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A favor da Venezuela

O corajoso gesto de González, afastado faz tempo do primeiro plano da política, pretende contribuir para a normalização

Felipe González no aeroporto de Caracas.
Felipe González no aeroporto de Caracas.MIGUEL GUTIÉRREZ (EFE)

O ex-presidente espanhol Felipe González aterrissou hoje em Caracas para somar-se como assessor técnico à defesa dos líderes opositores Leopoldo López e Antonio Ledezma, encarcerados baixo a acusação de instigar os protestos contra o regime na primavera de 2014.

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O valente gesto de González, retirado já faz tempo do primeiro plano da política e bom conhecedor da América Latina, tem por objetivo contribuir à normalização da Venezuela, levando a preocupação dos democratas do mundo —102 ex-mandatarios de 67 países pediram por carta ao papa Francisco que interceda pelos presos políticos— pela sorte de todos aqueles encarcerados nesse país (algum, como Daniel Ceballos, em greve de fome) só pelo fato de não comungar com a propaganda e as ações do presidente Nicolás Maduro. A visita não é por tanto um ato de interferência, como reiterou a propaganda do Governo de Caracas, senão de solidariedade da comunidade internacional com os democratas venezuelanos.

Maduro, a quem uma tão súbita como oportuna gripe lhe obrigou a cancelar ontem uma entrevista com o Papa em Roma, permitiu a entrada de González mas lhe preparou um hostil recebimento através da televisão estatal, com as Unidades de Batalha Bolívar-Chávez como braço executor.

De nada servirão as marchas supostamente espontâneas para tampar a realidade. A Venezuela atravessa uma grave crise econômica, com alarmante escassez de produtos básicos e a inflação mais alta do mundo, com uma taxa de homicídios só superada por Honduras, e uma política de acosso permanente à oposição e de cerceamento dos espaços de liberdade. Maduro deve entender que a visita de González é, em realidade e sobretudo, uma oportunidade para sair de seu isolamento internacional.

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