Dois chefes do ETA são presos na França

David Pla e Iratxe Sorzabal formavam, junto com Josu Vitela, o trio que dirige o grupo

A polícia francesa, em colaboração com a Guarda Civil espanhola, deteve David Pla e Iratxe Sorzabal, que, junto com José Antonio Urrutikoetxea, conhecido como Josu Ternera, são os atuais líderes do ETA. A operação aconteceu num casa rural da localidade de Saint-Étienne-de-Baïgorry, no sudoeste da França. O Ministério do Interior confirmou apenas que houve duas detenções. Os agentes passaram dias posicionados nos arredores do imóvel, com a informação de que a cúpula do grupo separatista basco se reuniria ali, segundo fontes da luta antiterrorista.

Iratxe Sorzabal.
Iratxe Sorzabal.

A nota divulgada na manhã desta terça-feira diz que “dois membros da organização terrorista ETA foragidos da Justiça” foram detidos. Outras fontes, no entanto, afirmam que foram três presos, incluindo Josu Ternera.

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Os detidos participaram das negociações para a dissolução do grupo armado, sem que houvesse acordo. Pla, Sorzabal e Izaskun Lesaka foram as três pessoas que em 20 de outubro de 2011 leram o comunicado que encerrava mais de 40 anos de atentados sangrentos do grupo terrorista, anunciando que o ETA (Pátria Basca e Liberdade, em basco) se afastaria definitivamente da violência. Fontes do Ministério do Interior espanhol confirmaram as detenções de Pla e Sorzabal, mas, ao menos até agora, não a de Josu Ternera, uma informação que outras fontes da investigação dão como certa.

David Pla (Pamplona, 1975) foi identificado como a voz em castelhano do cessar-fogo de 10 janeiro de 2011. Foi detido na França em abril daquele ano por sua suposta relação com a rede de advogados (H-Alboka) que o ETA usava para transmitir informações a seus presos (Makos). A polícia francesa o deixou em liberdade por não encontrar provas contra ele, e Pla então aproveitou para fugir e passar à clandestinidade. O então ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, o qualificou na época como um dos “homens fortes” do aparelho político do ETA.

Iratxe Sorzabal (Irún, 1971) entrou para o grupo no começo da década de noventa. Desde o final de 2010 é considerada a principal chefe da organização terrorista. Foi ela quem pronunciou em idioma basco o comunicado sobre o fim da atividade armada, repetindo o que havia feito no cessar-fogo de 5 de setembro de 2010 e por ocasião dos 50 anos do grupo separatista. Como integrante do comando Ibarla da organização, ela participou de três assassinatos entre 1994 e 1997.

Antes de entrar para a cúpula da organização terrorista, ela foi responsável pelo departamento que controla os presos. Foi detida em 2001 e denunciou ter sofrido torturas. Posteriormente foi colocada em liberdade sob fiança e ocupou o cargo de porta-voz das Gestoras Pró-Anistia. Passou à clandestinidade e fugiu para a França em 2002, onde protagonizou frequentes fugas. Tem um filho com o ex-chefe militar do ETA Mikel Kabikoitz Carreira Sarobe, o Ata, detido em 20 de maio de 2010 e condenado à prisão perpétua na França. É considerada uma das porta-vozes do setor mais radical do grupo, relutante em abandonar a luta armada e contrário à via institucional e pacífica atualmente trilhada pela esquerda nacionalista basca e pelo partido Bildu.

David Pla.
David Pla.

Josu Ternera tem atualmente 66 anos. Entrou para o ETA a fins dos anos sessenta, pelas mãos do seu líder histórico mais carismático, José Miguel Beñarán, o Argala, assassinado em 1978 por um comando parapolicial. Ternera cruza a história do ETA, do atentado contra o almirante Carrero Branco, em 1973, até hoje. Foi responsável pelos setores internacional, político e militar até ser detido em 1989 na França. Em 1998, depois de cumprir pena na França e na Espanha, foi eleito deputado no Parlamento basco por uma das encarnações do partido Batasuna, mas fugiu no final de 2002 ao ser processado por suposta relação com um atentado que matou 12 pessoas em 1987 em Zaragoza.