pela imprensa.  Era mais um sinal da repercussão negativa da atuação policial na terça. Já o Passe Livre, cuja estratégia primordial é provocar o travamento de vias para chamar a atenção da população para o problema do custo nos transportes, tinha interesse de completar a marcha - na terça-feira os manifestantes não conseguiram sair da concentração - e o fizeram. A queda de braço, nas ruas e na disputa pela narrativa dos protestos, segue.

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