O disco histórico que o U2 cantará em SP em show com Noel Gallagher

Banda confirma show no Brasil nos dias 19, 21 e 22 de outubro para cantar músicas de 'Joshua Tree', de 1987

Trecho do show do U2 em Barcelona.

Depois de seis anos e pela nona vez, a banda irlandesa U2 volta ao Brasil para três shows em São Paulo, nos dias 19, 21 e 22 de outubro, no estádio do Morumbi – mesmo local da última apresentação. Dessa vez, a passagem faz parte da turnê comemorativa dos 30 anos do álbum mais conhecido do grupo, The Joshua Tree (1987). O show, que na América Latina ainda irá passar por Cidade do México, Bogotá, Buenos Aires e Santiago, terá abertura de Noel Gallagher – criador do Oasis ao lado de seu irmão Liam – com sua banda High Flying Birds.

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É difícil pensar, em toda a história do rock, em um disco com um início tão majestoso como o de The Joshua Tree. O álbum que elevou definitivamente o U2 à estratosfera da música popular acumula, nesses 28 anos, números estonteantes: 25 milhões de unidades vendidas, número 1 em 22 países, nove semanas no topo da classificação da Bilboard, cinco milhões de euros (17 milhões de reais) somente em direitos autorais... Para além desse respaldo estatístico, porém, está a presença indelével das canções do disco. E é difícil imaginar algum terráqueo que não consiga cantarolar Where the Streets Have no Name, I Still Haven’t Found what I’m Looking for e With or Without You, três sucessos seguidos da épica e do melodrama que ainda hoje, e certamente por mais várias gerações, mantêm intacta a sua atualidade.

Havia muito mais material nas outras oito faixas daquele trabalho, como já se disse, e até mesmo na farta lista de lados B que floresceram na época (entre eles, puxando a sardinha para o lado dos espanhóis, a excelente Spanish Eyes).

Mas The Joshua Tree, criado entre novembro de 1985 e janeiro de 1987, soube condensar em seus 50 minutos o fascínio daqueles quatro jovens na casa dos 20 anos pela América mais poética, desolada e espectral. Aquele território de incertezas, não muito distante do Nebraska de Bruce Springsteen, que Anton Corbijn soube capturar nessa capa icônica no deserto californiano do Mojave. Fotografados com o semblante abatido, os irlandeses envolviam em preto e branco suas canções mais orgânicas e temperamentais. Era evidente que tanto a imersão na literatura norte-americana – desde Flannery O’Connor ou Walker Percy a Bukowski e Raymond Carver – como sua viagem em julho de 1986 à Nicarágua e El Salvador, uma traumática experiência centro-americana que inspiraria duas das faixas mais dolorosas do álbum, haviam rendido a Bono a colérica Bullet the Blue Sky e a atormentada Mothers of the Disappeared.

Durante muitos meses, The Joshua Tree se encorpou com o título provisório de The Two Americans e a hipótese de que acabasse se tornando um disco duplo. A banda tinha decidido repetir com Brian Eno e Daniel Lanois como excelente complemento de produtores, como em The Unforgettable Fire (1984), mas desta vez com o firme propósito de que a experimentação sonora não prevalecesse sobre um punhado de canções diretas, emotivas e bem definidas. Bono acabara de conhecer Bob Dylan e este lhe mostrou a importância das raízes musicais norte-americanas, em particular o blues e o country, dois gêneros que um dublinense amamentado nos anos do punk mal tinha escutado. A incorporação de Flood como engenheiro de som afiançou a aposta em texturas cruas e naturais, justo em um momento em que o apogeu digital propiciava discos de sonoridade tão sofisticada como Tango in the Night (Fleetwood Mac) ou Cloud Nine (George Harrisson), dois dos lançamentos mais bem-sucedidos daquela mesma temporada.

The Joshua Tree acabou superando todos na base da carnalidade e sentimento. O que transparece em Where the Streets…, uma faixa de construção tão complexa (mudanças de compasso, a narcótica Infinite Guitar de The Edge, um insólito prefácio instrumental de 107 segundos) que ocupou 40 por cento das sessões de gravação. O que transformou Where the Streets… em um gospel viciante a partir de uma melodia inspirada em Patti Smith. E animou Bono a escrever One tree Hill em memória de seu amigo e assistente Greg Carroll, morto em um acidente de moto. Nunca um disco tão sombrio se tornou também tão universal. A consolidação do U2 como mito do rock já era incontestável.

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