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As mulheres do protesto contra Cunha em São Paulo

Manifestação que pede saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), nasceu do rechaço ao projeto que complica o atendimento de vítimas do abuso sexual. Texto passou em comissão da Casa e deve ir à plenário

  • A fotógrafa Adriana Campos, 42 anos, e sua filha Maria Lua, 18 anos, na av. Paulista, cenário nesta sexta de uma manifestação liderada por ativistas feministas contra projeto em tramitação na Câmara que complica o atendimento a vítimas de abuso sexual e acesso ao aborto legalmente permitido no Brasil. Adriana e a estudante vieram juntas ao protesto e dizem se manifestar contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, autor do projeto, para defender a liberdade da mulher decidir sobre o próprio corpo. “Somos a favor do direito de escolha”, diz Adriana. "A mulher deve ter uma participação maior na política. Certamente as decisões seriam diferentes", diz Maria Lua.
    1A fotógrafa Adriana Campos, 42 anos, e sua filha Maria Lua, 18 anos, na av. Paulista, cenário nesta sexta de uma manifestação liderada por ativistas feministas contra projeto em tramitação na Câmara que complica o atendimento a vítimas de abuso sexual e acesso ao aborto legalmente permitido no Brasil. Adriana e a estudante vieram juntas ao protesto e dizem se manifestar contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, autor do projeto, para defender a liberdade da mulher decidir sobre o próprio corpo. “Somos a favor do direito de escolha”, diz Adriana. "A mulher deve ter uma participação maior na política. Certamente as decisões seriam diferentes", diz Maria Lua.
  • A antropóloga Caroline Freitas, 39 anos, também foi à Paulista, no primeiro dos dois atos programados para acontecer na capital Paulista. "Conheço pessoas que já foram estupradas e não sei o que haveria acontecido caso elas não tivessem tido acesso a pílulas e coquetéis. Obrigar as vítimas a passar pelo IML seria uma dupla violência." Pelo Projeto de Lei 5069, para ter atendimento adequado, as vítimas de abuso sexual tem de fazer um boletim de ocorrência e passar por exame de corpo de delito. Inúmeras pesquisas mostram que mulheres resistem a ir a um delegacia por temor e medo do constrangimento.
    2A antropóloga Caroline Freitas, 39 anos, também foi à Paulista, no primeiro dos dois atos programados para acontecer na capital Paulista. "Conheço pessoas que já foram estupradas e não sei o que haveria acontecido caso elas não tivessem tido acesso a pílulas e coquetéis. Obrigar as vítimas a passar pelo IML seria uma dupla violência." Pelo Projeto de Lei 5069, para ter atendimento adequado, as vítimas de abuso sexual tem de fazer um boletim de ocorrência e passar por exame de corpo de delito. Inúmeras pesquisas mostram que mulheres resistem a ir a um delegacia por temor e medo do constrangimento.
  • A designer Denise Barros, 38 anos, preparou placas em casa e trouxe o filho Teodoro, 11, com ela. "Precisamos mostrar nossa indignação com o criminoso Eduardo Cunha e de como ele vem pautando assuntos que legislam sobre o corpo das mulheres. Meu corpo, minhas regras. Este PL prejudica diretamente as mulheres mais pobres e que não tem acesso a atendimento de qualidade."
    3A designer Denise Barros, 38 anos, preparou placas em casa e trouxe o filho Teodoro, 11, com ela. "Precisamos mostrar nossa indignação com o criminoso Eduardo Cunha e de como ele vem pautando assuntos que legislam sobre o corpo das mulheres. Meu corpo, minhas regras. Este PL prejudica diretamente as mulheres mais pobres e que não tem acesso a atendimento de qualidade."
  • Agnes Souza, 21 anos, compareceu à avenida Paulista junto com várias amigas. "Ninguém deve tomar decisões sobre nosso corpo." O ato de São Paulo acontece na mesma semana em que outro ocorreu no centro do Rio. Para este sábado, novos protestos estão programados em várias capitais, incluindo São Paulo.
    4Agnes Souza, 21 anos, compareceu à avenida Paulista junto com várias amigas. "Ninguém deve tomar decisões sobre nosso corpo." O ato de São Paulo acontece na mesma semana em que outro ocorreu no centro do Rio. Para este sábado, novos protestos estão programados em várias capitais, incluindo São Paulo.
