Joaquim Levy será diretor financeiro do Banco Mundial

O ex-ministro da Economia sentiu-se desautorizado por Dilma depois que ela vetou seus cortes no orçamento de 2016

O ex-ministro brasileiro de Economia, Joaquim Levy, será o futuro diretor financeiro do Banco Mundial, com sede em Washington. No cargo, ele substitui o francês Bertrand Badré, que exerce essa função desde 2013. Acima de Levy no Banco Mundial estará apenas seu atual presidente, Jim Yong Kim. O anúncio oficial será feito na próxima segunda-feira, mas o representante brasileiro do FMI, Otaviano Canuto, adiantou-se nesta sexta-feira dando a notícia durante um debate aberto ocorrido em Washington. A indicação não viola a legislação brasileira referente às restrições que os ocupantes de cargos públicos têm na hora de retornar à sua atividade laboral, já que o Banco Mundial é uma instituição privada.

Joaquim Levy ao chegar no Ministério da Fazenda.
Joaquim Levy ao chegar no Ministério da Fazenda.UESLEI MARCELINO REUTERS

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Levy, o todo-poderoso ministro brasileiro de Economia desde janeiro de 2015, respeitado pelo mercado e considerado um aval de conservadorismo econômico dentro do Governo da presidenta Dilma Rousseff, deixou o cargo no último dia 18 de dezembro, após uma maré de rumores e incertezas sobre seu destino. A causa de sua saída – que se via vir nos últimos meses – foi a progressiva e, ao fim, fatal, falta de sintonia entre ele e a presidenta. Em geral, me meio à crise que atravessa Brasil, Levy era partidário de cortes ainda mais profundos, e Rousseff, pressionada por seu partido (PT), não lhe dava carta branca.

O último e definitivo desencontro entre a presidenta e o ministro da Economia aconteceu em meados de dezembro, com a aprovação do orçamento para 2016. Levy considerava que era preciso conservar 0,7% do PIB brasileiro, ou seja, 42.800 milhões de reais (cerca de 11.900 milhões de dólares) para enxugar as dívidas; o Congresso, com a anuência do resto do Governo, aprovou a reserva de somente 0,5%, ou seja, 30.580 milhões de reais (8.308 milhões de dólares). A diferença residia em cortar ou não um dos programas sociais mais populares do Governo de Rousseff (e anteriormente, de Lula), o Bolsa Família, destinado aos filhos de famílias pobres em idade escolar. A partir daí, Levy sentiu-se desautorizado e demorou três dias para anunciar sua demissão.

Agora Levy, um economista formado na escola de Chicago, voltará aos EUA, onde vivem três de suas filhas.

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