Tarifa de transporte em São Paulo vai a 3,80 reais e MPL marca protesto para o dia 8

Novo valor para trens, ônibus e metrô, anunciado por Haddad e Alckmin, valerá a partir de 9 de janeiro

Manifestação do MPL, em janeiro de 2015.
Manifestação do MPL, em janeiro de 2015.M. Schincariol (AFP)
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"Um aumento é só mais um obstáculo para chegar à tarifa zero", diz Luíze Tavares, do Movimento Passe Livre (MPL). "Vamos ver as justificativas do Governo para esse aumento, mas já sabemos que as decisões são sempre políticas", diz.

As administrações afirmam que os reajustes estão sendo feitos abaixo da inflação anual. Argumentam também que os valores do Bilhete Único Temporal (que inclui o Mensal, Semanal e 24 horas) não serão alterados e que quase 20% dos usuários não pagam a tarifa —são os estudantes beneficiados pelo Passe Livre Estudantil, criado neste ano, os trabalhadores desempregados, pessoas com deficiência e idosos acima dos 60 anos— o que resulta em um subsídio alto a ser pago pela Prefeitura sob o comando de Fernando Haddad (PT).

O ano que vem, de eleições municipais em que Haddad deve ser candidato à reeleição, torna o cenário mais delicado e o prefeito deve atuar para evitar maior desgaste político por causa da alta. Além da tarifa de ônibus, a Prefeitura anunciou outra fonte de irritação: alta no IPTU (9,5%).

Luíze afirma que a estratégia adotada pelo MPL, embora ainda não tenha sido traçada, deve ser parecida com a do ano passado, quando os ativistas foram às ruas da cidade por mais de um mês contra o aumento da tarifa. Naquela época, o movimento realizou manifestações nas ruas e nos terminais, além de aulas públicas sobre o transporte pela cidade, mas a mobilização foi perdendo fôlego. Diferentemente das históricas marchas de 2013, o reajuste não foi revogado. Em 2014, ainda na esteira do ano anterior, a tarifa ficou congelada.

"A conjuntura para a luta é favorável", aposta Luíze. "Tivemos um aprendizado com os secundaristas neste ano e vamos tentar trazê-los para a nossa luta também." A ativista se refere a uma vitória inédita dos estudantes secundaristas em São Paulo neste ano. Mobilizados desde outubro, os alunos da rede pública conseguiram suspender a chamada reorganização escolar, que previa o fechamento de ao menos 92 escolas pelo Estado. Muitos integrantes do MPL também são secundaristas, o que ajuda na articulação da soma de forças, que já está sendo feita, segundo a reportagem apurou. O coletivo Mal Educado, formado pelos secundaristas durante as mobilizações, publicou em sua página no Facebook um texto de repúdio ao reajuste. E pode ter dado uma pista do que está por vir: "2016 é ano de luta!", encerrava o post.

Além de São Paulo, as cidades das regiões metropolitanas de Campinas, Sorocaba, Santos e Vale do Paraíba também terão suas tarifas reajustas a partir do início de janeiro.

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