  • A empresária Micaela Wernicke, 32 anos, afirma que o fato de o projeto estar em tramitação - ele foi aprovado em uma comissão da Câmara e pode ir a plenário nas próximas semanas - é um retrocesso. “Este PL é simplesmente absurdo e ele chegar a ser pautado demonstra como nossa sociedade é extremamente machista. Temos que continuar lutando.”
    5A empresária Micaela Wernicke, 32 anos, afirma que o fato de o projeto estar em tramitação - ele foi aprovado em uma comissão da Câmara e pode ir a plenário nas próximas semanas - é um retrocesso. “Este PL é simplesmente absurdo e ele chegar a ser pautado demonstra como nossa sociedade é extremamente machista. Temos que continuar lutando.”
  • A ilustradora Daniela Sá, 42 anos, levou sua bebê ao protesto: “Não quero que minha filha tenha um futuro tenebroso como este o Congresso Nacional está desenhando.” Segundo os autores do projeto, de autoria de Cunha, patrocinado pela bancada religiosa, mas de amplo apoio na comissão onde passou na semana passada, ele visa acabar com abortos feitos após mulheres "inventarem" histórias de estupro, daí a exigência de um boletim de ocorrência. O aborto no Brasil é legal em caso de violência sexual, risco `a mãe ou quando o feto é anencéfalo.
    6A ilustradora Daniela Sá, 42 anos, levou sua bebê ao protesto: “Não quero que minha filha tenha um futuro tenebroso como este o Congresso Nacional está desenhando.” Segundo os autores do projeto, de autoria de Cunha, patrocinado pela bancada religiosa, mas de amplo apoio na comissão onde passou na semana passada, ele visa acabar com abortos feitos após mulheres "inventarem" histórias de estupro, daí a exigência de um boletim de ocorrência. O aborto no Brasil é legal em caso de violência sexual, risco `a mãe ou quando o feto é anencéfalo.
  • A performer Beatriz Cruz, 34 anos, espera que o PL não avance e que, se avançar, que a Presidenta Dilma Rousseff o vete. “Esta proposta representa um retrocesso na luta das mulheres”. A passeata que começou na av. Paulista foi até `as escadarias da Igreja da Sé no centro de São Paulo. As organizadoras falaram em 15.000 participantes. As estimativas da Polícia Militar oscilaram entre 3.000 e 5.000 manifestantes.
    7A performer Beatriz Cruz, 34 anos, espera que o PL não avance e que, se avançar, que a Presidenta Dilma Rousseff o vete. “Esta proposta representa um retrocesso na luta das mulheres”. A passeata que começou na av. Paulista foi até `as escadarias da Igreja da Sé no centro de São Paulo. As organizadoras falaram em 15.000 participantes. As estimativas da Polícia Militar oscilaram entre 3.000 e 5.000 manifestantes.
  • A gerente administrativa Ana Paula Montoro, 43 anos, marchou com a filha no colo. “A massa feminina está aqui contra Eduardo Cunha que está desafiando a tudo e a todos." Cunha é alvo da Operação Lava Jato, que apura desvios milionários da Petrobras. O Ministério Público Federal rastreou contas não declaradas do peemedebista na Suíça, mas ele nega tê-las. Cunha é alvo de processo que busca caçar seu mandato no Conselho de Ética da Câmara.
    8A gerente administrativa Ana Paula Montoro, 43 anos, marchou com a filha no colo. “A massa feminina está aqui contra Eduardo Cunha que está desafiando a tudo e a todos." Cunha é alvo da Operação Lava Jato, que apura desvios milionários da Petrobras. O Ministério Público Federal rastreou contas não declaradas do peemedebista na Suíça, mas ele nega tê-las. Cunha é alvo de processo que busca caçar seu mandato no Conselho de Ética da Câmara.
  • Ana Carolina Amaral, 16 anos, é estudante. Ela não concorda com a criminalização do aborto no Brasil. Na camiseta, ela diz que a proibição do aborto pune as mulheres mais pobres do Brasil.
    9Ana Carolina Amaral, 16 anos, é estudante. Ela não concorda com a criminalização do aborto no Brasil. Na camiseta, ela diz que a proibição do aborto pune as mulheres mais pobres do Brasil.
  • A comerciante Maria Isabel Andrade, de 59 anos, caminhava com faixas contra Eduardo Cunha. “Os verdadeiros indignados precisam ir para as ruas para tirar os verdadeiros criminosos do poder."
