Moody's rebaixa nota do Brasil e cita economia fraca e crise política

País mantém grau de investimento, e agência afirma que perspectiva é estável

Moody's ainda mantém o grau de investimento do Brasil.
Moody's ainda mantém o grau de investimento do Brasil. EFE

Três semanas após a nota de crédito do Brasil ter sido revisada pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, agora foi a vez da Moody’s também alterar a perspectiva do país. A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito do Brasil de Baa2 para Baa3, o que mantém o Brasil ainda no grau de investimento —dentro da lista dos países bons pagadores— , mas o deixa apenas uma nota acima do nível especulativo.

A decisão do rebaixamento já era esperada por analistas, mas é mais um fator de turbulência nos mercados já afetados pela desvalorização da moeda chinesa e pela crise política. A perspectiva da Moody's para as próximas revisões, no entanto, passou para estável. Antes, ela estava negativa e a expectativa é que a perspectiva fosse mantida, já que cresce o rumor que a perda do grau de investimento do Brasil seria inevitável a curto prazo.

Em nota, a Moody's afirmou que a performance da economia brasileira aquém da esperada e a falta de um consenso político são algumas das razões para o rebaixamento. “Um desempenho econômico mais fraco que o esperado, uma tendência de crescimento de gastos públicos e uma falta de consenso político sobre as reformas fiscais impedirá que as autoridades alcancem um superávit primário alto o suficiente para segurar e reverter a tendência de alta da dívida este e no próximo ano”, justificou.

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A mudança da nota fornece, desde a perspectiva de mercado, mais um ingrediente para a discussão sobre a probabilidade da saída da presidenta Dilma Rousseff do Governo. Nas últimas semanas, algumas empresas de análise aumentaram o risco da presidenta não conseguir terminar o mandato. 

Para a agência, o aperto do ajuste fiscal e a política monetária vão fazer com que o Produto Interno Bruto (PIB) caia neste ano e só  consiga se recuperar em 2017, com uma taxa anual de crescimento de 2% em 2017 e 2018. As investigações da Operação Lava Jato também foram citadas pela Moody’s como um fator negativo para a retomada da economia brasileira. “A baixa capacidade de utilização, a fraca confiança dos empresários e os desdobramentos relacionados à Petrobras afetarão negativamente as perspectivas de investimentos neste ano e no próximo”, afirmou em nota.

A Moody's estima que o país precisa crescer pelo menos 2% e cumprir superavits primários de pelo menos 2% do PIB para estabilizar a dívida. A agência ressaltou que a carga da dívida do Governo e a capacidade de pagamento continuarão a “deteriorar materialmente em 2015 e em 2016”. “A Moody's tem a expectativa de que a carga de dívida crescente se estabilize somente perto do fim do governo atual”, afirmou.

Por outro lado, a agência de risco elogiou a habilidade do país suportar choques financeiros externo. "O Brasil retém vários pontos positivos em termos de crédito que se refletem no rating Baa3: sua capacidade para resistir a choques financeiros externos, tendo em vista as amplas reservas internacionais; um balanço do governo com exposição relativamente limitada a dívidas em moeda estrangeira e a dívidas de não-residentes e uma economia grande e diversificada".

Standard & Poor's

No fim de julho,  a agência de classificação de risco Standard & Poor's alterou a perspectiva da nota de crédito do Brasil de estável para negativa, embora também tenha mantido o grau de investimento do país. De acordo com a agência, o número de investigações de corrupção entre políticos e empresas tem um peso cada vez maior nas perspectivas fiscais e econômicas do Brasil, colocando em risco a implementação do ajuste, particularmente, no Congresso.

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