Crise na Grécia

Grécia pede três anos de resgate em troca de reforma imediata das pensões

Atenas solicita 50 bilhões de euros em três anos Ministros de Economia do euro analisam a proposta nesta quarta

Alexis Tsipras no Parlamento Europeu, nesta quarta.
Alexis Tsipras no Parlamento Europeu, nesta quarta.VINCENT KESSLER (REUTERS)

A Grécia cumpriu nesta quarta-feira a primeira condição para evitar sua saída da zona do euro: seu Governo enviou no final da manhã (no horário local) o pedido para um terceiro programa de ajuda financeira por parte do mecanismo europeu de resgate (Mede), que possui uma reserva de 500 bilhões de euros, criada na fase mais aguda da crise europeia. “A solicitação chegou”, confirmou ao EL PAÍS um porta-voz do Mede. Atenas solicitou um resgate de 50 bilhões de euros (cerca de 174 bilhões de reais em três anos). Agora, o Eurogrupo, que reúne ministros de Finanças e outras autoridades da zona euro, analisará a proposta ainda nesta quarta-feira, numa reunião por teleconferência.

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Com a proposta, o Governo grego, encabeçado por Alexis Tsipras, se compromete a realizar três grandes concessões. A primeira é que antes, ao invés de pedir um empréstimo neste valor, Atenas pediu um programa completo de resgate, o que implica em se submeter a revisões contínuas por parte do Eurogrupo. De acordo com fontes consultadas pelo EL PAÍS, no início, as revisões serão feitas a cada mês.

A segunda concessão é a elevação do IVA (imposto sobre consumo) e promover uma reforma no sistema de aposentadorias a partir da semana que vem - antes, Tsipras havia pedido para dar início à reforma somente em outubro.

Por fim, Atenas também suavizou o tom adotado para falar sobre a dívida pública. Antes, o Governo do Syriza pedia uma completa reestruturação da dívida. Agora, adia a discussão provavelmente para o fim do ano. Diz a carta: "A Grécia agradece a oportunidade de explorar potenciais medidas que podem ser adotadas para que a dívida vinculada ao setor público seja sustentável e viável em longo prazo".

Ainda há diversas condições a serem cumpridas antes da cúpula europeia do próximo domingo. A Grécia deverá detalhar na quinta-feira as medidas prioritárias que seu Governo sugere, tendo como base da proposta feita em 30 de junho. A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, deixou claro na terça-feira que esses detalhes precisam resultar em um plano “mais duro” por parte de Atenas. O Eurogrupo o analisará no sábado, e os líderes do euro precisariam dar seu aval no domingo. O Banco Central Europeu se comprometeu a manter os bancos gregos – prestes a terem seus caixas zerados – respirando até pelo menos a próxima segunda-feira.

Os sócios procuram uma fórmula para evitar um default de uma dívida de 3,3 bilhões de euros (11,6 bilhões de reais) que deverá ser paga ao BCE no próximo dia 20. A Grécia provavelmente irá se comprometer a aprovar medidas prioritárias (cortes ou reformas) se quiser evitar uma suspensão de pagamentos. Paralelamente, a Europa deve garantir certa margem para que as instituições financeiras, a beira do colapso por causa da contínua fuga de depósitos, não entrem em bancarrota.

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