Corrupção na FIFA

Blatter: na mira do FBI por 373 milhões de reais em subornos

Documentos atestam pagamento por direitos comerciais e televisivos

Blatter em uma conferência em Marrocos em 2014.
Blatter em uma conferência em Marrocos em 2014.C. Ena (AP)

As autoridades norte-americanas estão pesquisando várias evidências que demonstram que Joseph Blatter, presidente da FIFA suspenso por três meses por corrupção, teria constância dos subornos pagos —um total de 373 milhões de reais (92 milhões de euros)— a outros membros do órgão do futebol internacional, tal como revelou o programa de investigação Panorama, da BBC.

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As pesquisas realizadas pela cadeia de televisão britânica demonstram que a companhia de marketing esportivo ISL pagou 373 milhões de reais a vários dirigentes da FIFA, incluídos o antecessor de Blatter, João Havelange, e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Em troca pelos subornos, a empresa obteve os direitos televisivos e de comercialização de vários eventos relacionados ao futebol na década de 1990.

Blatter fez questão de dizer que desconhecia estes pagamentos, mas a BBC assegurou que há uma carta, em poder do FBI, que deixa dúvidas sobre o depoimento do dirigente suíço. Este texto, escrito por Havelange, refere-se a pagamentos para a ISL e afirma que Blatter tinha "pleno conhecimento" destas atividades.

O mandatário suíço declarou em 2013 diante da Comissão de Ética da FIFA que não participou do suborno e foi absolvido de qualquer delito. Sobre o que terá que declarar entre os dias 16 e 18 deste mês diante da mesma Comissão é a respeito do pagamento de 7,3 milhões de reais (1,8 milhões de euros) a Michel Platini trabalhos ainda não justificados, e pelos que ambos representantes estão inabilitados até 5 de janeiro.