    10A comerciante Maria Isabel Andrade, de 59 anos, caminhava com faixas contra Eduardo Cunha. “Os verdadeiros indignados precisam ir para as ruas para tirar os verdadeiros criminosos do poder."
  • A estudante Maria Clara Martins Pace, 19 anos, compareceu acompanhando o grupo feminista do qual faz parte. “Estamos aqui contra este PL absurdo."
    11A estudante Maria Clara Martins Pace, 19 anos, compareceu acompanhando o grupo feminista do qual faz parte. “Estamos aqui contra este PL absurdo."
  • O música Leo Nascimento, 36 anos, era um dos muitos homens que se juntou à marcha: “Viemos para apoiar a luta das mulheres. Estou aqui principalmente por essa mulher aqui que trago nos meus ombros”.
    12O música Leo Nascimento, 36 anos, era um dos muitos homens que se juntou à marcha: “Viemos para apoiar a luta das mulheres. Estou aqui principalmente por essa mulher aqui que trago nos meus ombros”.
  • Isadora Castro, estudante de 17 anos, veio com suas amigas do colégio. “Nós somos de uma classe privilegiada e tememos pelas nossas vidas todos os dias. A situação é ainda mais complicada para as mulheres menos favorecidas e que não tem acesso a atendimento eficiente.”
    13Isadora Castro, estudante de 17 anos, veio com suas amigas do colégio. “Nós somos de uma classe privilegiada e tememos pelas nossas vidas todos os dias. A situação é ainda mais complicada para as mulheres menos favorecidas e que não tem acesso a atendimento eficiente.”
  • José Barros Junior é teólogo e pastor e também foi `a Paulista. Ele acha um absurdo a gestão de Cunha à frente da Câmara. “Querer impor uma agenda religiosa na política não condiz com o evangelho.” Nesta semana, Cunha foi alvo de protesto de um grupo de evangélicos que pedem sua saída. Ele tem apoio, porém, de grandes lideranças políticas evangélicas, que patrocinaram o projeto que vista restringir o acesso ao aborto legal.
    14José Barros Junior é teólogo e pastor e também foi `a Paulista. Ele acha um absurdo a gestão de Cunha à frente da Câmara. “Querer impor uma agenda religiosa na política não condiz com o evangelho.” Nesta semana, Cunha foi alvo de protesto de um grupo de evangélicos que pedem sua saída. Ele tem apoio, porém, de grandes lideranças políticas evangélicas, que patrocinaram o projeto que vista restringir o acesso ao aborto legal.
  • Marina Stivi, 29 anos: “As decisões sobre nossos corpos não devem ser tomadas pelo Congresso Nacional nem por ninguém”. Na marcha, as mulheres cantavam palavras de ordem como "Se cuida, se cuida, seu machista! A America Latina vai ser toda feminista!"
    15Marina Stivi, 29 anos: “As decisões sobre nossos corpos não devem ser tomadas pelo Congresso Nacional nem por ninguém”. Na marcha, as mulheres cantavam palavras de ordem como "Se cuida, se cuida, seu machista! A America Latina vai ser toda feminista!"
  • O escritor Marcelo Rubens Paiva compareceu ao protesto e declara que é a favor da descriminalização do aborto no país: “Conheço diversas mulheres que tiveram que passar por essa difícil situação. É uma questão de saúde pública!”
    16O escritor Marcelo Rubens Paiva compareceu ao protesto e declara que é a favor da descriminalização do aborto no país: “Conheço diversas mulheres que tiveram que passar por essa difícil situação. É uma questão de saúde pública!”
  • A publicitária Mariana Hasselmann, 29 anos, fez coro: “O Estado não é dono do meu corpo".
    17A publicitária Mariana Hasselmann, 29 anos, fez coro: “O Estado não é dono do meu corpo".
  • A cozinheira Luciana Casal, 21 anos, preparou o cartaz em casa e compareceu para protestar contra o PL 5069. O texto, além de fazer novas exigências para que as mulheres vítimas de abuso sexual tenham tratamento adequado, também abre porta para que profissionais se recusem a ministrar a pílula do dia seguinte se a considerarem um "medicamento abortivo".
    18A cozinheira Luciana Casal, 21 anos, preparou o cartaz em casa e compareceu para protestar contra o PL 5069. O texto, além de fazer novas exigências para que as mulheres vítimas de abuso sexual tenham tratamento adequado, também abre porta para que profissionais se recusem a ministrar a pílula do dia seguinte se a considerarem um "medicamento abortivo".