crise na grécia

BCE dará mais dinheiro aos bancos gregos diante da fuga de depósitos

Instituição reuniu-se com urgência para discutir o pedido grego de 3 bilhões de euros

Agencias|Claudi Pérez
Atenas / Luxemburgo / Frankfurt - 19 jun 2015 - 13:28 UTC
Alexis Tsipras, nesta quinta-feira em São Petersburgo.
Alexis Tsipras, nesta quinta-feira em São Petersburgo.MAXIM SHEMETOV (REUTERS)

Os conselheiros do Banco Central Europeu (BCE) participam nesta sexta-feira de uma reunião extraordinária para decidir se ampliam a oferta emergencial de liquidez para a Grécia, num valor de três bilhões de euros (10,4 bilhões de reais), por causa da intensificação da fuga de depósitos nos bancos desse país. A verba foi solicitada pelo Banco da Grécia (banco central), e fontes próximas à instituição disseram que a reunião do conselho, por teleconferência, é o procedimento normal numa situação dessas.

Os bancos gregos perderam um quarto dos seus depósitos desde novembro. A fuga de capitais se agravou nos últimos dias, com saques no valor de 1,2 bilhão de euros (4,22 bilhões de reais) somente na sexta-feira e de 4,2 bilhões de euros (14,77 bilhões de reais) na semana. Se esse processo continuar na sexta-feira e se não houver acordo na segunda, as fontes do BCE dizem que a Grécia poderá decretar um controle de capitais, possivelmente com um longo feriado bancário. Não se descarta nem mesmo que a Grécia abandone o euro, o BCE e a União Europeia se não receber a linha emergencial de liquidez.

Fontes europeias afirmam que a grande preocupação agora é com um possível contágio. A zona do euro está mais sólida hoje do que em 2012, mas ninguém sabe com certeza o que poderia ocorrer nos países mais frágeis, começando por Portugal. Ministros de vários países europeus – Eslováquia, Finlândia e Irlanda, entre outros – falaram na quinta-feira sobre planos de contingência, incluindo os temidos controles de capital, que parecem ser cada vez mais iminentes.

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Benoit Coeuré, conselheiro francês do BCE, manifestou na quinta-feira ceticismo com a ideia de que os bancos gregos possam funcionar na segunda-feira em meio ao atual ambiente de incerteza. A fuga de capitais dos bancos gregos na quinta-feira é calculada em mais de um bilhão de euros (3,5 bilhões de reais).

Fontes bancárias citadas pela imprensa grega garantem que a situação está controlada e recordaram que em junho de 2012, no calor da convocação da segunda eleição geral em menos de um mês no país, a fuga de capital chegou ao dobro da intensidade atual.

O Governo de esquerda da Grécia reagiu com dureza na quinta-feira às especulações da imprensa sobre a implantação de controles de capital. Ele afirmou que informações desse tipo servem apenas para “perturbar” e “desestabilizar a economia”. Seu ministro da Economia, Yanis Varoufakis, pediu “calma” aos gregos e disse acreditar num acordo.

Tsipras otimista

O primeiro-ministro Alexis Tsipras, que deve se reunir nesta sexta-feira com o presidente russo, Vladimir Putin, expressou otimismo quanto a uma solução para a crise da dívida, de modo a permitir que seu país retome o caminho do crescimento e ao mesmo tempo permaneça na zona do euro. “Haverá uma solução baseada no respeito às regras da União Europeia (UE) e da democracia, a qual permitirá que a Grécia volte a crescer com o euro”, afirmou ele em nota.

Segundo Tsipras, seu objetivo é levar as negociações “ao mais alto escalão político na Europa”. “Quem investe na crise e em cenários de terror será desmentido”, acrescentou ele.

Adotando outro tom, o ministro britânico das Finanças, George Osborne, afirmou na sexta-feira que torce “pelo melhor” nas negociações, mas que a Grécia “precisa se preparar para o pior”. “Entramos nas últimas horas da crise grega e conclamamos o Governo grego a chegar a um acordo antes que seja tarde demais”, afirmou Osborne ao chegar a uma reunião de ministros de Finanças e Economia da União Europeia que acontece nesta sexta-feira em Luxemburgo.

Essa reunião dos representantes dos 28 países da UE ocorre um dia depois de os 19 ministros de Finanças da zona do euro fracassarem na busca de um acordo relativo às reformas que a Grécia deverá empreender. Diante desse impasse, uma reunião dos chefes de Estado e Governo da zona do euro foi marcada para a próxima segunda-feira.

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